Manifestantes protestam nas lojas da Apple: Melhorem as condições de trabalho na China

Uma manifestante vestida como um iPhone protesta fora da loja da Apple no ‘Grand Central Terminal’ em Nova York (Hannah Cai/Epoch Times)
Uma manifestante vestida como um iPhone protesta fora da loja da Apple no ‘Grand Central Terminal’ em Nova York (Hannah Cai/Epoch Time)

Manifestantes que protestaram diante da loja da Apple no ‘Grand Central’ em Nova York na quinta-feira podem até amar o iPhone, mas têm criticado a forma como ele está sendo fabricado. Liderados por um website chamado Change.org, um grupo de manifestantes coletou 250 mil assinaturas para pedir a Apple que melhores as condições de trabalho de seus funcionários em fábricas na China.

“Estamos pedindo a Apple que faça um iPhone mais ético. Não há qualquer alternativa ética neste momento”, disse Shelby Knox, de 25 anos, diretora da organização Change.org. “É por isso que pedimos a Apple que faça isso, porque eles são líderes e nós realmente os admiramos em muitas outras áreas.”

Mark Shields iniciou a manifestação em Washington em 25 de janeiro no website Change.org, onde qualquer pessoa pode requerer mudanças sociais, e sua iniciativa tem provocado sensibilização. Em duas semanas, ele recebeu mais de 200 mil assinaturas, com um adicional de 50 mil assinaturas recolhidas por uma manifestação separada no website SumOfUs.org.

Shields disse na manifestação que a Apple “deveria pensar diferente”. “Eu quero continuar a usar e amar os produtos, porque eles estão mudando o mundo e já mudaram minha vida. Mas também quero saber que quando compro produtos da Apple, não é à custa de terrível sofrimento humano”, disse Shields no website.

Stephen Groth, de 59 anos, assinou o documento e foi à loja da Apple para protestar. Ele tem um iPhone e um iPad, mas está considerando mudar. “Eu não quero usar um produto que é feito por pessoas que estão sofrendo e sendo abusadas”, disse ele. “Eles devem ser tratados dignamente, devem ter salários decentes. Eles estão fazendo um produto que é estimado e apreciado por milhões de pessoas.”

Mike Daisey, que criou um monólogo para a sensibilização das condições nas fábricas chinesas, ouviu sobre o protesto na quinta-feira e compareceu para mostrar seu apoio.

Daisey, que disse estar acostumado a lidar com tecnologias de ponta, começou a investigar de onde seus dispositivos vieram.

Ele passou um tempo na China, de maio a junho de 2010, para observar as condições de trabalho na Foxconn e outras fábricas de abastecimentos eletrônicos, conversando com trabalhadores e fornecedores da fábrica.

Daisey disse que os funcionários lhe mostraram as deformidades que adquiriram por realizarem trabalhos repetitivos, relataram-lhe sobre as substâncias químicas tóxicas que utilizam para limpar as telas de um iPhone e testemunharam as longas horas que passam sem poder ir ao banheiro ou que ficam em silêncio, pois ninguém pode falar na linha de produção.

Os suicídios foram uma ocorrência frequente no período que Daisey passou na Foxconn. “Os funcionários se sentem tão pressionados e aprisionados em suas vidas, que a única saída que encontram é se jogar de cima dos edifícios nas vias públicas”, disse ele. “Isso seria absurdo se ocorresse nos EUA.”

A Foxconn instalou redes em torno da fábrica como prevenir que suicidas se joguem. “Eu não acho que seja ético fazer negócio com um país fascista governado por bandidos. Isso não está certo”, disse ele.

Fan Yuan, que faz parte de um grupo de observadores das condições de trabalho na China chamado ‘China Labor Watch’, disse que a organização tenta infiltrar pessoal para trabalhar nas fábricas e documentar as condições.

“A Foxconn trata seus trabalhadores como máquinas e não como seres humanos. Sem permissão para ir ao banheiro, os funcionários ficam de pé o dia todo enquanto trabalham”, disse ela. O grupo informou que 30 a 80% da força de trabalho deixa a fábrica a cada ano.

Algumas fábricas do grupo forçam seus funcionários a trabalharem sete dias por semana.

“Para ser honesto, as condições de trabalho na Foxconn estão entre as melhores. Embora seja miserável e necessite de uma série de melhorias, há fábricas ainda piores”, disse Fan Yuan. “Mas isso não é uma desculpa para a Apple não agir. Se a Apple puder poupar 10% do seu lucro […] então, é claro que as condições de trabalho poderão ser melhoradas. Assim, só depende da Apple querer fazer isso.”

Amy Bessette, que trabalha no RH da Apple, disse num e-mail que a empresa se preocupa com todos os trabalhadores da cadeia de abastecimento.

“Insistimos para que nossos fornecedores garantam condições seguras de trabalho, tratem os trabalhadores com dignidade e respeito e utilizem processos de fabricação ambientalmente responsáveis sempre que os produtos da Apple são feitos. Nossos fornecedores devem estar de acordo com estes requisitos se quiserem continuar negociando com a Apple”, disse Bessette.

A Apple realizou 229 auditorias nas instalações de seus fornecedores ao redor do mundo em 2011, disse Bessete. No mês passado, a empresa aderiu à ‘Fair Labor Association’, uma organização sem fins lucrativos dedicada a melhorar as condições de trabalho em todo o mundo.

Fan Yuan disse que as auditorias possuem muitas falhas. “O que sabemos sobre a auditoria é que essas empresas são contratadas pela Apple. Então, elas escrevem as coisas que a Apple quer ver. […] Eles deturpam os fatos.”

Daisey foi um pouco mais além, “Todos na Foxconn deixaram claro que não importa quais são as normas, porque a Foxconn sempre sabe quando os inspetores visitarão.”

Quando perguntado se era justo destacar somente a Apple nesse aspecto, Daisey respondeu, “Ser justo não tem nada a ver com isso; esse é papel do Estado de direito.”

As leis trabalhistas locais são claramente violadas repetida e sistematicamente por anos. Então, essa ideia de que de alguma forma eles estariam sendo injustamente escolhidos como empresa alvo – a pobre coitada que possui a incrível quantia de 100 bilhões de dólares no banco. […] Isso é realmente ridículo”, disse Daisey.

“Estou apenas pedindo que eles realmente obedeçam às leis locais sob as quais operam.”

 
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