Lutador olímpico Ismael Borrero abandona delegação cubana no México

"O êxodo dos cubanos transcende qualquer categoria ou ramo da sociedade"

Por Alicia Marquez 

O campeão olímpico de luta greco-romana, Ismael Borrero Molina, abandonou a delegação cubana em Acapulco, no México, antes do Campeonato Pan-Americano de 2022, informou o Instituto Nacional do Esporte do regime cubano (INDER), na terça-feira.

Borrero é um atleta cubano de 30 anos de Santiago de Cuba que compete na categoria 67 kg da luta greco-romana. O cubano foi bicampeão mundial em Las Vegas 2015 e no Cazaquistão 2019.

A instituição esportiva destacou que sua chegada à competição no México “foi marcada pelo abandono” de Borrero, descrevendo sua saída como “uma grave indisciplina” ao sistema esportivo do regime, segundo o JIT Deporte Cubano, meio dependente do INDER.

Agora, a delegação cubana disputará o Pan-Americano em Acapulco com 17 lutadores, incluindo seis mulheres. Os membros cubanos do estilo greco-romano, Leonardo Herrera Hechevarría (60 kg), Juan Luis Conde Ibáñez (97 kg) e Oscar Pino Hinds (130 kg), estreiam na quinta-feira.

A competição contará com pelo menos 100 atletas de 6 países diferentes, que também é um evento classificatório para a Copa do Mundo de Belgrado 2022 e os Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023, no Chile.

A saída de Borrero se junta à longa e contínua lista de atletas cubanos de diferentes esportes e categorias que decidem desertar de suas delegações, em meio à forte crise econômica na ilha agravada pela COVID-19 e à forte repressão da ditadura contra seus opositores e críticos.

O jornalista esportivo cubano e escritor da MLB, Francys Romero, tuitou nesta quarta-feira que “o êxodo dos cubanos transcende qualquer categoria ou ramo da sociedade”.

Somente em março, os boxeadores Herich Ruiz, 86 kg, medalhista mundial de bronze, e Kevin Brown, 67 kg, ex-campeão mundial juvenil cubano na Armênia 2012, deixaram a delegação antes de sua participação nas semifinais do Campeonato Continental de Boxe, realizado em Guayaquil, no Equador.

No início do mesmo mês, o saltador em distância, Lester Lescay Gay, campeão nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018 na Argentina, deixou a delegação de atletismo da ilha durante uma turnê pela Europa.

Em fevereiro, a Comissão Nacional de Canoagem (CNC) anunciou que o cubano Fernando Dayán Jorge, medalhista de ouro olímpico em canoagem em Tóquio 2020, deixou a delegação com a qual iria treinar no México.

A ditadura cubana admitiu em janeiro que o número de êxodos de atletas é significativo. Nos últimos dez anos registaram-se mais de 860 deserções de atletas nacionais de diferentes disciplinas, e de 2012 a janeiro o êxodo envolve também 2.344 treinadores, incluindo 85 que trabalhavam ao mais alto nível, segundo o jornal estatal “Trabajadores”.

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