Multidão em NY homenageia bombeiro que morreu para salvar

Nova York – Ao final, a família do bombeiro Tenente Gordon Matthew Ambelas, tinha a última palavra, não o fogo que lhe tirou a vida. Na quinta-feira passada, a esposa e as duas filhas de Ambelas, que tinha 40 anos e era um veterano do Corpo de Bombeiros de Nova York há 14 anos, comemorou a sua vida em Staten Island na Igreja de Santa Clara. Ambelas morreu combatendo um incêndio em Williamsburg, Brooklyn em 5 de julho.

Cercado de milhares de outros – incluindo bombeiros, amigos, família, funcionários eleitos e o público em geral –, a família de Ambelas viu o quanto ele foi lembrado e honrado com admiração, adoração, amor e humor.

“Quando alguém morre, todos querem dizer, ‘nossa, ele era ótimo'”, afirmou Nanette Ambelas, sua esposa, durante o memorial. “No caso dele, dizer isso é pouco pelo que ele era”. Durante o funeral, sua amiga próxima Margaret Gulliksen, que a apresentou ao marido, introduziu o discurso de Nanette.

“Você não só cuidou de nós, como nos amou”, dizia Nanette. “Você me salvou; gostaria que pudesse me salvar agora”.

Apesar de o discurso ter sido muito emotivo, cheio de bons sentimentos, houve alguns momentos de leviandade. Nanette o descreveu como um homem que “amava as coisas simples da vida”, como passar um tempo com a família e as duas filhas Gabby e Gia, pescar, acampar, andar de jet ski e golfe. Ambelas, que esteve nos momentos caóticos após o dia 9 de setembro e do furacão Sandy, também era fã de heavy metal.

“Toda vez que eu escutar Metallica ou Black Sabbath, vou me lembrar de você”, disse sua esposa. Ela, em seguida, recontou uma história sobre outra de suas paixões: blackjack. A história fez surgir uma onda de risos pela Igreja. “Eu me lembro da vez em que fomos para Las Vegas. Eu amava cada vez que você ganhava mais e mais.”

Suas palavras mais importantes do marido eram de agradecimento.

“Eu não queria mais nada da vida, porque eu tinha você”, ela afirmava. “E o mais importante, é que você foi um herói para mim e para nossas filhas”.

Suporte

Incluindo amigos e familiares de Ambelas, aproximadamente 8 mil pessoas compareceram ao funeral de horas, apesar de muitos terem esperado do lado de fora embaixo do sol quente ou assistindo pela sala com conferência ao vivo. A maioria era de bombeiros de todas as partes do país, incluindo Boston e Maryland e policiais de Nova York. Um mar de uniformes azuis, sapatos brilhantes, luvas brancas e chapéus brancos e pretos lotavam a rua em volta da Igreja.

De acordo com um bombeiro veterano de 45 anos de Nova Jérsei, responsável pelos detalhes do memorial e dos serviços no distrito, a quantidade de pessoas presentes no memorial ultrapassou as expectativas da família. O bombeiro, que negou informar seu nome, disse que os departamentos dos bombeiros trabalham próximos à família para criar o tipo de lembrança que querem deixar. Inclusive, ficam à disposição para prestar qualquer auxilio necessário à família.

“Nós tomamos conta da família do momento em que recebem as noticias até o momento do enterro”, ele afirmou. “Estamos aqui para o que precisarem. Tudo o que precisarem, estaremos de olho”.

Um técnico do departamento de emergências médicas de Nova York, que também se recusou a nos fornecer seu nome, afirmou que acompanhou pessoalmente o suporte dado quando um bombeiro morre. Após o falecimento de seu pai, a meses atrás, também bombeiro, que trabalhava há 32 anos a serviço dos Bombeiros de Nova York, contou que recebeu todo o suporte e muito mais.

“Eles ainda nos ajudam, mesmo após um ou dois meses”, ele contou. “É irmandade. É tradição”.

Outros também falaram com carinho. Monsenhor John Delendick, que liderava este trabalho em específico, recordou-se de pequenos detalhes que tornavam Ambelas único.

“Uma pessoa mansa não significa fraca, porque Matt não era fraco”, contava Delendick. “Ele não era uma pessoa fraca, mas era humilde, muito humilde. Não quis que os holofotes ficassem sobre ele”.

Delendick contou da reação de Ambelas após ter sido clamado herói pela sua ajuda ao resgatar um menino em uma sinagoga judia na comunidade de Brooklyn.

“Estas pessoas estão todas celebrando a vida dele – ele ficaria tão envergonhado”, disse Delendick, que adicionou que “apesar de estarmos sofrendo pelo luto, devemos manter as memórias de todos os tipos vivas”.

“Se podemos dizer que ele tinha um defeito, era de que foi um péssimo empresário”, ele disse rindo. “Ele tentou abrir uma loja de 99 centavos e acabou afundando”.

Inúmeros políticos, incluindo o Prefeito Bill de Blasio, o prefeito de Staten Island James Oddo, a defensora pública Leticia James, a oradora Melissa Mark-Viverito, o Comissário dos Bombeiros de Nova York Daniel Nigro e outros vieram prestar suas homenagens. Muitos membros da comunidade ortodoxa judaica também estiveram do lado de fora da Igreja por horas.

De Blasio iniciou seu discurso enaltecendo o papel dos bombeiros na cidade. “Cada herói reflete o tempo e o lugar em que mora”, disse de Blasio. “Sua vida incorporou os valores que nós, como moradores de Nova York, mais prezamos. Ele trabalhava duro e colocava sua equipe em primeiro lugar, sempre”.

O memorial terminou quando um guarda de honra carregou o caixão de Ambelas até o caminhão dos bombeiros, seguido de sua viúva e suas filhas. A família aguardou enquanto colocaram os capacetes de ex bombeiros em suas filhas e sua mulher Nanette chorou copiosamente.

“Eu sempre dizia: durma com os anjos, e agora você finalmente está”, dizia Nanette emocionada durante seu discurso.

A vida do Tenente Ambelas

Bombeiro: Lt. Gordon Matthew Ambelas
Apelido: Matt
Idade: 40 anos
Hobbies: pescar, acampar, andar de jet ski, golfe, blackjack e passar o tempo com a família
Família: a viúva Nanette e as filhas Gabriella e Giovanna
Bandas Favoritas: Metallica e Black Sabbath

Bombeiros de Nova York: uma história de sacrifício

O bombeiro Lt. Gordon Matthew Ambelas foi o 1.144º bombeiro a vir a óbito cumprindo seu dever desde que o departamento foi fundado em 1865.

O último membro a morrer foi o Lt. Richard Nappi em 16 de abril de 2012.

Os bombeiros organizados começaram a atuar em Nova York em 1648, quando a primeira ordenação dos bombeiros foi adotada pela Ordenação Holandesa em Nova Amsterdã.

Os bombeiros de Nova York protegem mais de 8 milhões de residentes em uma área de 320 metros quadrados.

Existem mais de 11.4 mil bombeiros e oficiais.

Existem 2.8 mil técnicos médicos especializados em emergências, paramédicos e supervisores ligados ao Departamento de Emergências Médicas.

 
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