Medo de corrida armamentista do Aukus é ‘errôneo’, afirma especialista em defesa

Anúncio do pacto trilateral entre os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália desencadeou uma resposta mista dos governos da Ásia-Pacífico

Por Daniel Y. Teng

Temores de que o AUKUS possa desencadear uma corrida armamentista na Ásia-Pacífico não é nada mais é do que uma “reação automática”, de acordo com especialista em defesa, o qual afirma que o pacto trilateral entre Austrália, EUA e Reino Unido ajudaria a manter um equilíbrio de poder na região conturbada.

“Claramente, a Austrália deseja dissipar as percepções errôneas sobre o AUKUS, mas como já observei anteriormente, aqueles que acreditam que o AUKUS pode contribuir para a paz e estabilidade regional, e aqueles que pensam o contrário, provavelmente se manterão firmes”, afirmou Collin Koh Swee Lean, pesquisador do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.

Ele declarou ao Epoch Times que havia partidos que preferiam “permanecer ambíguos e ofuscar as questões”, mas observou que seria mais útil olhar “além da retórica” e examinar as ações políticas dos governos da ASEAN.

“Se a Indonésia e a Malásia fossem contra o AUKUS e pretendessem enviar um sinal forte para a Austrália, eles não teriam continuado com sua lista habitual de compromissos de defesa e segurança”, afirmou. “A Indonésia e a Austrália acabaram de concluir seu exercício naval bilateral, New Horizon, na semana passada. E a Malásia acaba de assinar um MOU com a Austrália sobre cooperação em segurança cibernética”.

Além disso, ele observou que usar o rótulo de “corrida armamentista” seria “errôneo”, afirmando que apenas um número limitado de nações teria vontade política e recursos para se engajar em uma.

“Não vou nem tentar chamar isso de ‘corrida armamentista’, mas, na melhor das hipóteses, competição armamentista”, afirma. “Recebemos vários avisos semelhantes no passado, então os comentários da Indonésia e da Malásia não são novidade. Parece até uma resposta automática obrigatória a ser esperada”.

O anúncio do pacto trilateral entre os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália desencadeou uma resposta mista dos governos da Ásia-Pacífico, com Japão, Taiwan e Filipinas apoiando o acordo. Enquanto a Coreia do Norte, Malásia e Indonésia expressaram preocupações de que o novo pacto poderia dar início a uma corrida armamentista na região.

O ministro da Defesa da Malásia, Hishammuddin Hussein, chegou a declarar que buscaria as opiniões da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) sobre o pacto.

Peter Jennings, chefe do Australian Strategic Policy Institute, declarou que o governo australiano precisa dedicar mais esforços em suas relações com os países do sudeste asiático.

“Precisamos superar a visão australiana de que tudo pode ser feito com o mínimo de dinheiro absoluto”, afirmou à AAP no dia 8 de novembro.

“Temos estado muito relaxados sobre nossa posição no sudeste da Ásia, provavelmente pensando que ela é mais forte do que realmente é, e fomos pegos de surpresa com o volume de dinheiro chinês.”

Atualmente, a Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Marise Payne, está viajando pela região para amenizar as preocupações e fortalecer os laços dentro das nações da ASEAN.

Lean observou que a AUKUS seria uma “rede positiva para a paz regional” e poderia manter um equilíbrio de poder no Indo-Pacífico.

“Isso permite que os países do Sudeste Asiático se concentrem na recuperação econômica (da pandemia) e não tenham que dedicar muitos recursos à defesa”, afirma, observando que a ASEAN por si só seria “insuficiente” para neutralizar o aumento militar de Pequim.

No cerne do novo pacto AUKUS está uma promessa dos governos dos EUA e do Reino Unido de ajudar o governo australiano na aquisição de submarinos com propulsão nuclear.

O movimento pode influenciar significativamente o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico e elevar a potência da capacidade naval da Austrália, tornando-a uma das seis nações a operar submarinos movidos a energia nuclear, apesar de ser uma potência não nuclear.

O pacto também verá uma maior colaboração em campos como inteligência artificial, tecnologias quânticas, cibernética e capacidades submarinas.

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