Observando a Lua no festival de outono

Pintura de Xiao Yun baseada no poema “Bebendo sozinho com a Lua” do famoso poeta Li Bai da Dinastia Tang. (The Epoch Times)

Poesia e tradição no Festival da Lua chinês

O Festival de Meados de Outono chinês cai em 30 de setembro este ano. É noite quando a Lua está cheia e perto da Terra e brilha com mais intensidade. Neste grande feriado chinês, famílias e amigos se reúnem para desfrutar a companhia mútua e compartilhar iguarias típicas, especialmente, o bolo da Lua. O feriado é baseado no calendário lunar e tem uma tradição que remonta muitos séculos.

Desde os tempos antigos, a Lua tem um significado rico para o povo chinês, cujo calendário, as estações de plantio e a vida foram associados à Lua. A Lua também possui mistérios mais profundos para a antiga cultura chinesa e tem sido objeto de lendas e poesia.

Tradicionalmente, os chineses ficariam de pé numa alta colina numa noite fria de outono ou simplesmente abririam suas janelas para ver a Lua cheia brilhante, maravilhar-se com sua beleza e enviar orações e desejos para a deusa da Lua.

A Lua recebeu nomes diferentes dependendo de sua fase e plenitude. Ela é chamada de gancho prateado ou de jade, arco de jade ou lunar, roda dourada e espelho prateado ou de jade, conforme passa por suas fases.

Há muitas lendas conhecidas sobre a Lua que foram transmitidas, incluindo as de Wu Gang derrubando a árvore cássia e da bela Chang’e indo para a lua.

História do Festival da Lua

O Festival de Meados de Outono tem uma longa história na China. O termo “Zhongqiu”, ou ‘meio do outono’, teria aparecido pela primeira vez num livro por volta do século II a.C. nos chamados ‘Ritos de Zhou’, também conhecidos como ‘Zhouli’, que, entre outras coisas, retratam uma cerimônia que o povo realizaria para mostrar sua veneração pela Lua.

Durante a Dinastia Tang (618-906 d.C.), a cerimônia se tornou mais popular e o Festival de Meados de Outono foi designado como um feriado oficial. No tradicional calendário lunar chinês, o 15 de agosto é documentado como a data do Festival no Livro de Tang, conhecido como ‘Tang Shu’ ou ‘Taizong Ji’.

O Festival se tornou ainda mais amplamente comemorado após a Dinastia Song e, durante as dinastias Ming e Qing, ele se tornou um dos feriados mais importantes na China, tão importante quanto o Ano Novo.

Poesia

Ao longo da história, muitos poemas e canções sobre a lua e o meio do outono foram escritos, tão numerosos que são simplesmente incontáveis. Alguns podem ser encontrados no livro ‘Shi Jing’, uma coleção de poesia clássica que apareceu pela primeira vez em meados do século II a.C.

Escrever poesia era uma forma de arte e também uma disciplina filosófica e espiritual que era generalizada entre os estudiosos e autoridades, até mesmo imperadores. A Lua clara e brilhante inspirou poetas antigos como um símbolo de pureza, nobreza e grandeza de espírito. Outros também a viam como um mistério celestial a ser contemplado.

“Não era o Leste que brilhava,
era a luz da Lua que surgia”,
é uma linha do Shi Jing.

“Quão amplo é o mundo, quão próximas as árvores estão do céu.
e quão clara na água a proximidade da Lua!”
é um poema de Meng Haoran (689-740 d.C.).

“As estrelas se inclinam do espaço aberto,
e a Lua vem correndo rio acima”,
é parte de um poema de Du Fu (712-770 d.C.).

“A Lua, crescida cheia agora sobre o mar,
retificando todo o céu”,
é de Zhang Jiuling, um primeiro-ministro na Dinastia Tang.

O famoso poeta chinês Li Bai (701-762 d.C.) da Dinastia Tang escreveu um poema intitulado “Bebendo sozinho com a Lua”, que parece falar da humanidade perdida na ilusão e na solidão e, ainda, ansiando por conectar-se com o céu.

“De um frasco de vinho entre as flores, eu bebia sozinho.
Não havia ninguém comigo – até que, erguendo a taça,
Pedi a Lua brilhante,
para me trazer minha sombra e nos fazer três.”

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