Nossa visão pode se adaptar à leitura nas telas, afirma médico

O tempo que a maioria de nós gasta olhando para uma tela aumentou rapidamente na última década. Se não estamos trabalhando ao computador, é provável que fiquemos internet pelo smartphone ou tablet. Prateleiras de livros estão sendo substituídas por um único leitor de e-books; televisão e filmes estão disponíveis em qualquer lugar, a qualquer hora.

Então, passar mais tempo olhando para uma tela significa o que para os nossos olhos?

Bem, você vai gostar de saber que, como qualquer mito sobre os olhos, simplesmente não há evidência para sustentar este conto carochinha.

Assim que chegamos aos 10 anos de idade ou mais, é praticamente impossível ferir a visão olhando para algo – a exceção, claro, é olhar para o Sol ou objetos tão brilhantes quanto. Mais cedo na vida, o que olhamos – ou melhor, quão claramente vemos – pode afetar a nossa visão, porque as vias neurais entre o olho e o cérebro ainda estão em desenvolvimento.

Quando lidamos com um pedaço de papel, a luz do ambiente circundante é refletida da superfície do papel aos nossos olhos. A retina, na parte posterior do olho, capta a luz e começa o processo de conversão em um sinal que o cérebro compreenda.

O processo de leitura a partir de telas é semelhante, exceto que a luz é emitida diretamente pela tela, ao invés de ser refletida.

Algumas pessoas se preocupam com a “radiação” vindo das telas, mas não há nada de perigoso nisso. A radiação é, na sua maior parte, apenas luz visível, o que nos permite ver a tela, em primeiro lugar. A maior parte das emissões de outras emissões que se encontram fora do espectro visível são de baixa energia e inofensivas, ou absorvidas por uma das primeiras camadas do olho, incluindo a película lacrimal.

No passado, as pessoas costumavam comprar capas de tela para diminuir a luz ofuscante que era emitida dela. Eu suspeito que este fez pouco mais do que diminuir a intensidade da luz, levando as pessoas a espremer os olhos e fazer esforço para enxergar. Eu gosto de telas brilhantes e luminosas, mas a escolha entre uma tela brilhante e fosca é apenas preferência pessoal.

Muitas pessoas se queixam de que períodos prolongados olhando para uma tela causam dores de cabeça e dor nos olhos. Este é talvez um reflexo do fato de que, ao olhar para uma tela e com foco em objetos próximos, nossos olhos não estejam realmente fazendo o que eles foram projetados – ser capaz de olhar sobre os campos de comida ou enxergar leões famintos, com a exigência ocasional de olhar para coisas próximas.

Podemos olhar de perto quando a lente dentro dos olhos “acomoda”. Isso exige a contração de músculos dentro do olho. Quando fixamos em um objeto próximo (digamos, uma tela), também precisamos apontar nossa visão para dentro. Isto é chamado de convergência.

Após horas em uma tela, os músculos de acomodação e de convergência podem fadigar e dar origem aos sintomas que conhecemos como a fadiga ocular (ou vista cansada). Na minha experiência, esta é uma das causas mais comuns de dor de cabeça em pessoas que trabalham em telas o dia todo.

Isso não quer dizer que as telas causam dano permanente, os sintomas devem se resolver espontaneamente quando você faz uma pausa. Caso contrário, os óculos podem fazer um pouco do trabalho necessário de focagem para olhar a uma tela.

Muitas pessoas também relatam que sua visão se deteriorou pouco depois de iniciar um trabalho (realizado em uma tela). Invariavelmente, isso coincide tanto com o aumento da leitura (em papéis ou numa tela de computador) como com a chegada da meia idade.

A partir da idade de 12 anos ou mais, a nossa capacidade (visual) de acomodação gradualmente declina ao mesmo tempo que a lente dentro do olho endurece. No início dos 40 anos, a acomodação reduziu a ponto da leitura próxima ser problemática. Aqueles teimosos o suficiente para persistir eventualmente apresentam fadiga ocular.

A próxima pergunta sobre a leitura em telas é “tamanho importa”?

A resposta é provavelmente não. Se o leitor é capaz de se concentrar na tela (acomodando, sendo ajudado pelo óculos correto ou uma combinação dos dois), então o tamanho da fonte não será um problema. Quando não prejudicada pela doença ocular da ótica, a visão humana pode ler do catálogo telefônico às letras de tamanho ainda menores.

Qualquer outra coisa, seja o brilho mais intenso de seu smatphone ou e-book, irá ajudá-lo a ver as letras miúdas.

Admito que quando um amigo meu sugeriu que eu começasse a ler em um tablet, eu lhe dei a resposta frequentemente ouvida, “Eu prefiro a sensação dos livros” ou uma de suas muitas variantes.

Mas, desde que mudei de estação, confesso que sou um verdadeiro viciado em e-books. Não só a compra de livros tornar-se algo que eu possa fazer a qualquer momento, mas agora eu posso ler na cama sem irritar a minha mulher mantendo a luz acesa!

Harrison Weisinger é médico optometrista

 
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