Manifestantes e liderança de Hong Kong se aproximam de um diálogo

Os adolescentes e jovens adultos que se tornaram os líderes de facto dos protestos descentralizados em Hong Kong concluíram uma segunda “discussão preliminar” com representantes do governo nesta segunda-feira, um prelúdio para discussões reais devem começar ainda esta semana.

Os estudantes prometeram não recuar na ocupação de áreas-chave de Hong Kong e muitos milhares de pessoas ainda estavam espalhadas pelas ruas ao redor do distrito do Almirantado, onde o escritório do chefe-executivo, o Conselho Legislativo e a administração governamental estão localizados. Embora a participação tenha sido ofuscada pelo comício de sábado de dezenas de milhares, ainda havia uma presença animada e significativa à tarde e noite adentro.

Na parte da tarde do dia 6, Lester Shum, o vice-secretário da Federação dos Estudantes de Hong Kong, com sua camiseta preta e cabeleira desgrenhada, disse que os representantes dos estudantes haviam concordado em três itens (“reuniões regulares, respeito mútuo e a promessa de implementarem pontos de consenso”) com seus colegas do governo, e que saudavam os progressos, esperando que discussões formais comecem na sexta-feira ou antes.

Joshua Wong, o jovem carismático de 17 anos que estabeleceu o grupo Escolarismo, outra rede de estudantes, apareceu mais tarde no Almirantado e reiterou os princípios básicos do movimento.

Lau Kong-wah, subsecretário de Assuntos Constitucionais e da China Continental, até agora o representante do governo nas negociações iniciais, disse quase a mesma coisa que os estudantes. Quando os diálogos ocorrerem, eles estarão abertos ao público.

Mesmo assim, não está claro que poder real os políticos e burocratas locais de Hong Kong tem para criar processos eleitorais mais democráticos, porque em última análise o poder decisório final está nas mãos do governo central do Partido Comunista em Pequim.

A semana que vem será o maior teste de perseverança do sentimento público pelos manifestantes até o momento. O ataque de 28 de setembro da polícia com spray de pimenta e gás lacrimogêneo sobre os estudantes levou a uma onda de simpatia pelo movimento. Problemas para a vida diária na semana passada foram minimizados pelo fato de que quarta e quinta-feira foram feriados.

Na segunda, terça e sexta-feira da semana passada, os pais tiveram de fazer arranjos para os filhos cujas escolas foram fechadas nas áreas da ilha de Hong Kong que foram mais afetadas. Universidades retomaram na segunda-feira e a escola primária deve retomar na terça-feira de manhã nas áreas Central, Wan Chai e Leste – zonas principais do espaço urbano.

Tendo em conta que os estudantes estão ocupando algumas das arteriais principais de entrada e saída de Hong Kong, incluindo Harcourt Road e Cotton Tree Drive, a paciência do público depois de dias de perturbação do tráfego pode ser afetada. Já em Mong Kok, o popular distrito de compras do outro lado de Hong Kong, passageiros que tiveram de ficar em longas filas para embarcar nos micro-ônibus locais estavam visivelmente frustrados com os ocupantes.

Por enquanto, porém, o governo está indicando que é pouco provável que tente usar a força para remover os estudantes. “O governo está feliz em dialogar com a Federação dos Estudantes”, disse a manchete do website oficial do governo de Hong Kong na segunda-feira.

O diretor-administrativo Kitty Choi disse numa conferência de imprensa, segundo o Diário da Manhã do Sul da China: “Gostaríamos de retomar o funcionamento [da sede do governo] o mais rápido possível” e “Acho que o diálogo ainda é a melhor maneira [de conseguir isso].”

 
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