Nevasca congela Pequim antes do Congresso Nacional

Internautas e estudiosos citam a cultura tradicional e postulam associação
Pássaros voam sobre a Cidade Proibida após uma severa nevasca em Pequim em 4 de novembro de 2012. Nesta manhã, o Departamento Climático de Pequim publicou seu alerta mais grave. (Wang Zhao/AFP/Getty Images)

Uma nevasca varreu o nordeste da China em 4 de novembro, paralisando o transporte em Pequim, pouco antes da abertura do 18º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC). A tempestade de neve, inesperadamente cedo, foi bastante comentada, com internautas associando a intempérie com a próxima reunião política do PCC.

Novo recorde

No início da manhã de 4 de novembro, o Departamento Climático de Pequim emitiu seu alerta meteorológico mais grave, um alerta vermelho, para as partes oeste e norte da cidade, e outro aviso, o segundo mais grave, um alerta laranja, para toda a cidade, informou a mídia estatal Diário da China.

A mídia oficial relatou mortes e destruição relacionadas à tempestade em Pequim e em outras áreas do nordeste da China. Turistas ficaram presos pela neve perto da Grande Muralha e três turistas japoneses morreram no local. A nevasca afetou o fornecimento de energia para 36 mil moradores de Pequim, informou o Diário Metropolitano do Sul. Os ventos fortes que acompanharam a tempestade arrancaram grandes salgueiros no distrito de Chaoyang em Pequim.

O departamento de transporte da China está fazendo trabalho extra para restaurar o transporte nas autoestradas, os trens e os aeroportos afetados pela neve. Viajantes ficaram presos por 12 horas numa seção da via expressa Pequim-Tibete, esperando pela rodovia ser liberada, informou a Xinhua.

Devido à gravidade da nevasca, 10 rodovias foram parcialmente fechadas em várias províncias, com 12 vias expressas inteiramente interrompidas, segundo a Agência de Notícias China.

O artigo acrescentou que os voos no Aeroporto Internacional de Pequim foram gravemente afetados, com pelo menos 38 voos cancelados. De acordo com o microblogue oficial da Ferrovia Oeste de Pequim, a nevasca severa resultou na suspensão de nove linhas.

O meteorologista-chefe em Pequim comentou que esta quantidade de precipitação supera todos os registros históricos para a parte mais fria do ano, que vai de novembro a março. Os moradores também estão surpresos com a quantidade de neve. “Eu tenho 83 anos e nunca vi uma nevasca tão grande assim, com neve até os joelhos”, disse a Sra. Zhou, uma residente de toda a vida de Yanqing, em Pequim.

Vinculando a nevasca com o Congresso

O Weibo, a mídia social chinesa, foi agitada pelo burburinho dos internautas em busca dos termos “neve” e “18º Congresso”, fazendo uma conexão entre os dois eventos.

As pesquisas em 5 de novembro renderam 50 páginas de resultados, a maioria deles censurados, exceto pela primeira página de conteúdo.

“Uma tempestade de neve tão severa está relacionada com o 18º Congresso Nacional?”, perguntou o internauta ‘Duke Yangqi’. O internauta ‘Kathy Yihui’ de Guangdong comentou, “Esta neve antecipada dá as boas vindas a Esparta”, usar a palavra ‘Esparta’ evita a censura e tem uma pronúncia similar a ‘18º Congresso’ em chinês. “É um sinal de tempestade sob a superfície […] eles estão sendo responsabilizados tanto pelos céus como pelo povo!”

Alguns usuários do Weibo estão preocupados com os custos do Congresso, tanto em termos humanos quanto monetários.

“Aqueles policiais guardando o 18º Congresso e os 1,4 milhão de voluntários ainda precisam patrulhar, não importa que clima faça”, observou ‘Lao Xu Shi Ping’. “[O PCC] se protege contra seu próprio povo […] pobres coitados num clima tão frio”, respondeu outro internauta.

Outros internautas irados apelaram ao governo que use metade do custo de manutenção da segurança para o 18º Congresso em ajudar os chineses que sofreram com a nevasca, segundo um artigo da Secret China nesta segunda-feira.

Trabalhadores limpam uma rua coberta de neve depois de uma pesada precipitação de neve nos arredores de Pequim em 4 de novembro de 2012. Internautas pesquisaram termos associando a “neve” e o “18º Congresso”. (STR/AFP/Getty Images)

Tradição chinesa

A cultura tradicional chinesa traça uma conexão direta entre as tribulações e um mau governo, segundo o historiador chinês Li Ming, baseado na Austrália.

“Antigos imperadores chineses respeitavam o divino e amavam seu povo. Eles examinariam a si mesmos quando o país experimentasse desastres e caos e, na tentativa de corrigir a situação, publicavam uma ‘Carta de autoresponsabilização’ e pediam perdão ao céu.”

“Esta excelente tradição perdurou ao longo da extensa história da China. Infelizmente, o atual regime chinês é um grupo maligno, que, em sua arrogância, não tem respeito pelos deuses e pelo céu”, disse Li Ming à Rádio Som da Esperança, de sua casa na Austrália.

“O regime chinês é maligno, porque só existe para si mesmo e ignora a vida do povo chinês.”

“Este é um grave sinal do céu para alertar o regime chinês”, continuou Li Ming, “[O regime chinês] deveria tomar mais medidas para beneficiar o povo chinês e abandonar seu regime de partido-único. Eles devem adotar a democracia para cumprir a vontade do céu e do povo. Caso contrário, o ditado ‘O céu destruirá o PCC’ não será apenas mera diversão.”

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