Publicado em - Atualizado em 22/09/2017 às 3:18

Nova coalizão contra Maduro divide oposição na Venezuela

Aliança "é integrada por pessoas que consideram que precisamos sair deste regime o mais rápido possível", diz deputado

Líder da oposição venezuelana María Corina Machado (George Castellanos/AFP/Getty Images)

Líder da oposição venezuelana María Corina Machado (George Castellanos/AFP/Getty Images)

Associações políticas e sociais da oposição fundaram, no domingo último (17), o Soy Venezuela, uma aliança paralela à coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD). Tendo como um dos criadores a ex-deputada María Corina Machado, o Soy Venezuela revela divergências entre os opositores do presidente Nicolás Maduro.

A ex-deputada fez o anúncio inaugural às 14h17 pelo Twitter convocando os venezuelanos a se unir ao novo movimento: “Faça parte da nossa Aliança #SoyVenezuela! Vamos libertar a Venezuela da ditadura. Filie-se: http://www.soyvenvenuela.com”, publicou.

Em seguida, às 2h39 da madrugada, Machado postou uma imagem do Soy Venezuela, com a explicação: “Nós atuamos para a liberdade. Nossa aliança é pela restituição da República. #SoyVenezuela.”

O deputado Richard Blanco, um dos fundadores da nova aliança, falou na segunda-feira (18) que não considera que houve uma cisão da MUD.

“Meu partido, o Alianza Bravo Pueblo, faz parte da MUD. Esta (nova) aliança, sem finalidades eleitorais, é integrada por pessoas que consideram que precisamos sair deste regime o mais rápido possível”, esclareceu Blanco à AFP.

“É uma aliança nacional com o único objetivo de restituir a República no menor tempo possível. É integrada por todas as forças políticas, sociais e cidadãs que compartilham uma mesma visão de emergência e apenas uma estratégia: a substituição do regime tirânico por uma República democrática.”

Em seu website, Soy Venezuela se descreve como “uma aliança nacional de formações e movimentos políticos, organizações civis e forças vivas do país, que se uniram com o único propósito de restaurar a República no menor tempo possível. Não é uma mera reunião de grupos de interesse ou partidos; é um pacto na diversidade, na pluralidade, e sem desvios populistas ou autoritários. Nossa aliança é um compromisso, baseado na confiança entre grupos que são diferentes e que não competem por nenhum protagonismo, mas que estabelecem as condições pelas quais uma sociedade democrática é possível”.

María Corina Machado enfatizou que a nova coalizão “está do lado do povo da Venezuela no momento em que a Unidade (MUD) sai do caminho que convocamos, o da revolta cidadã, e decide participar de eleições (para governadores) convocadas pela Constituinte”.

“(Soy Venezuela) está do lado do povo da Venezuela no momento em que a Unidade (MUD) sai do caminho que convocamos, o da revolta cidadã, e decide participar de eleições convocadas pela Constituinte” — María Corina Machado

Corina Machado não concorda com a decisão da MUD de tomar parte em eleições convocadas por uma Constituinte que considera ilegítima. A votação está marcada para o dia 15 de outubro próximo.

Ainda conforme o site do movimento, a nova coalizão tem como propósito fundamental “criar as condições que permitam superar o regime vergonhoso que atualmente subjuga a Venezuela e conseguir uma transição definitiva para o Estado de Direito ou a República, sustentáculo de qualquer democracia legítima”.

“(Esta aliança) compreende todas as forças políticas, sociais e cidadãs que compartilham a mesma visão de emergência e uma estratégia única: a substituição de um regime tirânico por uma República democrática, livre e próspera”, descreve.

Apesar de até o momento os líderes do Soy Venezuela terem evitado se opor à MUD, as bases do novo movimento de oposição estão visivelmente manifestados quando declara sua intenção de “constituir uma coalizão que represente os interesses dos cidadãos, muito longe da crise de representação e ineficiência apresentada por todas as coalizões anteriores, que se baseiam apenas em interesses partidários sem uma visão estatal. Por esta razão, a tarefa principal é organizar todas as forças da aliança para: mobilizar a cidadania na ignorância da ditadura, formar equipes de trabalho para a transição e estar preparado para assumir a reinstitucionalização do país, inclusive a FAN (Fuerza Armada Nacional Bolivariana, as Forças Armadas da Venezuela)”.

Forte defensora dos protestos no país, que entre abril e julho passados deixaram 125 mortos, a quase totalidade vítimas assassinadas pelas milícias de Maduro, María Corina Machado também fez fortes críticas à presença da MUD nas reuniões para o diálogo e as negociações realizadas na semana passada na República Dominicana. “Essa é só mais uma manobra para dar fôlego à ditadura.”

As recentes declarações de María Corina Machado podem ser acessadas nos seguintes links:
· María Corina: O diálogo “é absolutamente inaceitável” e “está sendo feito contra a vontade do país” (14/09/2017)
· “O diálogo não é para outra coisa senão para que Maduro renuncie”, diz Corina Machado (14/09/2017)

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