Lucia Aliberti, diva da ópera fala sobre beleza e tradição no canto

Do Teatro antico di Taormina na Sicília, onde o antigo espírito da música ressoa em acústica natural, até o Carnegie Hall, onde os maiores músicos de nosso tempo tocaram, a primeira soprano do mundo Lucia Aliberti embarca em uma nova jornada. Esta jornada leva sua estética de puro belo canto italiano ao coração de uma surpreendente renascença da música clássica que agora emerge em Nova York, uma renascença da antiga cultura chinesa.

Intitulada a “Rainha do belo canto”, Lucia Aliberti partilhou o palco com os vencedores da Competição Vocal Internacional de Intérpretes Chineses da New Tang Dinasty TV (NTDTV), que aconteceu no auditório Isaac Stern no Carnegie Hall em Nova York, em 2011.

Ovacionada de pé com estrondosos aplausos e flores, a diva italiana foi calorosamente aclamada pelo seu espetacular desempenho e, também, pelo seu apoio aos intérpretes chineses do belo canto no palco.

Lucia Aliberti com o cantor americano Michael Bolton (Cortesia/Lucia Aliberti)
Lucia Aliberti com o cantor americano Michael Bolton (Cortesia/Lucia Aliberti)

“Maravilhoso!” disse o Dr. Eduard Schmieder, um reconhecido professor da Universidade Temple, que viajou durante duas horas de trem da Filadélfia para estar presente no espetáculo.

“É a primeira vez que ouço o verdadeiro belo canto italiano e adorei!”, diz Alice Wong, uma senhora chinesa que assistiu ao espetáculo em Nova York.

“É a primeira vez para mim também”, disse a Sra. Aliberti. Colaborar com a NTDTV para promover a arte do canto clássico é uma nova aventura para ela. Ela pretendia apoiar cantores do belo canto oriundos de todo o mundo, especialmente da China, “porque eu nunca estive na China”, explica ela.

A NTDTV, sediada em Nova York, cujo nome homenageia a mais gloriosa dinastia dos 5 mil anos de civilização chinesa, a Dinastia Tang (618-906), concretizou o sonho da Sra. Aliberti de visitar a China através do palco, apesar de estarem em Nova York.

Durante sua estadia em Nova York, a Sra. Aliberti assistiu a um espetáculo de música e dança clássica chinesa da Shen Yun Performing Arts no Teatro Estadual de Nova Jersey.

Aliberti aclamou o primeiro encontro com a cultura clássica chinesa. “Fiquei surpreendida pela beleza da melodia chinesa, ritmo, coreografia; o perfeccionismo.”

“Grande energia vinda do palco vai para o público.” A Sra. Aliberti ficou surpresa. De fato, o efeito foi tão forte que ela teve uma reação física: “Estou tremendo. Gostei muitíssimo. O criador é um gênio!”

A viajada prima dona italiana já cantou para muitos chefes de Estado e celebridades, incluindo o Papa João Paulo II, o Príncipe Charles da Inglaterra, o Presidente da Alemanha Horst Köhler, o Príncipe Hiro do Japão e o Príncipe Alberto de Mônaco.

Aliberti disse que ficou muito interessada na missão declarada pela Competição Vocal Internacional Chinesa da NTDTV: promover autenticidade pura, bondade pura e beleza pura nas artes vocais tradicionais. A competição destina-se apenas ao belo canto.

“Não poderia haver pessoa melhor para esta missão que Lucia Aliberti”, afirmou Stefan Schmerbeck, de Munique, por telefone ao Epoch Times. Schmerbeck, um agente de artistas de ópera de renome mundial, conhece e trabalha com a Sra. Lucia Aliberti por mais de 20 anos.

“Ela encarna o belo canto italiano”, afirma Schmerbeck. A Sra. Aliberti transporta a mais autêntica herança do belo canto italiano, passada diretamente dos maiores mestres italianos da ópera do séc. XIX.

Tradição e Beleza

“Luigi Ricci foi meu professor”, disse a Sra. Aliberti, numa entrevista no hotel onde ficou, perto do Carnegie Hall, antes de sua atuação nele. Ela foi a última protegida de Ricci, e ele, que morreu em 1981, foi a última pessoa na Itália com elo mais próximo dos grandes nomes da ópera italiana, tais como Bellini, Rossini, Donizetti e Verdi.

Professor de voz, músico acompanhante e amigo próximo do tenor italiano Beniamino Gigli (1890-1957), Ricci trabalhou de perto com Puccini (1858-1924) durante oito anos e com Mascagni (1863-1945) por trinta e quatro anos em Roma. Ele acompanhou lições de voz dadas por Antonio Cotogni (1831-1918), um barítono italiano reconhecido internacionalmente como sendo um dois maiores cantores de ópera do séc. XIX.

De acordo com Schmerbeck, a menina de Messina foi à Roma muitas vezes bater à porta de Ricci pedindo que a aceitasse como estudante. “Estou velho demais para aceitar estudantes”, lamentou-se o mestre. Ele tinha 84 anos na época. No entanto, tocado pelo seu talento e paixão, Rucci finalmente cedeu; ele transmitiu a tradição do belo canto até sua morte aos 88 anos.

“Está no meu sangue, na minha pele”, disse Aliberti, tocando a minha face com seus dedos finos. “O belo canto significa o cantar belo. ‘Belo’ significa bonito, elegante, como ser tocado por uma flor ou veludo.”

Ela explica que a beleza está tanto no interior como no exterior. “O exterior é a voz, a técnica”, e depois, apontando para seu coração e sua cabeça, disse, “Isto é o interior. Quando há ligação entre o interior e o exterior, é o melhor.” Não só o melhor, “É ‘profundo’, e não é superficial”.

Quando perguntada sobre o que lhe inspira beleza, a rainha do belo canto disse que é uma pessoa profunda e ama a história. “Fisicamente, eu sinto a beleza do passado.” O período mais alto da ópera no século XIX “é mágico. As melodias são tão simples, mas tão fortes. Toca o coração, você nunca se esquece.”

“Eu gosto de tradições, tudo é limpo e belo.”

Ela acredita que existem tesouros incríveis na história. “Quando construíram o Teatro antico di Taormina, eles não tinham um elevador; eles não precisavam de microfone. Quando se canta lá, a voz simplesmente vai. Acústica maravilhosa. Mágica!”

Os velhos castelos de Roma, o antigo anfiteatro grego, a dança clássica chinesa que ela assistiu da Companhia de Arte Shen Yun, tudo isto lhe dá momentos de beleza e sentimentos agradáveis.

Ela atribui seu talento musical à influência da família. “Todos nascemos assim. Todos os membros da família do lado de meu pai foram músicos. O meu avô foi um grande músico. Ele tocava 10 instrumentos, também conduzia e ensinava. Em minha casa, tenho todos os instrumentos do meu avô. A música está no meu sangue.”

Aliberti começou a tocar piano aos 6 anos. Ela também toca violino, viola, violão, acordeão e bandolim. Ela compõe também e já compôs peças para piano, clarinete, flauta e voz.

Aderindo à doutrina do belo

Aliberti explicou que manter a tradição e cuidar do belo é um desafio:

“Eu tenho de lutar, de proteger as tradições. As coisas belas estão sendo destruídas. Eu tenho de lutar.” “Se Deus lhe deu uma grande tarefa; você tem de lutar”, explica ela.

“Tenho de lutar para manter o meu estilo, o meu caminho.” A diva da ópera italiana disse, “Como mulher, eu gosto de ser feminina. Eu penso que a mulher deve ser feminina, não masculina.” Ela gosta de trajes belos, flores, jardins e da atmosfera.

“Eu sou uma Purista, esta é a minha religião. Significa buscar o puro e imaculado, e nunca fazer concessões; ser pura em tudo, melodia, som.”

“Esta é a ‘dottrina del bello’ ou doutrina do belo. A pessoa tem de se cultivar, se refinar, e seguir as tradições.”

Lutar para manter a ‘dottrina del bello’ no mundo de hoje não é fácil. Como as águas perigosas que separam o Estreito de Messina mencionado na “Odisseia” de Homero, é uma viagem cheia de desafios que testa sua vontade. Contudo, a diva nascida em Messina tem conseguido navegar as águas difíceis, tanto contra as correntes como subcorrentes, com beleza, graciosidade e princípios.

“Quando canto, canto com amor. Dou boa energia às pessoas.” Aliberti disse que usa sua voz para convencer as pessoas sobre o que é bom, sobre o que é belo, com bondade.

“Há algo na sua voz e personalidade que toca as pessoas”, disse Schmerbeck. Um alemão escreveu à Lucia Aliberti do hospital, “Obrigado pelo consolo que encontrei na sua voz e interpretação.” O homem disse que o canto de Aliberti lhe deu força para sobreviver em tempos difíceis.

“Eu recebo muitas, muitas cartas de pessoas ao redor do mundo, Alemanha, França, Rússia, Japão, América, Argentina. Elas dizem que depois de me conhecer, minha voz, minha energia, elas ficam mudadas.”

Seu compositor preferido

Quando se fala de Vincenzo Bellini (1801-1853), o compositor favorito de todos os tempos da Sra. Aliberti, ela sorri. “Eu gosto de Bellini. Ele compôs para vozes.”

“Bellini adaptava-se ao intérprete. Ele seguia a voz.” Ela contou que certa vez Bellini alterou sua obra “Casta Diva” (de “Norma”) para Giuditta Pasta (1797-1865). Depois da soprano italiana (considerada a maior das cantoras de ópera) lhe ter dito “Está muito alto”, Bellini então baixou a tonalidade.

Como cantora, ela presta homenagem ao compositor. Para imergir na intenção original de Bellini e ideias musicais, ela dedica-se ao estudo intenso dos manuscritos de Bellini.

Ela descobriu uma paixão partilhada com o compositor através do estudo de seus manuscritos: “Ele é um perfeccionista, tal como eu.” Ela descobriu que o compositor nunca estava pronto a dar a obra por concluída. “Ele estava sempre fazendo alterações, correções, muitas, muitas vezes, tal como eu. Eu insisto na mudança, até estar perfeito.”

“Sou a favor da qualidade. Sei o que é o melhor.” Mas a qualidade não é uma coisa fácil e não é qualquer pessoa que consegue atingi-la. Requer trabalho duro, treinamento árduo e dedicação à perfeição sem fazer concessões.

Aliberti afirma que a mídia de hoje deveria promover a qualidade, e não tudo o que aparece por aí. Na sua mente, tem de haver um padrão para o que é bom e o que não é, para que pessoas saibam o que devem tentar alcançar. “Nem tudo é bom.”

A Diva da Ópera, Lucia Aliberti (Cortesia/Lucia Aliberti)
A Diva da Ópera, Lucia Aliberti (Cortesia/Lucia Aliberti)
 
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