Internautas chineses concordam com baixa qualidade do ‘Made in China’, indica pesquisa

Pode não causar muita surpresa quando uma pesquisa internacional mostra que o rótulo “Made in China” não inspira muita confiança para o consumidor. No entanto, quando o rótulo do produto do Reino Médio ficou atrás de Bangladesh, a notícia gerou muita comoção nas redes sociais chinesas. Alguns não poderiam estar mais de acordo com a baixa classificação chinesa.

A pesquisa, realizada pelo provedor de dados estatísticos alemão Statista, perguntou a 43.034 pessoas em 52 países o que elas achavam dos produtos fabricados em três países, fornecendo um total de 129.102 respostas, com cada país avaliado por pelo menos 2.500 pessoas. No “Índice de Etiqueta País” (MICI), a Alemanha ficou em primeiro lugar, seguida pela Suíça e União Europeia, enquanto os Estados Unidos ficaram em oitavo, empatados com o Japão e a França. A China ficou em 49º lugar.

Os participantes da pesquisa consideraram que os produtos alemães tinham padrões de alta qualidade e segurança, enquanto os japoneses foram associados principalmente com a tecnologia avançada. Quanto aos produtos fabricados na China, estes foram classificados por sua excelente relação qualidade-preço.

Nas redes sociais chinesas, muitos internautas reagiram com indignação, alguns acusaram a pesquisa de propaganda ocidental baseada em dados falsos, enquanto outros sugeriram que os institutos de pesquisa ocidentais não eram muito confiáveis.

No entanto, muitos internautas expressaram sua concordância com o baixo ranking, apontando os problemas existentes na China na seção de comentários do portal de notícias chinês Sina:

“Nem mesmo ‘óleo de esgoto’ e ‘carne de porco podre’ podem ser incluídos. O país tem sorte de estar nesse ranking”, escreveu um cidadão de apelido “Duan Shu An”, da província de Hebei.

Outro usuário da internet da província de Hubei escreveu: “Este país se ergueu imitando produtos. Não há muito do que se queixar quando existem tão poucas marcas (chinesas) reconhecidas… Pessoas que falsificam produtos estão se tornando muito ricas, e aquelas que têm alguma integridade na gestão de seus negócios estão à beira da falência”.

Durante anos, a China esteve às voltas com problemas na qualidade dos alimentos: “carne de cordeiro” feita de ratos, carne vencida nos hambúrgueres do McDonald’s, arroz de plástico e camarões inchados com gel, só para citar alguns exemplos.

A falta de confiança nos produtos nacionais leva muitos chineses a comprar de tudo — desde produtos para bebês até assentos de sanitários, panelas para cozinhar arroz e fraldas — quando viajam para o exterior. A baixa credibilidade dos produtos fabricados localmente provocou um esfriamento da economia chinesa.

Mas em apenas um incidente, os produtos falsos ironicamente acabaram salvando uma vida. Em março de 2016, um homem da província de Shandong tentou se suicidar engolindo mais de 200 pílulas para dormir. No entanto, ele acordou depois de um breve cochilo e após o ocorrido, uma visita ao hospital confirmou que as pílulas que ele tomou eram falsas.

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