Inventário altíssimo nas imobiliárias chinesas

Enquanto a economia esfria, desenvolvedores lutam para vender inventários recordes
Uma sepultura de 10 metros de altura num sítio de construção numa vila em Taiyuan, província de Shanxi, Norte da China, em 6 de dezembro (STR/AFP/Getty Images)

Oferta e demanda estão a milhas de distância entre si no mercado imobiliário chinês. A desaceleração da economia e o aumento dos regulamentos levaram a enormes quantidades de estoques não vendidos. Alguns desenvolvedores podem precisar de 10 anos para vender seu inventário imobiliário.

O China Times informou que a quantidade de imóveis residenciais não vendidos cresceu para 320 milhões de metros quadrados até o final de outubro, cerca de quatro vezes a área de Manhattan. Não só o tamanho absoluto, mas também a mudança é preocupante: É um aumento de 19% em relação aos 270 milhões de metros quadrados do ano passado. Com base no volume de transações corrente, o stock de habitação em algumas regiões levaria 10 anos para ser limpo, segundo o relatório.

Cidades de baixa classificação mais severamente afetadas

Apesar dos aumentos das venda de casas nas cidades de primeiro nível como Pequim e Shanghai, o problema dos estoques de imóveis não vendidos em todo o país persiste, mas o pior é nas cidades de terceiro nível que em sua grande maioria não chegam às manchetes.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Imobiliária E-House de Shanghai, cidades de terceiro nível experimentaram um aumento em casas não vendidas ao longo dos últimos dois anos. O crescimento em relação aos últimos cinco meses foi em média de 2%, ou 27% ao ano.

Outros relatos confirmam os achados. De acordo com o jornal Qilu Evening News de Jinan, o inventário imobiliário não vendido continua a aumentar na cidade de terceiro nível de Handan, na província de Hebei. Há uma área total de 34 milhões de metros quadrados para venda no mercado.

O problema é que este volume não pode se manter. Em 2011, as vendas totais foram de apenas 3,55 milhões de metros quadrados. Se as vendas continuarem nesse ritmo e nenhum imóvel novo for adicionado ao mercado, levaria quase 10 anos para absorver o acúmulo de imóveis não vendidos.

As províncias de Shanxi e Zhejiang têm proporções semelhantes de casas não vendidas para vendas por ano.

Desenvolvedores pagam o preço do sobreinvestimento

Durante o boom imobiliário, os desenvolvedores utilizaram taxas de juro artificialmente baixas para comprar terras dos governos locais e construir como se não houvesse amanhã. O regime defendeu tais práticas com políticas deliberadas destinadas a estimular o crescimento. Agora, a maioria dos desenvolvedores está engasgada com quantidades recordes de inventário.

Muitos desenvolvedores listados estimaram que levarão dois ou três anos para limpar seus estoques. Mas um artigo do Guotai Junan Securities mostrou que alguns desenvolvedores levariam muito mais do que três anos para corrigir seus atrasos baseados na taxa de venda deste ano. Por exemplo, o Grupo de Construção Fanhai levaria até 10 anos para absorver seu inventário no ritmo atual.

As empresas incorreram em enormes dívidas para construir todos esses imóveis. Normalmente, um fluxo constante de renda de alugueis ou venda seria mais do que suficiente para cobrir os pagamentos de juros. No entanto, se os imóveis permanecem em estoque, eles somente representam custos, com a manutenção superando os juros. O efeito é destruir a riqueza.

É por isso que desenvolvedores estão fazendo malabarismo para vender seus estoques. De acordo com o artigo do China Times, eles não têm muito vento a favor, pois apenas um ligeiro aumento no preço afetará o volume de vendas.

Nie Meisheng, presidente honorário da Câmara de Comércio Imobiliário da China, afirma, “Os desenvolvedores temem o excesso de imóveis não vendidos. Alguns grandes desenvolvedores têm até 10 bilhões de yuanes (1,6 bilhão de dólares) em estoque não vendido em seus livros. Normalmente, é viável para os desenvolvedores terem 15-25% do seu valor de contabilidade amarrado em casas não vendidas. Se o investimento for superior a um terço de seu capital, as empresas provavelmente perderão sua capacidade de competir”, disse ele ao China Times.

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