Médico australiano adverte contra obrigatoriedade da vacina à crianças pequenas

'O risco de miocardite é suficiente para que os pais tenham direito de esperar por mais dados ou recusar a vacinação'

Por Steve Milne

Ex-vice-diretor médico, Nick Coatsworth, requisitou aos governos estaduais australianos isentar menores de 12 anos da vacinação obrigatória, afirmando que a decisão de vaciná-los deve caber aos pais das crianças, informou o News.com.

Isso ocorre enquanto a Therapeutic Goods Administration (TGA) considera a concessão de aprovação provisória à vacina Spikevax (Moderna) a menores de 12 anos.

Atualmente, o site da TGA afirma que a vacina Spikevax está provisoriamente aprovada para o uso em crianças com 12 anos ou mais, e a Moderna agora solicitou a alteração dessa aprovação provisória para permitir o uso de sua vacina em crianças mais novas.

A TGA está, portanto, avaliando o uso potencial da Spikevax em crianças de 6 a 11 anos.

Embora Coatsworth tenha, de modo geral, promovido ativamente a vacinação, ele enfatizou a cautela quando se trata de vacinar crianças mais novas.

Ele relatou ao News.com, na segunda-feira, que o risco de crianças pequenas sofrerem casos graves por infecção à COVID-19 era mínimo, destacando que esse baixo risco da doença deve ser pesado em relação ao risco de eventos adversos da vacina.

“Embora eu incentive os pais a vacinarem seus filhos de 12 a 15 anos, o risco de miocardite, especialmente em meninos, é suficiente para que os pais tenham todo o direito de esperar por mais dados ou recusar a vacinação”, declarou.

“Ao fazer isso, a criança não deve ser submetida a tratamento diferenciado pela saúde pública, o que é efetivamente ‘obrigatório’ pela regulamentação.”

A miocardite é a inflamação do coração e, de acordo com a TGA, pode ocorrer, raramente, após a vacinação, com as vacinas de mRNA Comirnaty (Pfizer) e Spikevax (Moderna). Os casos geralmente ocorrem dez dias após a vacinação e geralmente desaparecem após algumas semanas de tratamento e repouso.

A TGA afirma que, na Austrália, a condição é relatada em cerca de 1 em cada 100.000 pessoas, após receberem a vacina Comirnaty e ocorre mais comumente em homens jovens e adolescentes após a segunda dose.

De acordo com o Banco de Dados de Notificações de Eventos Adversos da TGA, em 9 de novembro, 672 casos de miocardite associada às vacinas contra a COVID-19 foram relatados na Austrália, com três mortes.

No momento, a Moderna, em 9 de novembro, informou que ainda está em fase de teste do estudo da vacina pediátrica contra a COVID-19, “KidCOVE”, para crianças de 6 meses a 12 anos. Mas que o ensaio teve uma eficácia de 100 por cento usando a definição de caso primário para a COVID-19 duas semanas após a primeira dose de mRNA-1273, com doses de 50 µg.

Para a infecção assintomática duas semanas após a primeira dose, a eficácia da vacina foi de 65 por cento, para a infecção por SARS-CoV-2, independentemente dos sintomas, a eficácia da vacina foi de 80 por cento duas semanas após a primeira dose.

Mas, Coatsworth também enfatizou que os pais devem possuir uma opção, basear sua decisão no conselho médico e não estarem sujeitos aos decretos de vacinação para seus filhos.

Ele também criticou o governo de Victoria, por exigir que crianças e adolescentes sejam vacinadas para terem acesso a certas instalações, informou o News.com.

“Em Victoria, em particular, o diretor de saúde está violando o princípio ético fundamental da autonomia no tratamento diferenciado para crianças de 12 a 15 anos não vacinadas”, afirmou.

Ele acrescentou que não há necessidade dessa política porque os grupos de idade vulneráveis ​​têm excedido o marco de 90 por cento da aplicação da segunda dose da vacina.

O Herald Sun informou, na terça-feira, que o governo estadual de Victoria ainda está considerando a exigência para crianças de 5 a 11 anos se a TGA aprovar a vacina Moderna para essa faixa etária. Isso significa que eles seriam impedidos de ingressar nos setores de hospitalidade, varejo e de participar de eventos importantes se não fossem vacinados.

O ministro da Saúde de Victoria, Martin Foley, afirmou que o conselho da TGA e do painel nacional de especialistas em imunização, ainda está pendente sobre se a vacina é segura e eficaz para crianças mais novas.

Em resposta a uma pergunta sobre se Victoria tornaria a vacina obrigatória para crianças de 5 a 11 anos, Foley declarou: “Sempre consultaremos especialistas em saúde infantil e consideraremos o melhor interesse de nossas crianças antes de tomarmos quaisquer decisões”.

“Estamos confiantes de que veremos uma forte aceitação entre aqueles de 5 a 11 anos, quando o Estado democrático afirmar que é seguro fazê-lo”, acrescentou.

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