Irã ignora ação dos EUA para restabelecer sanções internacionais

Por EFE

Teerã, 21 ago – O governo do Irã classificou nesta sexta-feira como “nulo” o movimento feito ontem pelos Estados Unidos perante a ONU para restabelecer as sanções internacionais contra Teerã, que tinham sido suspensas após a assinatura do acordo nuclear em 2015.

“A notificação dos EUA é incapaz de produzir efeito legal. Nenhum dos restantes participantes do JCPOA (acordo nuclear) considera que a notificação seja válida”, afirmou o vice-chanceler e negociador nuclear, Abbas Araghchi.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, apresentou ontem formalmente ao Conselho de Segurança a ativação de uma cláusula destinada a restaurar automaticamente as sanções no caso de Teerã não cumprir seus compromissos.

O Irã não cumpriu muitos dos limites impostos pelo pacto ao seu programa atômico em resposta à retirada dos EUA do acordo e ao fracasso dos outros signatários em contrariar as sanções unilaterais de Washington.

Como os EUA abandonaram o acordo nuclear há dois anos, os demais países signatários (Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) consideram que Washington não tem mais o direito de invocar a cláusula incluída na resolução 2231.

Uma vez oficializado esse pedido de restabelecimento de sanções internacionais, o Conselho de Segurança tem um prazo de 30 dias para aprovar uma resolução que mantenha o levantamento, mas, dado que os EUA têm poder de veto, poderá sempre bloqueá-lo.

“Estamos confiantes de que o Conselho de Segurança não permitirá que os EUA abusem da resolução 2231 para atingir seu objetivo declarado de destruir essa mesma resolução”, enfatizou Araghchi, em uma mensagem no Twitter.

Não está muito claro o que acontecerá em um mês. É possível que os demais membros do Conselho de Segurança simplesmente optem por não atender ao pedido dos EUA e ignorem a reimposição de sanções.

Diante dessa situação, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, exortou ontem em uma carta ao Conselho de Segurança a se opor a esta iniciativa americana, a que chamou de “perigosa e ilegal”, e a obrigar Washington a “prestar contas pelos danos irreparáveis infligidos a toda a nação iraniana” através das suas sanções.

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