Mercado imobiliário chinês desacelera com novos regulamentos

Agente imobiliário verifica um anúncio de habitações em Pequim em 1º de abril de 2013. O mercado imobiliário em rápida expansão nas grandes cidades tem desacelerado como reflexo das políticas do Conselho de Estado da China (Wang Zhao/AFP/Getty Images)

O vertiginoso mercado imobiliário chinês tem desacelerado desde que o Conselho de Estado anunciou em março cinco novas políticas destinadas a conter o crescimento alarmante.

Políticas destinadas a estabilizar os preços da habitação e abafar a especulação incluem um imposto de 20% sobre o lucro, adiantamentos maiores e aumento das taxas de juros de hipotecas em mercados aquecidos, bem como restrições a segundas propriedades.

Algumas cidades viram preços multiplicando-se por fatores de 10 recentemente, causando preocupação no oficialismo e excluindo futuros proprietários do mercado, informou o CNBC.

Desde a implementação das novas políticas, as vendas de habitações novas e usadas têm diminuído drasticamente nas cidades de primeira ordem, como Pequim, Shanghai e Guangzhou, segundo corretores de imóveis locais e as estatísticas oficiais.

Declínio de vendas em todo o país

O volume de negócios de habitações usadas em Pequim tem diminuído drasticamente desde março, diz um agente líder no setor imobiliário.

O Sr. Jing, da ‘Beijing Homelink Real Estate’, disse ao Epoch Times que as transações no subúrbio de Dingfuzhuang caíram 88,6%, de 7 milhões de yuanes (cerca de US$ 1,37 milhões) em março para 0,8 milhão de yuanes (US$ 129.961 dólares) em abril. A maioria dessas transações veio de moradores de renda média. “Muitos clientes foram comprar um imóvel na área menos cara de Yanjiao, fora dos preços caros de Pequim”, acrescentou ele.

A devolução de novos imóveis também diminuiu, segundo uma reportagem de 1º de maio da mídia estatal Rádio Nacional da China. As vendas de novas moradias em Pequim caíram para 7.188 unidades em abril, uma queda de 63% desde março.

Embora as novas regulamentações ainda precisem ser implementadas em Guangzhou, seu mercado imobiliário tem sido igualmente afetado.

You Guixiang, funcionário da corretora Guangzhou Bola, disse ao Epoch Times que os negócios têm sido lentos, com as transações intermediárias dois terços menores. “Antes dos regulamentos serem implementados, houve pânico; as pessoas correram para comprar ou vender. Após estes regulamentos entrarem em efetividade, o que foi planejado se concretizou, então, as transações abrandaram.”

De acordo com a reportagem da Rádio Nacional da China, Guangzhou também experimentou desaceleração no mercado de imóveis novos. Em abril, menos de 3 mil transações foram feitas, uma queda de 20% desde março.

“O volume comercial imobiliário de Shanghai foi ligeiramente superior a 900 mil metros quadrados em abril, 41% menor do que em março. Isso é uma queda significante”, disse Huang Zhijian, analista imobiliário da empresa de consultoria ‘Shanghai You Win’, ao Epoch Times.

Análise dos especialistas

Discutindo o declínio do mercado imobiliário, Huang Zhijian disse: “Eu, pessoalmente, acho isso normal. Houve pânico em março, mas após os regulamentos serem implementados, as pessoas sentiram que não tinham necessidade de pressa.”

Ele explica: “A principal razão é que, antes das cinco novas políticas serem implementadas, não havia imposto de 20% sobre o lucro, o que significava que transações de imóveis usados foram mais rápidas. Porém, agora as novas propriedades não estão sujeitas ao imposto de 20% e novas regras estipulam um aumento nos adiantamentos para a segunda propriedade e nas taxas de juros. Isso diminuiu as vendas.”

Huang Zhijian acredita que o declínio das vendas de imóveis usados é inevitável, pois o mercado imobiliário não pode absorver em curto prazo o impacto do imposto de 20% sobre o lucro. Além disso, o excesso de oferta de imóveis forçará para baixo os preços da habitação.

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