Numa missão para parar a extração forçada de órgãos

Durante uma entrevista recente com o advogado canadense David Matas sobre seu novo livro a respeito da extração de órgãos na China, eu notei uma coisa: ele é uma pessoa incrivelmente ocupada. Durante uma viagem muito curta por Jerusalém (menos de 2 dias), ele arranjou tempo de sair de seu hotel para que eu pudesse questioná-lo. A caminho do café quando conversamos, ele comprou um presente para seu sobrinho. Esta propensão para multitarefa parece típica. Ele está em constante movimento, trabalhando e pensando constantemente sobre o que fazer em seguida. E ser um ativista dos direitos humanos é mais uma de suas atividades. Eu só posso imaginar o que ele conseguiria se fizesse isso em tempo integral.

“Mesmo quando estou em reuniões, estou sempre checando e-mails”, disse Matas quando perguntei sobre como ele se mantém envolvido em tantas coisas diferentes.

Em 2009, Matas foi coautor do livro “Colheita Sangrenta: A extração de órgãos de praticantes do Falun Gong na China”. Poucos meses atrás, ele publicou um segundo livro, que coeditou, com o título “Órgãos do Estado: O abuso do transplante na China”. Seu segundo livro é uma coleção de ensaios de colaboradores, incluindo médicos de transplante de quatro continentes.

Quando se trata da extração de órgãos, ele tem uma boa razão para estar tão empenhado em ficar em contato constante.

Segundo pesquisa feita pelo Centro de Informações do Falun Dafa (FDIC), dezenas de milhares de transplantes de órgãos são realizados na China anualmente, no entanto, os registros de doações voluntárias são de apenas algumas centenas. É impossível pensar em qualquer coisa senão numa séria traição ética dos médicos envolvidos e num crime contra a humanidade.

A afirmação do governo chinês de que os órgãos para transplantes de coração, rins e fígado vêm de prisioneiros executados tem sido recebida com crescente ceticismo desde 2006. Evidências emergindo constantemente sugerem que a maioria desses órgãos vem de prisioneiros assassinados pelo dinheiro que seus órgãos podem gerar. Muitos dos assassinados são praticantes do Falun Gong, o maior grupo de prisioneiros da consciência no mundo.

Lenta mas seguramente, o governo dos EUA está começando a prestar atenção. Em 2011, o Departamento de Estado dos EUA disse em seu relatório anual de direitos humanos que, “A mídia exterior e doméstica e grupos de defesa continuam a denunciar casos de extração de órgãos, especialmente de praticantes do Falun Gong e uigures.”

Para Matas, que costumava ser figura frequente em audiências e eventos sobre o assunto após a publicação de 2009 de seu livro, está aliviado que outros estejam se tornando mais envolvidos.

“Tem de haver outros além de mim falando sobre isso”, disse ele, acrescentando que não participou de uma audiência na Câmara em 17 de setembro sobre o assunto, para que outros pudessem estar no centro do palco. A esperança de Matas de que a questão ganhará mais tração e impulso parece estar se concretizando.

Em 3 de outubro, 106 membros do Congresso enviaram a secretária de Estado estadunidense Hillary Clinton uma carta pedindo a liberação de informações sobre os abusos de transplantes na China que o governo dos EUA pode possuir. O pedido foi baseado em relatos de que o ex-vice-prefeito da cidade de Chongqing, Wang Lijun, teria dado detalhes sobre a extração de órgãos durante sua estadia de 24 horas num consulado norte-americano na China em fevereiro.

Matas diz que há muitas coisas que as pessoas podem fazer também. “Escreva uma carta, vá a um comício”, diz ele. “Faça o que for possível.”

 
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