Maduro diz que estabilidade econômica vai demorar a chegar à Venezuela e manda FMI “para o inferno”

Maduro disse que não está preocupado porque a Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo

Por Agência Reuters

O presidente Nicolás Maduro advertiu no sábado (12) que a estabilidade econômica não chegará da noite para o dia na Venezuela e rejeitou fortemente a presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) no país sul-americano.

Maduro está em campanha para reeleição no pleito que ocorrerá no sábado (20), depois que nações estrangeiras disseram que não irão reconhecer os resultados, porque consideram as eleições injustas ao não permitirem a participação dos opositores, atualmente presos ou legalmente impedidos de se candidatar.

Em 4 de junho começarão a circular novas cédulas monetárias depois de uma ordem de Maduro, dada em meados de março, para eliminar três zeros da moeda local, o bolívar.

Sobre essa conversão monetária, “tenho uma grande fé de que ela fará parte de um conjunto de medidas que trarão estabilidade e paz econômica, mas isso não vai acontecer da noite para o dia, quero deixar isso claro para o povo”, disse Maduro em um pronunciamento transmitido pela televisão nacional do estado de Aragua.

É a primeira vez em meses que o ditador comunista admite que qualquer processo de recuperação da economia venezuelana levará tempo.

“Tudo o que estamos fazendo e vamos fazer depois de 20 de maio, irá se somar a uma situação para alcançar o crescimento, a estabilidade, a prosperidade e a paz econômica”, acrescentou o líder, sem dar detalhes sobre como irá corrigir os desequilíbrios nas contas do país.

Ele acrescentou que não se interessa pelas previsões e avisos do Fundo Monetário Internacional sobre a economia da Venezuela, que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo.

“Nós não estamos preocupados, a Venezuela é independente do Fundo Internacional, e eles podem ir para o inferno, não os queremos na Venezuela, não nos importamos com o Fundo Monetário, eles são os assassinos do mundo”, acrescentou.

Maduro disse que espera que as nações europeias “reconsiderem” sua recusa em reconhecer os resultados eleitorais na Venezuela, imersa em hiperinflação, escassez de produtos básicos e medicamentos, bem como apresentando serviços deficientes e recessão profunda.

O principal rival de Maduro, o ex-governador Henri Falcón, anunciou, por sua vez, no estado petroleiro de Zulia no oeste venezuelano, que seu vice-presidente será o social-democrata e ex-candidato presidencial Claudio Fermín.

Na Venezuela, o vice-presidente não é eleito pelo voto popular da mesma forma que chefe de Estado, mas nomeado pelo presidente.

 
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