Jornalismo errático transforma agressor de mulher em exemplo de santidade

Por Carlos de Freitas, Senso Incomum

A humanidade perdeu a lucidez há um bom tempo. A habilidade de pressentir o perigo real, comum até em seres cujas maiores preocupações são sugar sangue e zunir na orelha dos humanos todo fim de noite, está desaparecendo. É habitual ver gente se descabelando ao ouvir uma piada que lhe pareça inconveniente enquanto ignora uma ameaça concreta só porque não quer parecer preconceituosa.

Uma das maiores responsáveis por essa destruição da inteligência e da capacidade de perceber entre uma banalidade qualquer e aquilo que pode lhe tirar a vida, é a mídia oficial e seu progressismo patológico, incapaz de dar uma notícia sem carregá-la de emoções que favoreçam sua ideologia.

A sanha midiática de transformar um fato trágico, que mereceria um apuro mais responsável, numa peça do Zé Celso ou numa letra da Anitta parece inesgotável. Hoje em dia é impossível discernir entre a linguagem de um debate na Globo News e o de uma discussão de flanelinhas na porta do Pacaembu. Patropi virou norma culta nas redações de jornal.

O caso ocorrido no Carrefour de Porto Alegre foi só mais um exemplo na extenuante trajetória midiática em direção ao próprio rabo. É um teatrinho de escola que quer invadir o imaginário coletivo. A morte lamentável de João Alberto, que é negro, aguçou o paladar na esquerda, sempre faminta por cadáveres. Era tudo o que os agitadores precisavam para dar vazão a sua cólera descabida.

 

A mesma mídia que pede provas antes da apuração dos fatos, como no caso das eleições municipais e das americanas, tratou de dar o veredito final no caso Carrefour: racismo! A histeria coletiva tomou conta daqueles que amam um presunto ideológico. Igual comoção não houve quando uma brasileira negra e católica foi degolada por um muçulmano dentro de uma igreja na França.

Apesar da morte injustificável, João Alberto não era o santo pintado pela mídia oficial. Além dos depoimentos de que teria ameaçado uma funcionária no supermercado, João Alberto tem diversas passagens pela polícia pela dádiva de agredir a esposa. A sua ficha criminal conta com outros milagres que a mídia esconde, como lesão corporal, injúria e porte ilegal de armas. No processo de canonização de João Alberto pela imprensa, essas ações divinas deveriam constar, não?

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Como, para a mídia, a vida humana só vale na medida em que cumpre sua função de tornar palatável seu parquinho ideológico, no caso específico, de que o racismo motivou o crime, o jornalismo de ficção inventa um novo João Alberto: o filho terno, o chefe de torcida carinhoso, e marido exemplar que agride esposa por pura inadequação de espaço e má pontaria dos punhos: certamente o alvo não era o rosto da mulher, mas os maus espíritos que a rodeavam.

 

 

Tudo indica que a motivação para o crime, condenável de todas as formas, não foi o racismo, mas o destempero de um homem violento contra a tentativa ainda mais violenta de contê-lo. É resultado da perda do valor transcendente da vida humana, da brutalização do cotidiano que a narrativa esquerdista, desconectada da realidade do mundo, transformando bandidos em vítimas de uma abstração, estimula.

O jornalismo escurril praticado por quase toda a mídia oficial revela apenas a habilidade para dissimular suas reais intenções: a tomada e manutenção de poder pela esquerda. E o jornalista profissional não passa de um mexeriqueiro malicioso, obediente ao poder central, nada mais.

 

As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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