Irã quer expandir cooperação militar com a China

Os países “concordaram em expandir a cooperação bilateral em exercícios militares, troca de estratégias, treinamento e outros campos comuns"

Por Gabrielle Stephenson 

O presidente iraniano, Ebrahim Raisi, disse em 27 de abril que seu governo quer expandir a cooperação com a China, seu maior parceiro comercial, informou a mídia estatal IRNA.

As declarações foram feitas em Teerã durante uma visita do ministro da Defesa da China, Wei Fenghe, que disse que a visita visa “melhorar a cooperação estratégica em defesa” entre os dois países.

O Irã e a China aumentaram seus laços militares nos últimos anos, com suas marinhas visitando os portos uma da outra e realizando exercícios navais conjuntos no Oceano Índico.

Raisi descreveu os laços entre os dois países como “estratégicos”. Ele disse que uma cooperação mais estreita entre Teerã e Pequim pode enfrentar o que chamou de unilateralismo dos EUA.

“Confrontar o unilateralismo e criar estabilidade e ordem é possível por meio da cooperação de potências independentes e com ideias semelhantes”, disse Raisi a Wei.

O presidente iraniano disse que a implementação de um acordo de cooperação de 25 anos com a China, assinado em março de 2021, está no topo da agenda, reportou a IRNA. Esse acordo envolve fatores políticos, econômicos e estratégicos.

Wei disse a Raisi durante a reunião que melhorar os laços entre o Irã e a China iria proporcionar segurança, “particularmente na atual situação crítica e tensa”.

Ele também disse que os dois países podem cooperar em todos os assuntos internacionais, e que o unilateralismo é o principal fator que impede o crescimento econômico sustentável globalmente, segundo a IRNA.

Wei disse que a cooperação Irã-China teria um impacto “notável” na neutralização do unilateralismo e no combate ao terrorismo.

Ele também se encontrou com seu colega iraniano, general Mohammad Reza Ashtinai, e supostamente o convidou para visitar a China, bem como com outros oficiais militares iranianos.

O major-general Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, disse a repórteres em Teerã após reunião com Wei que os dois países “concordaram em expandir a cooperação bilateral em exercícios militares conjuntos, troca de estratégias, questões de treinamento e outros campos comuns entre as forças armadas dos dois países para que possamos fornecer melhor segurança para os territórios dos dois países”, segundo a Al Arabiya News.

A visita de Wei ocorre em meio a negociações paralisadas para reviver o acordo nuclear do Irã com as potências mundiais – China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

O acordo nuclear de 2015 com o Irã, também chamado de Abrangente Plano de Ação Conjunto, exige que o Irã restrinja seu programa nuclear em troca de um alívio nas sanções econômicas dos Estados Unidos, da UE e das Nações Unidas. O presidente Barack Obama disse em 2015 que o acordo era a “melhor opção” para impedir o Irã de usar armas nucleares, mesmo que temporariamente.

A sétima rodada de negociações, que começou em novembro de 2021 em esforços para reviver o acordo de 2015, está em pausa desde 11 de março.

A Associated Press contribuiu para esta reportagem.

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