Localização do chinês preso por relatar a COVID-19 é confirmada

Sem ser ouvido desde o início do ano passado, jornalista cidadão Fang Bin permanece detido em Wuhan aguardando tribunal

Por Nicole Hao

Fang Bin, o primeiro jornalista cidadão chinês a relatar o início da pandemia da COVID-19 na China central, está detido no Centro de Detenção de Jiang’an na cidade de Wuhan, afirmou uma autoridade local, em 24 de novembro.

A autoridade relatou ao Epoch Times que o caso de Fang está nas mãos do Tribunal Distrital de Jiang’an.

Esta é a primeira vez que o mundo exterior sabe do paradeiro de Fang desde sua prisão em 9 de fevereiro de 2020.

Como empresário na cidade de Wuhan, o marco zero da pandemia da COVID-19, Fang testemunhou hospitais lotados e pessoas morrendo infectadas com a doença durante janeiro de 2020. Ele também viu como as autoridades comunistas estavam mentindo sobre a pandemia.

Apesar das preocupações quanto a ser infectado ou ser atacado pelas autoridades por revelar a verdade, Fang realizou vídeos em hospitais de Wuhan e, em 25 de janeiro de 2020 e conseguiu publicá-los no YouTube, onde a censura chinesa não conseguiu chegar.

Os vídeos de Fang rapidamente atraíram a atenção mundial, permitindo que as pessoas entendessem o quão séria a COVID-19 era. Sua bravura também encorajou vários jornalistas cidadãos chineses a se juntarem a ele.

Em resposta a seus esforços, o regime chinês prendeu Fang múltiplas vezes entre 1 ° de fevereiro a 9 de fevereiro de 2020.

Em 9 de fevereiro de 2020, Fang lançou seu último vídeo, no qual incentiva todos os chineses a resistir ao regime comunista.

“Devolva o poder do regime ao povo”, afirma Fang no vídeo.

Desde então, Fang estava desaparecido e os membros da família se recusam a declarar qualquer coisa sobre ele devido ao medo das autoridades.

Três outros jornalistas cidadãos – Chen Qiushi, Li Zehua e Zhang Zhan foram detidos em Wuhan várias vezes no ano passado. Li foi libertado em março de 2020, Zhang conheceu seu advogado em 8 de junho de 2020 e foi condenado a quatro anos de prisão, enquanto Chen foi confirmado vivo e seguro em setembro de 2020.

Desde sua prisão, as autoridades não divulgaram qualquer informação sobre ele.

Uma ativista pró-democracia (C) da HK Alliance segura um cartaz do jornalista cidadão desaparecido. Fang Bin, enquanto ela protesta fora do escritório de ligação chinês em Hong Kong, em 19 de fevereiro de 2020 (Isaac Lawrence / AFP via Getty Images)
Uma ativista pró-democracia (C) da HK Alliance segura um cartaz do jornalista cidadão desaparecido. Fang Bin, enquanto ela protesta fora do escritório de ligação chinês em Hong Kong, em 19 de fevereiro de 2020 (Isaac Lawrence / AFP via Getty Images)

Fang está vivo

Em 24 de novembro, um oficial de confiança de Wuhan declarou ao Epoch Times, por telefone, que Fang estava vivo e que seu caso precisava de mais tempo para passar pelos processos legais.

O nome e a posição do oficial foram omitidos por razões de segurança.

“O caso de Fang está relacionado à pandemia, então é complicado. Nós [Tribunal Distrital de Jiang’an e Procuradoria Distrital (promotor)] precisamos fazer mais pesquisas antes de enviarmos nosso relatório [ao Tribunal Intermediário de Wuhan]. Iremos pedir o adiamento da audiência”, afirmou o oficial.

O advogado chinês de direitos humanos, baseado nos EUA, Wu Shaoping, que dirigiu um escritório de advocacia em Xangai e representou dissidentes e prisioneiros de consciência durante a década de 2010, tem acompanhado a situação de Fang.

“O tribunal e o promotor estão planejando crimes para culpar Fang, então eles podem sentenciá-lo à prisão com base nesses motivos”,  relatou Wu ao Epoch Times em 24 de novembro.

Wu afirma que Fang não infringiu nenhuma lei chinesa.

Um residente de Wuhan, que apoia Fang, declarou ao Epoch Times por telefone, que a família de Fang não poderia contratar um advogado e não recebeu nenhum documento legal do tribunal ou da procuradoria.

“A lei chinesa concede a Fang Bin, um cidadão, o direito de relatar a situação em Wuhan durante a pandemia como jornalista cidadão. Ele é inocente”, declarou o morador que optou por manter o anonimato.

A família de Fang tem muito medo de aceitar a ajuda de alguém devido às ameaças das autoridades, relata o morador. Eles podem perder seus empregos ou dinheiro se perturbarem o regime e revelarem o status de Fang para o exterior. O pior cenário é eles serem detidos e condenados com um crime designado.

O Epoch Times não conseguiu entrar em contato com os membros da família de Fang.

Equipe médica em roupas de proteção para se protegerem de um paciente com o vírus do PCC no Hospital da Cruz Vermelha de Wuhan, em Wuhan, China, em 25 de janeiro de 2020 (Hector Retamal / AFP via Getty Images)
Equipe médica em roupas de proteção para se protegerem de um paciente com o vírus do PCC no Hospital da Cruz Vermelha de Wuhan, em Wuhan, China, em 25 de janeiro de 2020 (Hector Retamal / AFP via Getty Images)

Qin Jin, que possui um Ph.D. em Sociologia pela Universidade de Sydney, exortou a comunidade internacional a se pronunciar em nome de Fang.

“Precisamos do apoio de governos, políticos, Nações Unidas, ONGs e ativistas de países ocidentais. Eles deveriam exortar o regime chinês a libertar Fang”, afirmou Qin ao Epoch Times.

O advogado de direitos humanos Wu elogiou a bravura de Fang por arriscar sua vida para realizar uma reportagem sobre a pandemia.

“Fang Bin nos mostrou como a COVID-19 era séria ainda em seu estágio inicial. O mundo deveria defendê-lo”, afirma Wu.

A COVID-19 é a doença causada pelo vírus do PCC (Partido Comunista Chinês), comumente conhecido como o novo coronavírus.

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