Mexicanos e brasileiros se unem para reconstruir Museu Nacional destruído pelo fogo (Vídeo)

Além de destruir quase todos os 20 milhões de peças de todo o mundo, elementos únicos e insubstituíveis, o fogo destruiu o trabalho de uma vida inteira de muitos pesquisadores

Por Epoch Times

O famoso Museu Nacional de Antropologia e História do México (INAH) está trabalhando em conjunto com funcionários de diferentes museus brasileiros para ajudar a reconstruir o Museu Nacional do Brasil que foi destruído em um incêndio em setembro.

Em reunião realizada no Museu de Arte Popular da Cidade do México, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, e o diretor do INAH, Diego Prieto, trataram dos planos para restaurar o prédio e criar um novo museu em quatro fases, num período de cinco anos.

A colaboração reúne especialistas em antropologia de dois dos principais museus antropológicos da América Latina, responsáveis por proteger e preservar milhões de relíquias, objetos e arquivos.

O incêndio foi considerado uma das maiores catástrofes culturais da história da nação sul-americana e do mundo.

Museu Nacional do Rio de Janeiro (Buda Mendes/Getty Images)
Museu Nacional do Rio de Janeiro (Buda Mendes/Getty Images)

Hoje, apesar do fato de que as causas do acidente ainda são desconhecidas, os esforços para revitalizar esse espaço continuam.

Durante a criação dessa aliança entre as instituições dos dois países, o diretor geral do INAH, Diego Prieto Hernández, salientou que a tragédia ocorreu no Brasil em um mês que, nos últimos anos, tem se mostrado nefasto para o “patrimônio histórico”, em alusão aos terremotos que ocorreram no México um ano antes.

Roberto Leher, por sua vez, fez um resumo dos danos causados pelo incêndio e do plano que a UFRJ (entidade que administra o local que em junho comemorou o bicentenário de sua fundação) possui para reconstruí-lo.

Ele explicou que os dois milhões de peças que sobreviveram ao fogo, e que representam 10% do acervo original do museu — entre elas o meteorito Bendegó e os restos do esqueleto de “Luzia”, que com mais de 10 mil anos estão entre os mais antigos da América — estão atendidos por um projeto de reconstrução e reorganização iniciado em outubro.

Algumas dessas peças, como os meteoritos, foram salvas pelos próprios funcionários do museu. A curadora do Museu, María Elizabeth Zucolo teve que procurá-los e tirá-los por sua conta e risco, mencionando que quando chegou “só havia cinzas”, mas que ainda assim ela insistiu em procurar “para que depois não se confundissem com os restos carbonizados do edifício”.

O Museu Nacional do Brasil, antes de abrigar essas coleções, era um palácio imperial.

Era a residência da família real portuguesa em primeiro lugar e, após a independência, tornou-se residência da família imperial brasileira.

Foi fundado em 1818 e abrigou várias coleções históricas, incluindo utensílios egípcios e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil.

A Rede de Solidariedade, como chamaram essa colaboração entre os dois países para reviver o Museu, permitirá trocar experiências com especialistas do INAH do México, muitos deles envolvidos no resgate de bens patrimoniais afetados pelos terremotos de 2017, e trazer melhores práticas para o projeto executivo do museu, atualmente em desenvolvimento.

“A cooperação entre instituições culturais brasileiras e mexicanas não deve ser temporária, mas permanente”, concluiu Roberto Leher.

Calcula-se que o incêndio do Museu Nacional que fica no norte do Rio de Janeiro, além de destruir quase todos os 20 milhões de peças de todo o mundo, elementos únicos e insubstituíveis, destruiu o trabalho de uma vida inteira de muitos pesquisadores. Uma perda de 200 anos de coleções.

 
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