Maduro tem cerca de 200 cubanos como guarda pessoal, diz ex-oficial de inteligência da Venezuela (Vídeo)

Elliot Abrams, representante dos Estados Unidos para a Venezuela, disse estar convencido de que a mudança no país latino americano ocorrerá nos próximos meses: "Não há ditadura que dure para sempre"

Por Pachi Valencia

O ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional da Venezuela (Sebin) revelou que há cerca de 200 soldados cubanos protegendo Maduro e que o regime venezuelano está totalmente isolado e depende cada vez mais de Cuba.

Manuel Ricardo Cristopher Figuera, de 55 anos, disse que Maduro está cercado por cerca de 200 altos funcionários cubanos que “o mantêm no poder” e fazem parte de sua guarda pessoal, que é controlada diretamente por Raúl Castro, com quem mantém contato direto, informou a mídia espanhola ABC durante uma entrevista com Figuera em 13 de julho de 2019.

Cristopher, que esteve no comando do Sebin desde outubro de 2018, acrescentou que “1.500 cubanos foram enviados à Venezuela para trabalhos que vão desde assistência técnica até espionagem”.

O ex-militar foi o primeiro a comandar a Direção Geral de Contra-Inteligência Militar (DGCIM) para depois assumir o cargo no Sebin, onde disse ter testemunhado as maiores violações dos direitos humanos e concluiu que se tratava de um “centro de extorsão e sequestro”, de onde se aposentou após 6 meses.

Durante seu tempo no cargo, ele disse que instruiu Maduro sobre “possíveis soluções democráticas e legais para resolver a crise existente na Venezuela” através de um documento contendo as ações sugeridas.

Segundo Figuera, as recomendações do documento incluíam que a Assembleia Nacional Constituinte cessasse suas funções por não atender às expectativas, nomeasse um novo Conselho Nacional Eleitoral, propusesse eleições gerais e exigisse que a comunidade internacional retirasse as sanções impostas à Venezuela. Mas o ex-militar disse que Maduro o chamou de “derrotista e covarde” e que a partir daquele momento “perdeu a confiança nele”.

Figuera está exilado nos Estados Unidos desde abril, quando foi demitido de seu cargo devido à “Operação Liberdade” convocada pelo presidente Juan Guaidó no dia 30.

Sobre os diálogos entre os representantes de Guaidó e Maduro, o ex-militar acredita que tentar encontrar uma solução pacífica com a ditadura não funcionará, já que “Maduro quer permanecer no poder”.

Da mesma forma, Figuera descreveu como “sincero” o relatório da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, mas enfatizou que ela não revela exatamente a extensão das torturas e das violações dos direitos humanos. “A situação é mais sombria do que se mostra no relatório”, acrescentou.

Ditador venezuelano Nicolás Maduro aperta a mão da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas, em 21 de junho de 2019 (YURI CORTEZ / AFP / Getty Images)
Ditador venezuelano Nicolás Maduro aperta a mão da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas, em 21 de junho de 2019 (YURI CORTEZ / AFP / Getty Images)

“Não conheço nenhum país do mundo, muito menos neste continente, no qual Cuba tenha interferido para restaurar a democracia. Isso nunca aconteceu e nunca acontecerá”, disse o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, em 12 de julho, em uma conferência em Washington na qual pediu à comunidade internacional que pressione Cuba para eliminar sua interferência na Venezuela.

Da mesma forma, Elliot Abrams, representante dos Estados Unidos para a Venezuela, disse estar convencido de que a mudança no país latino americano ocorrerá nos próximos meses: “Não há ditadura que dure para sempre”, disse Abrams. “Cada dia que dura a ditadura de Maduro é mais um dia de repressão, tortura e sofrimento.”

 
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