Luz artificial azul interrompe ciclo circadiano e pode causar depressão, diz cientista

Ela altera o preciso ciclo fisiológico de 24 horas e atua também nas zonas do cérebro que influenciam o humor
Luz azul artificial
Lâmpada de lava azul e branca (SchneiderMac/Wikimedia Commons)

Fontes modernas de luz artificial contendo comprimentos de onda azul podem ser particularmente prejudiciais para os seres humanos, para seu humor e pode causar depressão.

A luz azul altera o ciclo circadiano, que repete certos processos fisiológicos no corpo humano a cada 24 horas, diz o estudo, publicado em 8 de agosto pela pesquisadora Tracy Bedrosian, graduada em Neurociência pela Universidade de Ohio.

“Nossos resultados demonstram que a exposição à luz artificial durante a noite influencia o comportamento e a plasticidade neuronal e que este efeito é provavelmente mediado por células ganglionares fotossensíveis da retina (ipRGC)”, disse o relatório publicado na Revista de Neurociência.

Nos mamíferos, a luz também é detectada por bastonetes e cones, que mediam a função visual, no entanto, são as células ipRGC que atuam como mediadoras deste efeito.

Estas células ganglionares da retina ipRGC se estendem principalmente para o núcleo supraquiasmático (SCN) no hipotálamo e, assim, regulam o ritmo circadiano.

“A vida na Terra é controlada por um ciclo solar de 24 horas que sincroniza os ritmos circadianos com a fisiologia e o comportamento”, diz o estudo, que também inclui os pesquisadores Celynn A. Vaughn, Anabel Galan Ghassan, Daye Zachary e Randy J. Nelson, todos da mesma equipe de Neurociência.

Evidências recentes demonstram que, além de atuar no ritmo circadiano, “as células ganglionares da retina ipRGCs também se estendem às regiões límbicas do cérebro, o que sugere que, através deste caminho, a luz pode ter um papel na cognição e no humor”, diz o estudo.

“Assim, parece que a exposição à luz artificial pode ter consequências negativas para o humor e o comportamento”, conclui.

Bedrosian observou que, atualmente, há uma “exposição excessiva à luz durante a noite e, em especial, às luzes de comprimento de onda azul”.

O novo estudo fornece evidências para uma hipótese anterior, a qual indica que a exposição à luz noturna induz respostas depressivas e altera a estrutura neuronal em hamsters (Phodopus Phodopus).

Nos estudos atuais observou-se que a luz vermelha não induz os efeitos da luz azul e dos comprimentos de onda mais curtos.

Perturbação do ritmo circadiano, chave para o tratamento das doenças neuropsiquiátricas 

A alteração do humor e a depressão estão entre as doenças que mais aumentam na era moderna. O ciclo circadiano humano, se alterado, também altera o metabolismo e as fases do sono. “A dessincronização interna dos ciclos circadianos é um componente chave no tratamento das doenças neuropsiquiátricas”, disse Bedrosian.

Tracy Bedrosian (The Ohio University)
Tracy Bedrosian (The Ohio State University)

“Estou interessada em compreender o papel da interrupção circadiana no humor. Atualmente estou estudando as perturbações circadianas, tanto ambientais como inatas”, destaca a pesquisadora em um comunicado.

“Em primeiro lugar, a poluição luminosa noturna tornou-se onipresente no século passado e tem sido associada a um maior risco de câncer e outras doenças”, diz a pesquisadora.

“Estou investigando como a luz durante a noite pode afetar os circuitos neurais subjacentes ao efeito depressivo.”

Bedrosian também observou que o sistema circadiano sofre alterações durante o envelhecimento, o que também tem implicações para o humor, o qual pode gerar ansiedade e comportamentos agressivos.

Outros estudos focam a falta de sono e os efeitos do fotoperíodo sobre o comportamento e o humor relacionados com a agressividade.

No novo estudo, os cientistas prestam atenção à necessidade de conter o aumento da luz noturna e, especialmente, aquelas que foram classificadas como mais prejudiciais – as luzes azuis.

 
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