NASA e Google IA descobrem 8º planeta de sistema distante — nosso sistema solar já possui um gêmeo

Kepler-90, um sistema solar descoberto pelo telescópio espacial Kepler em 2013, foi estimado como tendo apenas um planeta a menos do que o nosso sistema solar. Um esforço colaborativo com um engenheiro de software do Google e seu projeto de aprendizado de máquina de inteligência artificial (IA) provaram que essa estimativa estava incorreta. A verdade é muito mais emocionante.

(NASA)
The National Aeronautics and Space Administration (NASA)

Cientistas da NASA, com a ajuda da inteligência artificial do Google, descobriram o oitavo planeta no sistema da estrela Kepler-90. Descoberto pela primeira vez em 2013, acreditava-se que o sistema Kepler-90 possuísse apenas sete planetas que orbitavam sua forte estrela.

O planeta recém-descoberto, chamado Kepler-90i, “provavelmente é rochoso e não tem uma atmosfera espessa”, disse Andrew Vanderburg, astrônomo e médico com pós-doutorado Sagan NASA na Universidade do Texas, Austin, ao MailOnline.

(NASA)
(NASA)
(NASA)
(NASA)

“Não é um lugar que você gostaria de visitar”, acrescenta. Com uma temperatura superficial de mais de 800 ºF (cerca de 400 ºC), qualquer esperança de que este planeta suporte vida extraterrestre tem que ser suspensa por enquanto.

A temperatura da superfície de Kepler-90i é semelhante ao calor superficial de Mercúrio. A configuração planetária do Kepler-90 é quase idêntica à do nosso sistema solar, e os planetas menores estão mais próximos do seu sol do que os planetas maiores. Kepler-90i orbita seu sol uma vez a cada 14,4 dias.

Kepler-90 é uma estrela parecida com o Sol, mas todos os seus oito planetas estão aglutinados dentro de uma extensão equivalente à distância da Terra ao Sol. Seus planetas possuem órbitas extremamente próximas com um "ano" em Kepler-90i se passando em apenas 14,4 dias terrestres. Em comparação, a revolução de Mercúrio leva 88 dias. Por isto, Kepler-90i tem uma temperatura média de 800 ºF em sua superfície e não é um lugar provável para a vida como a conhecemos. A estrutura do sistema Kepler-90 sugere que seus oito planetas podem ter se formado mais espalhados, como os planetas em nosso próprio sistema solar, mas de alguma forma e por alguma razão migraram para a disposição orbital que os vemos hoje (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)
Kepler-90 é uma estrela parecida com o Sol, mas todos os seus oito planetas estão aglutinados dentro de uma extensão equivalente à distância da Terra ao Sol. Seus planetas possuem órbitas extremamente próximas com um “ano” em Kepler-90i se passando em apenas 14,4 dias terrestres. Em comparação, a revolução de Mercúrio leva 88 dias. Por isto, Kepler-90i tem uma temperatura média de 800 ºF em sua superfície e não é um lugar provável para a vida como a conhecemos. A estrutura do sistema Kepler-90 sugere que seus oito planetas podem ter se formado mais espalhados, como os planetas em nosso próprio sistema solar, mas de alguma forma e por alguma razão migraram para a disposição orbital que os vemos hoje (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)

O planeta anteriormente despercebido foi detectado através da aprendizagem de máquina. O Google IA rastreia os dados da luz captada pelo satélite para identificar sinais de um planeta. Depois de alimentar a IA com mais de 15 mil amostras, ela agora é capaz de identificar potenciais planetas com mais precisão.

“Nós temos muitos falsos positivos de planetas, mas também planetas potencialmente mais reais”, disse Vanderburg. “É como olhar as rochas para encontrar joias. Se você tem uma peneira mais fina, você pode pegar mais pedras, mas você também pode pegar mais joias.”

(NASA)
(NASA)
Os planetas de Kepler-90 possuem uma configuração semelhante à de nosso sistema solar, com planetas pequenos orbitando próximo à sua estrela e os planetas maiores mais afastados dela. Em nosso sistema solar, esse padrão é muitas vezes visto como evidência de que os planetas externos teriam se formado em uma parte mais fria do sistema solar, onde a água congelada pode permanecer sólida e se acumular para fazer planetas maiores e maiores. O padrão observado em torno de Kepler-90 pode significar o mesmo processo que aconteceria naquele sistema (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)
Os planetas de Kepler-90 possuem uma configuração semelhante à de nosso sistema solar, com planetas pequenos orbitando próximo à sua estrela e os planetas maiores mais afastados dela. Em nosso sistema solar, esse padrão é muitas vezes visto como evidência de que os planetas externos teriam se formado em uma parte mais fria do sistema solar, onde a água congelada pode permanecer sólida e se acumular para fazer planetas maiores e maiores. O padrão observado em torno de Kepler-90 pode significar o mesmo processo que aconteceria naquele sistema (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)

A IA utilizada foi desenvolvida por Christopher Shallue, engenheiro sênior de software do Google IA em Mountain View, Califórnia.

Shallue usou a política de 20% de tempo do Google, o tempo em que os funcionários podem trabalhar com o que quiserem, desde que o empregado pense que será benéfico para o Google.

“Esta é uma descoberta realmente emocionante, e consideramos que é um sucesso”, disse Shallue em reação à recente descoberta de sua IA.

(NASA)
(NASA)

Segundo a NASA, o recentemente descoberto Kepler-90i é “quase certamente” um exoplaneta. Eles estimam que há uma possibilidade de 1 em 10.000 que essa classificação seja um falso positivo.

Independentemente de Kepler-90i ou seja ou não um exoplaneta, esperamos que a NASA, com a ajuda da IA do Google, possa identificar outros planetas habitáveis.

Seria incrivelmente estimulante saber que não estamos sozinhos neste vasto universo. A busca por outras vidas inteligentes continua!

Apenas uma pequena área ao redor do sistema Kepler-90 (à esquerda) foi pesquisada pelo telescópio espacial Kepler. Em comparação com o nosso sistema solar, em que conhecemos planetas mais distantes, é possível que o Kepler-90 tenha ainda mais planetas. Se existem mais planetas (na área azul), eles provavelmente não teriam passado a tempo, enquanto o Kepler esteve observando, de sabermos que eles estão lá (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)
Apenas uma pequena área ao redor do sistema Kepler-90 (à esquerda) foi pesquisada pelo telescópio espacial Kepler. Em comparação com o nosso sistema solar, em que conhecemos planetas mais distantes, é possível que o Kepler-90 tenha ainda mais planetas. Se existem mais planetas (na área azul), eles provavelmente não teriam passado a tempo, enquanto o Kepler esteve observando, de sabermos que eles estão lá (Wendy Stenzel, Centro de Pesquisa Ames/NASA)

Conheça  mais o sistema da estrela Kepler-90:

Leia também:
NASA descobre novo planeta do tamanho da Terra em longínquo sistema solar
Veja mapa que mostra a quantidade de exoplanetas em nossa galáxia
Oumuamua: primeiro objeto interestelar veste misterioso “casaco”, dizem cientistas
México fincará na Lua primeira bandeira latino-americana
Explosão estelar sugere de onde vêm elementos formadores de vida

 
Matérias Relacionadas