Nem os químicos chineses sabem o efeito de suas drogas sintéticas

As drogas sintéticas têm provocado nas pessoas comportamentos bizarros. Uma nova droga sintética na Flórida, chamada “Flakka”, por exemplo, fez com que um homem tentasse violar uma árvore enquanto dizia ser o “Thor”, fez com que outro se empalasse em uma cerca, e provocou episódios de loucura e paranoia.

O problema da Flakka é o problema das drogas sintéticas, no geral. A fim de se esquivar da lei, os químicos continuam a desenvolver novas drogas. Por sua vez, estas novas drogas frequentemente provocam efeitos desconhecidos e a dosagem segura não é conhecida, o que coloca vidas em perigo

Ao que parece, alguns químicos na China que estão alimentando o problema das drogas sintéticas não sabem, eles próprios, quais são os efeitos das drogas, muito menos a dosagem segura.

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Nicola Davison, um jornalista freelance de Xangai, recentemente visitou alguns destes químicos chineses, e documentou os seus encontros em um artigo publicado no dia 1 de maio, no The Guardian.

Entre estes químicos está uma mulher rechonchuda, de aproximadamente 30 anos, que tinha o seu laboratório montado em um edifício de escritórios desocupado, em Xangai. O que ela disse ao entrevistador é algo que definitivamente define todo o problema das drogas sintéticas.

“Não sabemos nada sobre a questão da performance”, disse. “Somos apenas químicos”

A química também afirmou, “A nossa pureza está acima dos 99%”, em relação às drogas sintéticas, que são vendidas livremente pela internet e depois distribuídas por pessoas, que em alguns casos as vendem como drogas legítimas. Esta afirmação deveria servir mais como um sério aviso do que como algo vantajoso.

Afina, o que a pureza significa quando nem o químico sabe a dosagem ou o efeito do produto? Com drogas como estas, a maior pureza pode simplesmente significar maior risco de overdose, o que parece já ser um problema para esta química.

“Temo que este composto não seja bom”, disse a química a Davison, enquanto lhe mostrava algumas drogas.

“Primeiro, alguém nos deu a informação de que não era forte”, disse. “Depois, parece que já provocou mortos na Rússia. Você não vê as notícias? Então porque ainda a quer?”

 
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