Mundo deve desafiar ‘projetos malignos’ do PCC e acabar com extração forçada de órgãos, afirma deputado

PCC industrializou o assassinato de prisioneiros de consciência por seus órgãos, e isso deve ser interrompido, declarou grupo de legisladores

Por Eva Fu

O Partido Comunista Chinês industrializou o assassinato de prisioneiros de consciência por seus órgãos, e isso deve ser interrompido, declarou um grupo de legisladores dos Estados Unidos e de outros países no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

“Essas são pessoas vivas que tiveram seus órgãos retirados”, afirmou o deputado norte-americano, Scott Perry (Republicano da Pensilvânia), no dia 10 de dezembro, em um webinar organizado pelo Médicos Contra a Extração Forçada de Órgãos, um grupo de ética médica, com sede em Washington.

“Devemos desafiar os projetos malignos do Partido Comunista Chinês, o que implica destacar seu desprezo desenfreado pelos padrões básicos de decência humana”, declarou ele.

O regime chinês está envolvido há anos na extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência em “escala substancial”, concluiu um tribunal popular independente, em 2019. A prática envolve a extração de órgãos de prisioneiros enquanto eles ainda estão vivos e, em seguida, a venda para moradores e turistas em busca de um transplante, um negócio horrível que acumula ganhos significativos para o regime e os envolvidos.

A principal fonte desses órgãos são os aprisionados praticantes do Falun Gong, concluiu o tribunal, acrescentando que não encontrou nenhuma evidência de que o Partido Comunista Chinês (PCC) tenha encerrado essa prática.

O Falun Gong é uma disciplina espiritual que apresenta um conjunto de ensinamentos morais baseados nos princípios de Verdade, Compaixão e Tolerância, junto com um conjunto de exercícios meditativos. A disciplina atraiu cerca de 70 a 100 milhões de adeptos na China até 1999, quando o regime considerou sua vasta popularidade uma ameaça e ordenou uma extensa campanha para erradicar o grupo.

 Praticantes do Falun Gong realizam os exercícios em um evento que celebra o Dia Mundial do Falun Dafa em Taipei, capital de Taiwan, no dia 1º de maio de 2021 (Sun Hsiang-yi / The Epoch Times)

Praticantes do Falun Gong realizam os exercícios em um evento que celebra o Dia Mundial do Falun Dafa em Taipei, capital de Taiwan, no dia 1º de maio de 2021 (Sun Hsiang-yi / The Epoch Times)

Milhões de pessoas do grupo sofreram com várias torturas e instalações de detenção durante as duas décadas que sucederam a campanha.

Perry, que descreveu a perseguição do PCC aos adeptos do Falun Gong como “má e perversa”, afirmou que nos próximos dias ele apresentará um projeto de lei que visa responsabilizar os autores da extração forçada de órgãos.

Intitulado Ato de Proteção ao Falun Gong, o projeto pressionaria o regime chinês a “abandonar sua agenda de extermínio cruel e retrógrado” em relação ao grupo de fé – seja pela extração forçada de órgãos, prisão injusta ou trabalho forçado, declarou Perry.

Praticantes do Falun Gong recriam o pagamento ilegal por órgãos humanos, em Washington, no dia 19 de abril de 2016 (Jim Watson / AFP via Getty Images)
Praticantes do Falun Gong recriam o pagamento ilegal por órgãos humanos, em Washington, no dia 19 de abril de 2016 (Jim Watson / AFP via Getty Images)

‘Assassinato comercializado’

Uma exposição controversa intitulada “Corpos Reais” em turnê ao redor do mundo, exibindo partes do corpo plastinadas proveniente da China também levantou questões preocupantes. As partes plastinadas do corpo são provenientes de Dalian, uma cidade no nordeste da China conhecida pela severidade da campanha de perseguição contra o Falun Gong.

Philip Hunt, membro da Câmara dos Lordes do Reino Unido, relembrou uma dessas exposições em exibição em sua cidade natal, Birmingham, em 2018. Embora anunciada como uma forma “instigante” de “explorar o funcionamento interno da forma humana”, esses corpos eram usados sem evidências claras de consentimento, afirmou. Também acrescentou que, até 2013, Dalian tinha sido o lar de um campo de trabalhos forçados encarregado de torturar detidos do Falun Gong.

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Hunt introduziu a “Lei do Turismo de Órgãos e Cadáveres em Exibição” com o objetivo de acabar com o “terrível circo itinerante de exibições corporais” e impedir que os cidadãos do Reino Unido viagem à China para transplantes de órgãos. O projeto passou por sua segunda leitura na Câmara dos Lordes, em julho, mas ainda não foi aprovado.

Corpos reais: a exposição foi aberta ao público em Sydney, na Austrália, no dia 14 de abril de 2018, com manifestantes se reunindo na frente do local para expressar suas preocupações sobre a origem dos corpos humanos reais em exibição (Melanie Sun / The Epoch Times)
Corpos reais: a exposição foi aberta ao público em Sydney, na Austrália, no dia 14 de abril de 2018, com manifestantes se reunindo na frente do local para expressar suas preocupações sobre a origem dos corpos humanos reais em exibição (Melanie Sun / Epoch Times)

“A exploração comercial de partes do corpo em todas as suas formas é certamente antiética e repugnante. Quando isso é combinado com assassinatos em massa por um Estado autoritário, não podemos ficar parados e não fazer nada”, declarou Hunt no painel.

A extração forçada de órgãos, afirmou, é “homicídio comercializado e, sem dúvida, está entre os piores crimes”.

Em contraste com a opressão do PCC aos uigures e outras minorias muçulmanas em Xinjiang, que foi determinada como um genocídio por vários órgãos oficiais, a perseguição do regime ao Falun Gong não foi tratada adequadamente, de acordo com Perry. Alguns especialistas descreveram a campanha, incluindo a extração de órgãos do PCC, como genocida.

Uma definição da natureza da campanha do regime contra o Falun Gong está “gravemente ausente” na política dos Estados Unidos para a China, relatou Perry. Seu projeto de lei pressionaria o Departamento de Estado dos EUA a decidir formalmente se a perseguição constitui crimes contra a humanidade e genocídio, afirmou ele.

Para acabar com essas violações em curso, as pessoas que têm liberdade precisam se manifestar, declarou o parlamentar canadense, Garnett Genuis.

A avó de Genuis é uma sobrevivente do Holocausto e não teria sobrevivido sem a ajuda de moradores simpáticos que forneceram abrigo e se opuseram abertamente ao assassinato, afirmou ele.

Garnett Genuis, Ministro-sombra do Canadá para o Desenvolvimento Internacional e Direitos Humanos e membro da Aliança Interparlamentar para a China (Cortesia de Garnett Genuis)
Garnett Genuis, Ministro-sombra do Canadá para o Desenvolvimento Internacional e Direitos Humanos e membro da Aliança Interparlamentar para a China (Cortesia de Garnett Genuis)

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo jurou “nunca mais” permitir que esse tipo de violação horrível se repetisse. Mas falhou. Agora temos a responsabilidade de “intervir enquanto ainda podemos, para fazer o que pudermos para cumprir essa promessa”, declarou Genuis.

Annick Ponthier, uma política belga, soube pela primeira vez sobre a extração de órgãos em 2020 após presenciar a decisão do tribunal de 2019. Ela agora quer que seu país, e a União Europeia em geral, acabem com os acordos de investimento com a China para evitar tornarem-se “cúmplices dos grandes crimes que cometem”, afirmou Ponthier.

As autoridades de Pequim “não têm consideração pela vida humana, se essas vidas não promoverem sua agenda interna comunista e suas ambições de tornarem-se uma superpotência global”, relatou Ponthier.

Com o regime não tendo a intenção de limitar seu modelo autoritário dentro das fronteiras chinesas, ela afirma, uma postura contra o Partido Comunista Chinês “torna-se uma postura pelos direitos humanos em todo o mundo”.

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