Milhares de manifestantes se reúnem em Pequim para 3º Plenário

Os principais líderes do Partido Comunista Chinês (PCC) de toda a China se reuniram em Pequim em 9 de novembro para a abertura da 3ª Sessão Plenária do 18º Comitê Central para discutir possíveis reformas. Milhares de peticionários também de toda a China foram à Pequim para protestar contra as injustiças que sofreram e foram recebidos com violência e prisão.

Os peticionários se reuniram em 9 de novembro em vários pontos politicamente sensíveis, incluindo a Praça da Paz Celestial; o Escritório Nacional de Apelações; o Comitê Central de Inspeção Disciplinar; a estação de correios de Zhongnanhai, o complexo da liderança; e o Hotel Jingxi, no subúrbio ocidental, onde o plenário está sendo realizado.

Depois que um veículo matou cinco pessoas em 28 de outubro na Praça da Paz Celestial, a segurança no local foi reforçada.

“Há muito mais agentes de segurança na Praça da Paz Celestial do que o habitual.” O peticionário Li Hong disse ao Centro de Direitos Humanos Tianwang: “Eu vi dois grupos de peticionários, um com mais de 20 pessoas, distribuindo panfletos. Em seguida, policiais e agentes de segurança correram, tomaram todos os panfletos e inclusive verificaram as bolsas de turistas. Os peticionários foram levados em viaturas policiais.”

Uma peticionária chamada Huang Guangyu cortou o pulso com uma faca na Praça da Paz Celestial em protesto para sinalizar seu desespero sobre uma longa disputa com seu governo local sobre a desapropriação de terra, que permanece insolúvel desde 2004, segundo a Campanha dos Direitos Humanos na China.

Huang foi detida pela polícia e sua ferida recebeu um simples curativo. Quando ela foi autorizada a ir para o hospital dez horas depois, o médico disse que sua ferida pode desabilitá-la pelo resto da vida, segundo o relatório.

Cerca de 3 mil peticionários protestaram em frente ao Comitê Central de Inspeção Disciplinar, cantando palavras de ordem e exibindo faixas contra a corrupção do governo e pedindo melhoras nos direitos humanos e reformas judiciais e políticas.

Manifestantes lá contaram uma velha história: Apesar de um grande número de peticionários apelar por socorro há anos, as autoridades não fazem nada.

“Queremos viver e comer. Queremos justiça. Não queremos corrupção e tiranos”, disse o peticionário Guo Hongwei, da província de Jilin, norte da China, ao Epoch Times por telefone.

O peticionário Lin Mingjie, também do norte da China, disse: “O governo não ajuda em nada. Nós, o povo, não temos saída, por isso estamos aqui para protestar.”

Mais de 200 policiais foram posteriormente enviados para expulsar os manifestantes dos arredores do edifício do Comitê Central de Inspeção Disciplinar. Mais de 100 peticionários foram presos e alguns foram agredidos, segundo testemunhas.

Outros mil peticionários se reuniram em frente ao Escritório Nacional de Apelações, exibindo faixas, como “Resolvam nossas demandas razoáveis de casos criminais, civis e administrativos”, informaram os peticionários ao Epoch Times numa entrevista por telefone.

Embora as autoridades chinesas não tenham divulgado informações sobre a localização da 3ª Sessão Plenária, rumores de que esta ocorreria no Hotel Jingxi se tornaram virais. O hotel é de propriedade do Exército da Liberação Popular e tem sido usado para recepção da liderança chinesa no passado.

Centenas de manifestantes se reuniram perto do hotel, exigindo que as autoridades respeitem os direitos humanos e os ativistas e que divulguem os ativos dos oficiais do PCC e de funcionários do governo, como forma de prevenir a corrupção.

“Quase a cada três passos [perto do hotel], há um policial. Eles verificam as identidades das pessoas por todo o caminho ao longo da rua”, disse o peticionário Kong Lingzhen ao Epoch Times por telefone. “Nós peticionários fomos presos por policiais à paisana. Havia cerca de 40 a 50 peticionários colocados em carros de polícia.”

Uma longa fila de peticionários se formou fora da estação de correios de Zhongnanhai, a residência oficial da liderança do Partido Comunista Chinês, em mais uma forma de protesto. Eles chegaram para enviar cartas ao secretário-geral Xi Jinping e ao premiê Li Keqiang descrevendo as injustiças que sofreram.

 
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