Milhares de bancários demitidos protestam em Pequim

Milhares de ex-funcionários de quatro grandes bancos da China se reuniram em Pequim em 21 de outubro para pedir aos bancos que restabeleçam seus postos de trabalho e forneçam pensões adequadas.

O protesto na sede do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) em Pequim encontrou numerosas forças de segurança e policiais.

“Nós tentamos chegar ao local por volta das 7h30 desta manhã (23), mas as autoridades estavam preparadas, com oficiais e veículos da polícia ao redor do banco”, disse Wu Lijuan, uma trabalhadora demitida da província de Hubei, enquanto chorava numa entrevista por telefone com um repórter do Epoch Times.

“Havia mais de 20 grandes ônibus e mais de mil policiais, homens à paisana e seguranças esperando por nós. Antes mesmo de termos chance de nos reunir, a polícia correu e arrastou as pessoas para os ônibus e as levou para Jiujingzhuang”, disse Wu Lijuan, referindo-se a uma grande prisão negra em Pequim utilizada para detenções extralegais. “Não conseguimos entrar em contato com ninguém que foi levado”, disse ela.

Wu Lijuan continuou: “Éramos cerca de dez mil manifestantes. Nós protestamos em Zhongnanhai [a sede do Partido Comunista Chinês e do governo central], mas a segurança era forte lá. As autoridades estavam com medo de protestos e a segurança também foi reforçada na Praça da Paz Celestial.”

Ela estima que, entre os peticionários levados para Jiujingzhuang durante a manhã, cerca de 2 mil eram ex-funcionários do ICBC, mil eram do Banco de Construção da China e mil trabalhavam para o Banco Agrícola da China. A comunicação de celular para Jiujingzhuang foi desligada até o final da tarde.

Este não é o primeiro protesto de bancários demitidos. Mais de 3 mil peticionários se reuniram em julho em Pequim, muitos deles com 40 anos ou mais, em protesto contra as demissões e os pacotes de indenizações insuficientes, mas suas queixas não foram atendidas.

Os bancos chineses se desfizeram de 600 mil empregados em operações de reforma nesta década. Funcionários demitidos se queixam de que os bancos não seguem as orientações legais, deixando muitos idosos em condições terríveis.

Outro trabalhador demitido, Liu Yanxiang, disse que continuaria a pressionar os bancos para atender seus direitos legais e proporcionar pensões adequadas. Ele acredita que a recente resposta com punho de ferro apenas intensificará os conflitos.

“A maioria dos ex-funcionários estão vivendo em condições financeiras difíceis. Nós somos velhos e não temos renda ou seguro de saúde”, continuou Liu. “Muitos de nós estão descontentes com a situação e nossas petições às autoridades foram ignoradas. Isso torna o conflito entre nós ainda pior. No momento, a direção do banco não quer falar conosco ou nos ver. Eles ignoraram nossas necessidades ao longo dos anos, por isso estamos numa situação desesperadora”, disse ele.

Há documentos secretos que mostram ilegalidades nos processos de demissões dos quatro grandes bancos, disse Liu. As sedes dos bancos teriam emitido instruções para as filiais reduzirem seu tamanho, dando incentivos aos gerentes das agências de 50 mil yuanes por empregado demitido. Ele disse que os bancos ignoraram a política oficial de demissões e que foram mandados embora sem base legal.

Os bancos – o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), o Banco Agrícola da China (ABC), o Banco de Construção da China (CCB) e o Banco da China (BOC) – obrigaram os funcionários a aceitarem uma indenização fixa. O pacote de indenização consistia de 50 a 60 mil yuanes (US$ 8.140 a 9.769) e de uma pensão anual de 2.500 yuanes (US$ 407), segundo os ex-funcionários.

 
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