Mais países deveriam cortar laços diplomáticos com Coreia do Norte, diz desertor

Os Estados Unidos precisam assumir uma linha mais firme com seus aliados em seu esforço diplomático para isolar a Coreia do Norte, disse um desertor do alto escalão norte-coreano aos legisladores estadunidenses esta semana.

“Ironicamente, até agora, apenas alguns países do mundo expulsaram embaixadores da Coreia do Norte como um protesto pela atual continuação de seu programa nuclear”, disse Thae Yong-ho, ex-vice-chefe da embaixada da Coreia do Norte em Londres.

Thae fez o comentário no Comitê dos Assuntos Estrangeiros da Câmara dos EUA na quarta-feira, enquanto exortou o congresso a considerar o uso mais amplo de sanções secundárias contra empresas chinesas e russas e uma campanha mais ampla de poder brando para isolar a Coreia do Norte da comunidade internacional.

Para a Coreia do Norte, a perda de relações diplomáticas contrariaria os esforços constantes que o regime faz para promover sua legitimidade internacional aos olhos de seus cidadãos.

As mídias estatais da Coreia do Norte fazem manchete de praticamente qualquer incidente que aponte para países estrangeiros que aceitam o regime da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) ou sua ideologia governante.

Nos últimos dias, a Agência Central de Notícias da Coreia produziu histórias sobre locais onde estrangeiros estavam lendo sobre a ideologia norte-coreana na Espanha e na Eslovênia, sobre páginas da web estrangeiras pertencentes a grupos comunistas na Rússia e Venezuela que publicaram artigos sobre o aniversário do Partido dos Trabalhadores da Coreia e outros eventos igualmente triviais.

Embora a divulgação desses incidentes pareça desesperadamente autopromocional em países normais, para a isolada Coreia do Norte esses são alguns dos poucos exemplos de estrangeiros que aceitam ou apoiam o regime.

Thae acredita que todas as possíveis vias diplomáticas devem ser esgotadas no esforço para impedir um confronto militar.

Ele urgiu aos Estados Unidos que pedissem mais dos seus aliados nesse esforço.

“A Coreia do Norte realizou seis testes nucleares, mas, à exceção da Espanha, nenhum país europeu até agora cortou ou rebaixou suas relações diplomáticas com a Coreia do Norte”, afirmou Thae.

Em 1989, os governos do Mercado Comum Europeu, o antecessor da União Europeia, retiraram seus principais diplomatas do Irã para protestar contra a fatwa do aiatolá Ruhollah Khomeini ordenando que muçulmanos matassem o romancista Salman Rushdie.

A Grã-Bretanha removeu todo o seu pessoal da embaixada.

Thae sugeriu que as provocações nucleares da Coreia do Norte deveriam ter provocado uma reação similar.

“Mas, até agora, não vimos esse tipo de resposta concertada ou unificada dos países da Europa Ocidental com os quais compartilhamos ideias e valores comuns”, afirmou ele.

Ele também disse que os Estados Unidos devem pressionar seus aliados no Oriente Médio para expulsarem os trabalhadores norte-coreanos, uma fonte crucial de receita para o regime dos Kim.

“Dezenas de milhares de trabalhadores da Coreia do Norte estão trabalhando em países aliados dos EUA no Oriente Médio, como o Kuwait e os Emirados Árabes, mas esses países árabes ainda permitem que os trabalhadores norte-coreanos trabalhem em seus países.”

“Aliados dos EUA como a Polônia ainda permitem que trabalhadores norte-coreanos trabalhem em seus estaleiros.”

“Então, muitas medidas podem ser tomadas com a cooperação dos aliados dos EUA”, disse ele.

 
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