O que sabemos sobre a Ômicron?

Evidências preliminares sugerem risco aumentado de reinfecção: OMS

Por Nathan Worcester

Há poucos dias, uma nova variante da COVID-19 ganhou manchetes em todo o mundo.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a nova variante Ômicron representa um “risco muito alto”, outros cientistas, incluindo alguns da OMS, enfatizaram que ainda temos muito que aprender sobre transmissibilidade, virulência e outras características da nova variante do vírus do PCC (Partido Comunista Chinês).

Francis Collins, diretor do National Institutes of Health (NIH), afirmou no programa “State of the Union” da CNN, que a Ômicron é provavelmente “mais contagiosa” do que seus antecessores. Ele também relata que ainda não há informações que indiquem que ela gera casos mais graves da doenças do que as variantes anteriores.

Após a turbulência no mercado de ações quando a variante apareceu no ciclo de notícias da Black Friday, o gigante dos bancos de investimento, Goldman Sachs, rebateu escrevendo que “não acreditamos que a nova variante seja motivo suficiente para realizar mudanças relevantes no portfólio”. Ele citou sua opinião de que os tratamentos existentes provavelmente manterão a nova variante sob controle.

Na África do Sul, onde alguns dos primeiros casos da Ômicron foram identificados e tratados, a Dra. Angelique Coetzee, da Associação Médica da África do Sul, afirmou ao The Daily Telegraph que os pacientes com a Ômicron apresentam sintomas relativamente leves, embora atípicos, da COVID-19.

Um profissional de saúde ajuda um paciente a preencher um formulário antes de realizar um teste PCR para a COVID-19, no laboratório Lancet, em Joanesburgo, em 30 de novembro de 2021 (EMMANUEL CROSET / Getty Images)
Um profissional de saúde ajuda um paciente a preencher um formulário antes de realizar um teste PCR para a COVID-19, no laboratório Lancet, em Joanesburgo, em 30 de novembro de 2021 (EMMANUEL CROSET / Getty Images)

“Apresentam uma doença leve, cujos sintomas são dores musculares e cansaço, um ou dois dias sem se sentir bem”, relatou Coetzee. “Até agora, descobrimos que as pessoas infectadas não sofrem perda de paladar ou cheiro. Eles podem ter uma leve tosse. Não há sintomas proeminentes. Dos infectados, alguns estão recebendo tratamento em casa”.

Origens, propagação e gravidade

Os primeiros relatos sobre a Ômicron vêm da África Meridional. Em 25 de novembro, uma declaração da Força-Tarefa da COVID-19 de Botswana anunciou que uma nova variante, B.1.1.529, havia sido detectada em quatro viajantes.

Em 26 de novembro, o Ministério da Saúde e Bem-Estar do país relatou em um comunicado que as quatro pessoas, que são diplomatas estrangeiros de um país não identificado, testaram inicialmente positivo para a COVID-19, em 11 de novembro. O sequenciamento genômico revelou posteriormente que os viajantes tinham a nova variante.

No mesmo dia, a OMS anunciou que B.1.1.259, ou Ômicron, era uma variante de preocupação (VOC). A OMS citou o grande número de mutações na variante, acrescentando que “evidências preliminares sugerem um risco aumentado de reinfecção com esta variante, em comparação com outras VOCs”.

Em particular, o anúncio da OMS afirmava que a primeira infecção confirmada pela Ômicron datava de 9 de novembro, e não de 11 de novembro, conforme declarado no comunicado de imprensa de Botswana.

Nos dias que se seguiram, a Ômicron foi detectada em todo o mundo, chegando a pelo menos 24 países em 1º de dezembro, de acordo com a Forbes.

Uma análise subsequente sugeriu que ela estava circulando muito antes do início de meados de novembro.

Um grupo de turistas em Bordeaux, sul da França, em 27 de novembro de 2021 (THIBAUD MORITZ / AFP Getty Images)
Um grupo de turistas em Bordeaux, sul da França, em 27 de novembro de 2021 (THIBAUD MORITZ / AFP Getty Images)

Em particular, cientistas nigerianos identificaram a variante em uma amostra obtida em meados de outubro de um viajante que havia retornado da África do Sul.

Embora a variante possa ser mais contagiosa, até agora não foi associada a um caso grave da doença ou morte.

Os 44 casos detectados na Europa foram leves ou assintomáticos, de acordo com a Bloomberg.

Isso levou alguns especialistas a criticar a mídia e os governos em todo o mundo por semearem medo extremo da nova variante.

Coetzee, da Associação Médica da África do Sul, liderou as críticas contra o que ele considera um exagero da Ômicron.

“Deixe-me ser claro: nada do que vi sobre esta nova variante justifica a ação extrema que o governo do Reino Unido tomou em resposta a ela”, escreveu ele no The Daily Mail.

“Ninguém aqui na África do Sul é conhecido por ter sido [ hospitalizado] com a variante Ômicron, nem se acredita que alguém aqui tenha adoecido gravemente”.

Em um tópico do Twitter, em 29 de novembro, o Dr. Nicholas Christakis da Universidade de Yale, observou que “não há relato, ainda, de mortes” pela Ômicron. “Em breve veremos essas mortes”, afirmou ele.

Até agora, mesmo com a variante Ômicron se espalhando pela a África do Sul em novembro, as mortes pela COVID-19 no país diminuíram em relação às altas recentes registradas durante o inverno do país, em julho e agosto.

Porém, no dia 1º de dezembro, a chefe técnica da OMS para a COVID-19, Maria Van Kerkhove, notou um aumento nas internações no país, segundo a CNBC. O país enfrentou simultaneamente um pequeno aumento da variante Delta, o que pode explicar parte do aumento das internações.

Os últimos dados do governo sul-africano mostram que a taxa de positividade de casos no país atingiu 16,5% em 1º de dezembro, um aumento notável de 10,7% no dia anterior.

Se a Ômicron for mais contagiosa e menos grave do que as variantes anteriores, sua aparência pode refletir uma compensação entre transmissão e virulência. De acordo com essa hipótese científica, os patógenos evoluem no sentido de se espalharem mais e ao mesmo tempo serem menos prejudiciais aos seus hospedeiros.

E os tratamentos?

Alguns têm se preocupado com a eficácia das terapias atuais para a COVID-19 contra a Ômicron.

A Regeneron anunciou que seu coquetel de anticorpos pode ser menos eficaz contra essa variante do que as anteriores. Ele observou que os testes ainda estão em andamento e que alguns de seus outros anticorpos monoclonais, ainda sob investigação, podem ser úteis no tratamento de pacientes da Ômicron.

Na terça-feira, o CEO da Moderna alertou que as vacinas existentes podem falhar contra a nova variante, citando conversas com cientistas não identificados em uma entrevista ao The Financial Times: “Todos os cientistas que conversamos afirmaram: ‘Isso não vai ser bom’”.

No entanto, outros, como o CEO da Pfizer e ex-funcionário da Trump Administration, Dr. Scott Gottlieb, adotaram um tom mais otimista.

Viajantes da África do Sul são testados para a COVID-19 na chegada ao Aeroporto Schiphol em Amsterdã no dia 30 de novembro (REMKO DE WAAL / ANP / AFP Getty Images)
Viajantes da África do Sul são testados para a COVID-19 na chegada ao Aeroporto Schiphol em Amsterdã no dia 30 de novembro (REMKO DE WAAL / ANP / AFP Getty Images) – Netherlands OUT (Photo by Remko de Waal / ANP / AFP) / Netherlands OUT (Photo by REMKO DE WAAL/ANP/AFP via Getty Images)

“Há motivos para se estar otimista de que as vacinas de reforço atuais fornecerão proteção significativa contra a #Ômicron”, escreveu Gottlieb no Twitter.

Deve-se notar que muitos dos pacientes que até agora apresentaram resultados positivos para a variante Ômicron também foram vacinados.

De acordo com a declaração de 25 de novembro no Twitter da Força-Tarefa da COVID-19 de Botswana, os primeiros quatro casos relatados da Ômicron ocorreram em pessoas totalmente vacinadas.

O primeiro caso confirmado da variante Ômicron nos Estados Unidos, identificado por meio de sequenciamento genômico, ocorreu em uma pessoa totalmente vacinada.

Além disso, em 29 de novembro, o vice-ministro da Saúde e Bem-estar de Botswana, Sethomo Lelatisitswe, declarou perante o parlamento do país que nenhum dos quatro indivíduos não vacinados, entre os quinze casos da Ômicron que estão ocorrendo no país, apresentava sintomas.

Collins, do NIH, acredita que os cientistas estarão em uma posição melhor para avaliar a eficácia das vacinas existentes contra a Ômicron após mais duas a três semanas de testes de campo e de laboratório.

Pouco conhecimento, grande ação governamental

Nossa compreensão da Ômicron melhorará à medida que aprendermos mais sobre ela.

Felizmente, esse conhecimento pode não demorar muito: Van Kerkhove, da OMS, afirmou que sua agência espera saber mais sobre a nova variante em dias, em vez de semanas, como planejado originalmente, de acordo com a Reuters.

No entanto, apesar de nossas informações limitadas sobre a nova variante, bem como das primeiras indicações de ela que pode não ser muito grave, governos em todo o mundo já reagiram fortemente. Os Estados Unidos, o Reino Unido e outros países proibiram viagens de muitos países do sul da África, enquanto o Japão proibiu todos os cidadãos estrangeiros.

A OMS e outros especialistas criticaram essas restrições, assim como a American Travel Association.

Um trabalhador de saúde realiza um teste PCR para a COVID-19 no laboratório Lancet de Joanesburgo, em 30 de novembro de 2021 (EMMANUEL CROSET / AFP Getty Images) 
Um trabalhador da saúde realiza um teste PCR para a COVID-19 no laboratório Lancet de Joanesburgo, em 30 de novembro de 2021 (EMMANUEL CROSET / AFP Getty Images)

O Dr. Anthony Fauci, conselheiro médico chefe do presidente Joe Biden, testemunhou em 28 de novembro, a George Stephanopoulos, da rede ABC, que era “muito cedo para afirmar” se novos confinamentos ou ordens seriam aplicados em resposta a Ômicron nos Estados Unidos.

“Temos que, como já declarei muitas vezes, nos preparar para o pior”, relatou Fauci nessa entrevista.

Mais e mais especialistas estão expressando preocupação mediante o uso de bloqueios e medidas de escopo semelhante, e o economista Donald Boudreaux afirmou ao Epoch Times que tais fechamentos têm efeitos “massivos, gigantescos, talvez até sem precedentes”.

Escrevendo no The Daily Wire, o Dr. Scott Atlas, consultor do coronavírus durante a presidência de Donald Trump, declarou que mesmo se as mortes pela COVID-19 parassem de aumentar rapidamente junto com os casos durante altas recorrentes, “é improvável que a histeria recorrente e o mau manejo dos governantes acabem tão rapidamente”.

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