Investigadores descobrem documento em que Nisman pedia prisão da presidente Kirchner

Segundo as investigações, o promotor Alberto Nisman escreveu pelo menos duas versões de sua denúncia contra a presidente Cristina Fernández. Uma delas é a que foi apresentada em tribunal. A cópia parcial da outra versão foi descoberta pela polícia dentro da lata de lixo do departamento onde trabalhava o promotor.

A segunda versão, descartada por Nisman quando ele estava vivo, completava a acusação que culminou com o pedido de medidas altamente impactantes: denunciava a ilegalidade e pedia a prisão da presidente, do Ministro das Relações Exteriores Héctor Timerman e também do grevista Luis D’Elia.

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Esta parte até então desconhecida até agora da denúncia do procurador sobre o caso AMIA foi incorporada como prova nos autos que investigam sua morte.

A denúncia do procurador foi divulgada na quinta-feira (29) pela agência de notícias do Poder Judiciário. Neste texto não estão incluídos os parágrafos escritos por Nisman nos papéis descobertos no meio do lixo em sua casa.

A página 287 se destaca das outras folhas não só porque no final está o pedido de investigação contra Cristina e Timerman. Acontece que a maior parte das frases escritas por Nisman estão riscadas com traço preto: são 24 linhas ilegíveis.

São parágrafos que correspondem à primeira parte da petição, ou seja, à seção em que o promotor enumera ao juiz quais providências são pedidas para avançar na investigação.

Os itens I e II da petição podem ser perfeitamente lidos. Mas o III não. Começa com a frase “Ele decretou” e o resto foi coberto com tinta escura.

O item IV começa com “É adequado”, mas é inútil tentar saber o restante do texto: tudo está riscado em preto.

O item V é o maior e também o mais rabiscado. Começa com o pedido de “Se realize” mas prossegue com 12 linhas canceladas pelo mesmo método que as anteriores.

A medida que corresponde ao item VI também está ilegível. Ele apenas diz “Se proceda”. Mais uma vez as frases seguintes estão anuladas.

O item VIII encontra-se normal: corresponde à parte em que Nisman pede ao juiz as declarações assinadas dos acusados na denúncia.

Por que haveria Nisman entregue seus escritos com quase uma página rabiscada à mão? Será que no último momento resolveu mudar sua denúncia? Por quê? São questões que ainda não têm respostas.

 
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