Mídia estatal da Coreia do Norte: país faz “teste importante” para desenvolvimento de satélite espião

Japão e Coreia do Sul alegaram ter detectado um aparente míssil balístico sendo lançado da costa leste de Pyongyang

Por Aldgra Fredly

O regime norte-coreano realizou no domingo um “importante teste” para o desenvolvimento de um satélite espião, afirmou a mídia estatal, após alegações de que um míssil balístico foi disparado da costa leste de Pyongyang.

O regime conduziu “fotografias verticais e oblíquas de uma área específica da Terra” com câmeras instaladas no “satélite de reconhecimento” no dia 27 de fevereiro, declarou a Korean Central News Agency (KCNA), uma agência estatal de notícias, na segunda-feira.

Ele observou que o teste era para confirmar as características do sistema de câmera de alta resolução, sistema de transmissão de dados e dispositivos de controle de atitude.

A KCNA afirmou que o teste “é de grande importância no desenvolvimento do satélite de reconhecimento” e divulgou fotos da Península Coreana que parecem ter sido tiradas do espaço.

O relatório não especificou se um míssil foi testado no domingo, mas o Japão e a Coreia do Sul alegaram ter detectado um aparente míssil balístico sendo lançado da costa leste de Pyongyang, perto de Sunan.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul relatou que o míssil voou a uma altitude máxima de cerca de 390 milhas a um alcance de cerca de 90 milhas.

Lee Jong-joo, porta-voz do Ministério da Unificação da Coreia do Sul, afirmou que uma análise detalhada das especificações está sendo conduzida para avaliar as implicações do último lançamento de míssil, o qual é o oitavo lançamento de míssil pela Coreia do Norte este ano.

Lee observou que o governo sul-coreano “se preparará completamente para todas as possibilidades no futuro”, informou a agência de notícias local Yonhap.

“Se a ideia deles era conduzir isso em um momento desprotegido para a comunidade internacional enquanto estava respondendo à invasão russa da Ucrânia, não podemos tolerar isso”, declarou o ministro da Defesa do Japão, Nobuo Kishi.

Sung Kim, o representante especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, conversou com diplomatas sul-coreanos e japoneses no domingo para discutir o último lançamento de míssil da Coreia do Norte, afirmou o Departamento de Estado em comunicado.

Kim destacou a prontidão dos Estados Unidos em se envolver em uma diplomacia séria e sustentada com a Coreia do Norte e reafirmou o objetivo comum de desnuclearização completa da Península Coreana e o “compromisso rígido dos EUA com a defesa” da Coreia do Sul e do Japão.

Um satélite espião está entre uma série de sistemas de armas sofisticadas que o líder norte-coreano, Kim Jong Un, prometeu no ano passado desenvolver sob um plano de modernização militar de cinco anos.

Ainda não está claro se a Coreia do Norte desenvolveu ou garantiu níveis suficientes de câmeras para serem colocadas em um satélite e permitir o monitoramento das atividades militares sul-coreanas e norte-americanas.

A Coreia do Norte lançou com sucesso seu primeiro satélite em órbita em 2012, seguido por um segundo em 2016. O regime afirmou que ambos são satélites de observação da Terra lançados sob seu programa de desenvolvimento espacial.

Lee Choon Geun, pesquisador honorário do Instituto de Política de Ciência e Tecnologia da Coreia do Sul, declarou que Pyongyang desenvolveu os dois satélites para espionar seus rivais. Ele afirma que, embora o segundo satélite ainda esteja em órbita, não há evidências de que ele tenha transmitido qualquer imagem para a Coreia do Norte.

A Associated Press contribuiu para esta reportagem.

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