O avião mais rápido já construído, perdido em menos de 10 minutos

O veiculo de tecnologia hipersônica Falcon (HTV-2) decolou da base da Força Aérea de Vandenberg na California em 11 de agosto de 2011, e não foi visto desde então. Os pesquisadores disseram que a nave não tripulada foi lançada pelo espaço a 13 mil milhas por hora (aproximadamente 24 mil km/h), mas eles perderam seu rastro logo após nove minutos de voo.

Várias estações de monitoramento foram posicionadas ao longo do trajeto do HTV-2, mas nenhum deles conseguiu detectar o alvo que se movia a 3,6 milhas por segundo (aproximadamente 6,6 km/h). “Empreendimentos que são lançados muito longe não podem readquirir rastreamento ou telemetria”, a Agencia de Pesquisa de Projetos de Defesa Avançada (DARPA) postou no Twitter, cerca de uma hora após o lançamento.

Como medida de segurança, a agência de pesquisa militar projetou o HTV-2 para se autodestruir se o controle e o contato se perdessem – uma simulação em vídeo do Falcon ilustra a nave mergulhando na água. DARPA espera que seu veículo hipersônico de teste esteja agora em algum lugar do Oceano Pacifico.

Na viagem inaugural em 22 de abril de 2010, o HTV-2 apresentou resultados semelhantes, mas os pesquisadores insistiram que ambas as missões forneceram informações de valor inestimável para o desenvolvimento.

Enquanto rastrear o veiculo se mostrou desafiador, engenheiros tem tido êxito na velocidade – O DARPA se gaba que seu HTV-2 pode planar a Mach 20 ou mais (comparando isso com o até então revolucionário voo do X-43A da NASA, em 2004, que alcançou uma velocidade além do Mach 9). A essa velocidade incrível, de Nova Iorque para Los Angeles seria uma curta viagem para o Falcon – cerca de 12 minutos.

Mas não espere essa tecnologia em viagens urbanas em breve. O HTV-2 faz parte do Programa Ataque Global Imediato (PGS) do pentágono. O objetivo deste programa é criar um sistema que pode atingir um alvo em qualquer lugar do mundo em menos de uma hora.

Enquanto o PGS certamente enfrenta críticas, o recente nomeado secretario de defesa, Leon Panetta (ex-diretor da CIA) deu seu total apoio ao programa. Em depoimento ao Comitê de Serviços Armados do Senado Norte Americano, Panetta observou que o PGS “pode ser o único sistema disponível em situações em que uma ameaça for localizada em regiões de difícil acesso por outros meios”.

Há restrições sobre como esse objetivo de ataque rápido pode ser atingido. Enquanto alguns analistas acreditam que os objetivos do PGS podem ser realizados através de misseis de longo alcance armados com ogivas convencionais, os legisladores norte-americanos e os nervosos líderes russos têm expressado preocupações de que os lançamentos balísticos poderiam ser confundidos com um ataque nuclear. Em um esforço para evitar este cenário, a DARPA tem explorado soluções não balísticas tais com o HTV-2.

O HTV-2 é lançado de um foguete em sub-órbita terrestre. Uma vez que o veiculo se separa, ele é projetado para voar através da atmosfera superior e manobrar para o alvo desejado. Pelo menos é assim que deveria funcionar na teoria. Na pratica, ainda existem algumas imperfeições a serem trabalhadas.

“Aqui está o que sabemos”, disse o Major da Força Aérea norte america, Chris Schulz, Doutor em engenharia aeroespacial e gerente do programa HTV-2, num comunicado. “Sabemos como impulsionar uma aeronave para o espaço. Sabemos como inserir a aeronave em voo hipersônico na atmosfera. Não sabemos ainda como conseguir o controle desejado durante a fase aerodinâmica de voo. É irritante; eu estou confiante de que há uma solução. Nós temos que encontra-la.”

Antes do voo de 11 de Agosto de 2011, o HTV-2 foi colocado em sofisticadas simulações e longos testes em túneis de vento. Mas, de acordo com Schulz, simulações são limitadas. Simulações em túneis de vento só podem recriar condições de Mach 15. Para ver como o HTV-2 opera sob o seu pleno potencial em Mach 22, a pesquisa em vida real é crucial.

“Voos atmosféricos de alto Mach é um territórios praticamente inexplorado”, acrescentou Schultz.

Falhas e fracassos são esperados quando se trata de uma tecnologia pioneira, mas aperfeiçoar o Falcon pode ser um empreendimento caro. Depois de apenas dois testes, o HTV-2 custou 308 milhões de dólares (cerca de 628 milhões de reais); estimativas para o seu pleno desenvolvimento como um planador deve custar mais de dez bilhões de dólares (cerca de 20 bilhões de reais).

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