Invento genial saneia o meio ambiente e produz água

Um alento para o problema mundial da água potável parece estar surgindo, especialmente para os países mais carentes de recursos financeiros.

A empresa norte-americana Janicki Bioenergy criou um processador de resíduos (uma mini estação de tratamento de resíduos) que tem um enorme potencial para resolver o problema de água potável nos países mais pobres.

O invento, chamado de Janicki Omniprocessor, produz água, eletricidade e cinzas (utilizáveis como adubo na agricultura) a partir de lodo de esgoto.

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O equipamento possui um sistema que processa o lodo de esgoto em fases distintas.

Primeiramente obtem-se o vapor d’água, em duas fases diferentes: uma pelo aquecimento do lodo e outra pela queima dos resíduos sólidos do lodo.

O vapor d’água obtido pelo aquecimento do lodo é condensado e passa por um processo de alta purificação dentro do processador, transformando-se, no final, em água potável.

Já o vapor d’água obtido pela queima dos resíduos sólidos do lodo – que sai com alta temperatura e alta pressão-, alimenta uma caldeira e esta um gerador, que gera energia elétrica para o próprio processador.

Porém, a energia elétrica gerada pelo processador excede as necessidades do próprio processador, o que permite a sua distribuição ou venda para a comunidade ao redor. Isso significa que, mesmo em comunidades mais pobres, a oferta de energia elétrica pode ocorrer e dentro de um custo acessível.

Perspectivas

Segundo o engenheiro e CEO da Janicki Bioenergy, Peter Janicki, o empresário que tiver o processador vai ganhar com todos os elementos do processo: do lodo aos seus subprodutos resultantes – a água, a eletricidade e as cinzas -, tudo vai ser pago a ele. De acordo com essa perspectiva, ele afirma: “Isso vai se espalhar por todos os cantos da Terra que precisam, porque gera dinheiro todos os dias”. 

Segundo Bill Gates, financiador do projeto através da Fundação Bill e Melinda Gates, 2,5 milhões de pessoas sofrem com a falta de saneamento básico no mundo. Essa, então, pode ser uma solução genial para a falta de saneamento básico, e também para a falta de eletricidade e para a carência, às vezes mortal, de água potável de algumas regiões do planeta.

De fato, se o invento não for utilizado de forma egoista e gananciosa, é possível que possa beneficiar muito as comunidades carentes de recursos financeiros, porque pode resolver o problema do saneamento básico inexistente em muitas regiões de vários países, utilizando, ao mesmo tempo, o lodo do esgoto para gerar eletricidade e água potável para as mesmas.

Apesar de ser uma invenção que enche de esperança aqueles que anseiam pelo fim ou pela atenuação do sofrimento de tantos seres humanos, uma questão importante que sempre se repete com todas as grandes invenções humanas é se elas serão utilizadas para benefício coletivo ou de alguns poucos. E aqui temos mais um caso de nova e genial invenção, que, se usada de forma não-egoísta e humanitária, pode ser um alento e tanto para centenas de milhares de pessoas.

Nós torcemos para que agora, mais do que nunca, a intenção fundamental de quem quer que utilize esse invento seja a de beneficiar toda a coletividade, antes do que pensar somente em seu próprio benefício.

 

Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

 

 

 

 
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