O triste diário do menino que confessa que sua mãe ama mais o celular do que ele

Em 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, um menino de 9 anos, morador do sudeste da China, fez de tudo para agradar sua mãe, mas todos os seus esforços passaram despercebidos devido ao fato dela estar agarrada ao smartphone durante todo o dia.

As experiências do menino vieram à tona pela primeira vez através de uma redação escolar e, em seguida, na rede social chinesa, onde se tornou viral e causando comoção milhares de internautas sobre os impactos que os smartphones estão tendo na sociedade:

“Hoje é o Dia Internacional da Mulher”, diz o texto, “por isso eu gostaria de agradecer o trabalho duro que a minha mãe faz todos os dias e fazer algo por ela. Primeiro eu contei-lhe uma história, mas mamãe não pareceu gostar dela e ficou olhando para o celular dela. Fiquei chateado. Então eu pensei que ela poderia gostar se eu fosse parabenizá-la pelo seu dia.

Dei os parabéns para minha mãe, mas ela continuou olhando para o celular, o que me deixou ainda mais triste. Então pensei: ‘Isso não está funcionando. Eu vou, então, tentar fazer uma massagem nas costas dela’. Me esforcei bastante, mas ela ainda estava olhando para o seu telefone, sem um único sorriso. Eu fiquei arrasado, então eu decidi colocar seus pés em uma bacia d´água.

Foi então que ela parou de olhar para seu telefone. Eu fiquei contente e disse a ela que eu estava fazendo o meu melhor. Eu esperava que ela me agradecesse de alguma forma depois de ter feito isso, mas com uma voz grave ela me disse: ‘Fico agradecida de você ter lavado meus pés, mas acho que você deveria ter se esforçado mais.’

Eu olhei para ela sem entender por que ela foi andando para o quarto. ‘Vá logo escrever em seu diário!’, disse ela, antes de fechar a porta. E foi assim que eu passei meu triste Dia Internacional da Mulher “.

A publicação foi compartilhada no site chinês da mídia social Sina Weibo,  tendo mais de 9 milhões de visualizações em menos de um dia, de acordo com um relatório da Taizhou Evening News, na província de Zhejiang, onde o menino e sua família vivem.

Tendo quase um celular para cada um dos seus 1,3 bilhões de habitantes, a China é tão suscetível às desvantagens da era do smartphone como qualquer outra nação ocidental.

“Quando eu li o diário de meu filho, eu olhei para o meu marido e nós começamos a rir, mas eu me senti envergonhada”, disse a mãe da criança, de sobrenome Zhao, em uma entrevista com Taizhou Evening News.

A Sra. Zhao admitiu que ela e seu marido gostam de jogar online  ou acessar a mídia social em seus celulares frequentemente, e que ela às vezes fica impaciente quando seu filho lhe pede ajuda para fazer o dever de casa.

“Eu não sabia que meu comportamento estava tendo uma influência tão grande sobre o crescimento do meu filho”, disse Zhao. Ela disse que vai diminuir o uso do telefone e passar mais tempo com seu filho.

Um internauta apelidou o diário de “História bonitinha, mas de cortar o coração”, e os usuários chineses da rede social da China comentaram sobre o impacto que o vício de smartphones gera nas crianças, relatando suas próprias experiências.

Um outro internauta resumiu a história sombriamente: “O garoto sentia amargura em seu coração. Ele percebeu que seus pais amam mais seus telefones do que ele “.

O Taizhou Evening News também entrevistou alunos da mesma escola que o filho de Zhao frequenta, e relatou que 70% deles disseram que seus pais também eram dependentes de seus dispositivos.

“Eles olham para os seus telefones quando comem, quando eu faço a lição de casa, e mesmo quando deitam na cama antes de ir dormir”, disse um aluno. Ao ver que os seus pais jogam em seus telefones, o menino se sente incentivado a terminar seu trabalho de escola rapidamente, de modo que ele possa jogar também.

Uma aluna do primeiro ano disse irritada: “Eu acho que minha mãe gosta de seu celular mais do que  de mim.” Ela disse que, às vezes, sua mãe, quando está usando seu telefone,  nem sequer se importa quando ela chora.

“Certa vez, minha sobrinha me disse que seu pai segurava um telefone, sua mãe segurava um telefone e sua tia também segurava um telefone, mas ninguém queria segurá-la,” dizia um comentário desses na internet chinesa; e continua: “‘Quem é mais importante, eu ou o telefone?’, perguntou minha sobrinha. Eu fiquei chateada, mas no final acabei carregando-a enquanto ela brincava com o telefone.”

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“Esta é a história da minha vida!”, disse um jovem internauta. “Desde que eu ajudei minha mãe a criar uma identidade da Apple, é como se ela não me quisesse mais! Ela passa o dia inteiro jogando jogos em seu telefone”.

“Que tipo de mãe é ela!”, disse outro usuário. “Mas acho que há muito  mais mães como ela.”

“Minha mãe é a mesma coisa”, disse outro. “Eu banhava seus pés na água de ginseng e massageava seus pontos de acupuntura, mas ela apenas ficava olhando os seus amigos no WeChat.”

Não apenas as crianças, mas os adultos também demonstraram sentirem alienados pelo uso excessivo do telefone. Uma moça manifestou através deste comentário:

“Eu me identifiquei totalmente com a eperiência deste menina. Uma vez eu estava bebendo uma bebida com meu amigo, e ela estava enviando mensagens de texto para alguém mesmo quando eu estava desabafando com ela. Naquele momento algo se quebrou e nós nunca mais fomos os mesmos amigos novamente. Sempre que penso em sua expressão quando ela estava digitando as mensagens de texto, eu sinto que eu não estava realmente a acompanhando, mas em vez disso eu fui reduzida a algo como mais um ícone do telefone. É muito triste para pensar nisso.”

“Eu não entendo.”, disse outro internauta adulto. “Para aqueles pais que parecem nunca pensar que seu comportamento terá qualquer grande influência sobre os seus filhos, vocês não se lembram da sua infãncia? Esqueceram-se dos delicados sentimentos que ocupam o coração de uma criança? Eu não esqueci e nunca me esquecerei.”

 
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