Laços da senadora americana Feinstein com a China vão além da espionagem chinesa

A China usou esse acesso comercial para construir a segunda economia mais forte do mundo e um exército de classe mundial

Análise de Notícias

As revelações da semana passada de que um espião chinês foi servidor na equipe da senadora democrata da Califórnia Dianne Feinstein por quase 20 anos não deveria chocar ninguém.

O agente não identificado, que estava no local há apenas cinco anos, era o motorista de Feinstein. Ele também serviu como um “gofista” em seu escritório na Bay Area e foi um “contato da comunidade asiática-americana”. Ele às vezes atendia à eventos no consulado chinês representando a senadora.

Na época em que o espião foi descoberto pelo FBI, Feinstein era presidente do comitê de inteligência do Senado. Feinstein diz que forçou o agente a se aposentar, mas nenhum outro funcionário foi informado das circunstâncias por trás de sua saída, e nenhuma acusação foi registrada.

Feinstein havia sido advertida há décadas que ela poderia ser alvo da inteligência chinesa.

A senadora emitiu uma declaração em 10 de Março de 1997 informando que o FBI tinha advertido ela e outros cinco  senadores que o governo chinês poderia tentar “canalizar contribuições ilegais à sua campanha e outras campanhas do Congresso, mas ela disse que a informação não influenciou a sua posição ou seu voto em qualquer assunto”, de acordo com o The New York Times.

“[Feinstein] disse que enquanto ‘a informação era vaga e nada específica’. Ela concluiu que ela deveria ‘ser muito cautelosa’ em lidar com contribuidores asiático-americanos”, afirmou o relatório no New York Times.

Feinstein, obviamente, seria de interesse para a inteligência chinesa devido às informações confidenciais que ela poderia possuir por meio de sua posição no comitê de inteligência.

Ela também pode ser alvo de “operações de influência” – uma abordagem mais sutil, pela qual as operações chinesas tentariam orientar Feinstein a promover políticas que possam beneficiar o regime chinês.

De acordo com o artigo, “Por muitos anos, a Sra Feinstein tentou promover o comércio e a amizade com a China, e ela tem combatido os críticos do registro chinês de direitos humanos, enfatizando o que ela descreveu em um discurso no Senado no ano passado de que “lá” ocorreram grandes melhorias com relação aos direitos humanos.

Conciliando com os comunistas

A abordagem conciliatória de Feinstein com os governos comunistas começou em meados da década de 1950, quando ela serviu no governo estudantil da Universidade de Stanford.

Antes de seu último ano, Dianne Goldman, como era então conhecida, viajou para a Europa em uma viagem de estudantes liderada pelo professor de ciência política de Stanford, James T. Watkins. A agenda incluía um possível encontro com o marechal revolucionário iugoslavo Josip Broz Tito.

Em janeiro de 1955, um debate vigoroso surgiu com o executivo estudantil de Stanford, sobre se deveriam apoiar a proposta de visita de sete jornalistas soviéticos aos Estados Unidos.

De acordo com os relatórios do Stanford Daily da época, o membro executivo Sam Palmer afirmou que “nada pode ser perdido em permitir que eles venham”.

Ele foi apoiado por Goldman e Don Peck, que alegaram que era importante mostrar “a Rússia que os Estados Unidos não são um país da Cortina de Ferro – que estamos dispostos a deixar os comunistas entrarem”.

Os que estavam a favor da visita venceram e Goldman passou a abrigar pessoalmente a delegação da União dos Escritores Soviéticos quando eles visitaram o campus de Stanford no final daquele ano.

Trinta anos depois, enquanto servia como prefeita de São Francisco, Feinstein fez uma proclamação oficial na cidade em apoio ao Festival Mundial de Jovens e Estudantes daquele ano, realizado em Moscou.

Este evento propagado internacionalmente foi organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática, controlada pelos soviéticos, e foi apoiado nos Estados Unidos pelo Partido Comunista dos Estados Unidos e grupos similares.

Feinstein viajou para Moscou em dezembro daquele ano como parte de uma delegação comercial de 450 empresários e funcionários públicos dos Estados Unidos.

Pouco mais de um ano depois, no dia 27 de janeiro de 1987, o cônsul soviético, general Valentin Kamenev presenteou Feinstein com um bonde soviético intitulado de “Um Bonde Chamado Desejo”. Também estiveram presentes na cerimônia Viktor Zhelezny, vice-chefe de transporte público da República Russa.

Pontes para a China comunista

Construir pontes para a República Popular da China, no entanto, parece ter sido uma prioridade ainda maior para Feinstein.

Um dos primeiros atos de Feinstein ao se tornar prefeita de São Francisco, em janeiro de 1979, foi visitar Xangai para estabelecer relações entre as cidades-irmãs.

A próxima prioridade aparente foi o restabelecimento do serviço aéreo de passageiros entre a China e os Estados Unidos. O serviço foi restaurado em 8 de janeiro de 1981, depois de um “hiato de 32 anos quando um Boeing 747 com 139 passageiros chineses chegou pontualmente no Aeroporto Internacional de San Francisco”, segundo o The New York Times.

Feinstein e a Cônsul Geral chinesa Hu Ding-yi realizaram uma cerimônia de corte de fita “que incluía um bolo, decorado com ‘CAAC [Civil Aviation Administration of China] Welcome to San Francisco’, e duas garrafas de champanhe”. Feinstein descreveu o desembarque como “uma ocasião histórica e emocionante”.

Feinstein visitou Xangai várias vezes em sua capacidade oficial e construiu uma relação pessoal próxima com o então major Jiang Zemin.

De acordo com o San Jose Mercury: “Ele [Jiang] convidou ela e seu marido para verem o quarto de Mao Tse-tung em sua antiga residência, os primeiros estrangeiros a fazê-lo. Feinstein entreteve Jiang em São Francisco, dançando com ele enquanto cantava “When We Were Young”.

Essa relação foi proveitosa em 1999, quando o presidente Bill Clinton estava pressionando para trazer a China para a Organização Mundial do Comércio.

Uma visita a Washington naquele ano pelo primeiro-ministro chinês Zhu Rongji, que muitos esperavam que selaria o acordo, não produziu nada. As relações ficaram ainda piores depois que os bombardeiros dos Estados Unidos acidentalmente destruíram a embaixada chinesa em Belgrado em maio.

Feinstein entrou em cena para oferecer assistência à administração. Ela foi convidada a usar seu relacionamento pessoal com o atual líder do regime chinês na época, Jiang, para retomar as negociações.

Em agosto de 1999, a Casa Branca despachou Feinstein para a China, com uma nota escrita à mão para Jiang, do presidente Clinton, pedindo a retomada das negociações.

“A senadora Feinstein desempenhou um papel fundamental na preparação do caminho para este acordo comercial crítico”, disse Elizabeth Newman, assessora de imprensa da Casa Branca.

Feinstein e Jiang se encontraram em 16 de agosto na cidade costeira chinesa de Dalian, onde a senadora entregou a carta do presidente Clinton.

Em uma entrevista ao San Jose Mercury, em novembro de 1999, Feinstein disse que sentia que a única maneira da China entrar em negociações com a OMC novamente seria com o apoio de Jiang.

Feinstein disse, ao oferecer seus serviços como intermediária para Clinton e o assessor de segurança nacional Sandy Berger, “Eu disse que estaria preparada para fazê-lo se achassem que seria útil, e eles disseram que achava que seria útil e, que por favor fizesse isso”.

Jiang estava “receptivo e particularmente satisfeito com o fato de Clinton ter tido tempo de escrever uma nota para ele pessoalmente”, disse Feinstein.

“Acho que ele ouviu, e tivemos discussões substanciais sobre o assunto. …Fui bem sucedida em fazer com que os chineses se interessassem em começar a abordar as negociações sobre o assunto”, disse Feinstein na entrevista de novembro de 1999.

Direitos humanos

É importante notar que, Feinstein disse que esperava a aprovação do novo estatuto do comércio que eliminaria a “revisão anual do Congresso que muitos acreditam que continua a exercer pressão sobre a China para reformar a sua economia e seus registros sobre direitos humanos”.

Em outras palavras, o Partido Comunista Chinês (PCC) obteria o status de comércio chinês que cobiçava, sem ter que fazer qualquer coisa significativa para melhorar o seu desempenho abismal de direitos humanos.

A China foi admitida na Organização Mundial do Comércio e usou esse acesso comercial para construir a segunda economia mais forte do mundo e um exército de classe mundial.

É notório que o registro de direitos humanos do PCC é o pior da atualidade. Certamente, suas tecnologias repressivas são muito mais poderosas.

Na época, a colega de Feinstein, a deputada democrata da Califórnia Nancy Pelosi, expressou sérias preocupações sobre o acordo.

“Quando elas se tornarem permanentes (status de relações comerciais normais), toda a influência dos Estados Unidos em relação às negociações estará acabada, pois eles terão o que querem de forma permanente”, Pelosi Said, no artigo de San Jose Mercury. “Eles violaram os acordos no que diz respeito à proliferação de armas de destruição em massa, eles violaram seus acordos em termos de comércio, eles violaram seus acordos sobre convênios internacionais sobre direitos humanos. Por que é que achamos que eles vão honrar os compromissos que assumirem com a OMC? ”

Por fim, o acordo foi uma vitória incrível para o governo chinês.

Feinstein cooperou mais com PCC do que qualquer outro político dos Estados Unidos.

Correção: Uma versão anterior deste artigo deturpou quem levou a viagem de estudantes de Dianne Feinstein à Europa. A viagem foi liderada pelo professor de ciência política de Stanford, James T. Watkins. O Epoch Times lamenta o erro.

 
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