Lançado guia turístico ‘secreto’ de Cuba

Sob o nome de “Guia Turístico Para Visitar Lugares Importantes em Cuba”, o Instituto da Memória Histórica Cubana Contra o Totalitarismo publicou um livreto com fotos que mostram os lugares emblemáticos para a dissidência passada e presente.

Por exemplo, os visitantes podem se aproximar da igreja de Nuestra Señora de la Caridad del Cobre, em Havana, em cujas portas em 10 de setembro de 1961, durante uma procissão, “foi assassinado o jovem católico Arnaldo Covadonga”.

Leia também:
Cuba: perseguição a dissidentes continua nas ruas após libertações
‘Nobel da Paz’ chinês para Fidel Castro é um escárnio com a humanidade
‘Cuba Livre’ é possível caso Obama apoie direito à liberdade política na ilha

Depois, você pode ir para o cais do porto de onde zarpou o “navio espanhol Covadonga com mais de uma centena de sacerdotes expulsos pelo governo revolucionário em 1961”.

Este guia foi publicado simultaneamente à quebra do gelo nas relações entre os EUA e Cuba, e o relaxamento das viagens para a ilha caribenha, uma mudança que se supõe acarretará, segundo os especialistas, um aumento significativo no número de turistas norte-americanos que viajam para a ilha.

O objetivo do guia é, diante do previsível “aumento do fluxo de viajantes”, “sugerir” aos americanos que visitem os lugares que “não serão mostrados a eles pelos guias” oficiais, mas que fazem parte da história contemporânea cubana.

Para Ramon Saul Sánchez, presidente do Diretório Democrático, trata-se de uma iniciativa “formidável, porque uma das questões-chave é que o mundo ignora a realidade de Cuba”, porque o regime de Castro “mantém os olhos dos visitantes longe dos locais e eventos que mostram a verdadeira natureza repressiva” do sistema cubano.

Portanto, ter um guia que possa informar ao visitante sobre “lugares e eventos em que o regime privou os cubanos de seus direitos é uma maneira para que a verdade seja mostrada para o mundo”, disse Saul Sánchez.

Um passeio pela bela Quinta Avenida, uma das principais vias da capital cubana, é outra atividade sugerida pelo guia para que se relembre “as Damas de Branco, mulheres violentamente atacadas por multidões manipuladas pelo regime”.

Outro lugar de particular relevância é o Hospital Psiquiátrico Mazorra, também em Havana, onde se torturavam os dissidentes presos aplicando-lhes o eletrochoque, mesmo que eles não sofressem de “distúrbios mentais”.

Você pode viajar para a cidade de Regla e “ver o barco que foi sequestrado por vários jovens em 2003 com reféns e que tentaram desviar para os Estados Unidos”, mas “eles ficaram sem combustível antes de atingir a costa da Flórida.”

Os três cubanos responsáveis pelo seqüestro do barco foram fuzilados pelas autoridades cubanas pelo crime de terrorismo.

Dentre outros lugares tristemente célebres está a prisão de mulheres dissidentes de Manto Negro, onde “a insanidade do castrismo manifestou-se de forma especial” no município de Guanajay, província de Artemisa.

Um popular local é onde foram implantados mísseis nucleares soviéticos que apontavam para cidades dos EUA, ou a “vala comum” no cemitério de San José de los Ramos, onde repousam os restos mortais não identificados de mais de trinta guerrilheiros.

Las Villas possui muitos sítios históricos, como por exemplo La Ceiba, onde “a ditadura massacrou com uma metralhadora a 19 guerrilheiros que estavam há mais de dois anos presos sem julgamento”.

No leste de Cuba encontra-se a prisão de Boniato, onde se realizaram “experiências biológicas” nas quais os médicos e agentes da Segurança do Estado submetiam os presos políticos à tortura para “saber qual seria o mínimo de calorias necessárias que um ser humano deveria consumir para não morrer de fome”.

A sobrevivência do passado e a resistência da oposição contam com outra visita obrigatória: La Cabaña, em cujos fossos “centenas de cubanos foram fuzilados sem julgamento”.

Uma visita com grande significado histórico para os dissidentes é a que leva ao túmulo de Pedro Luis Boitel, líder estudantil que morreu em 1972, em uma greve de fome dentro da solitária na prisão, reivindicando seus direitos como um prisioneiro político.

 
Matérias Relacionadas