Inteligência australiana identifica políticos com laços suspeitos com a China

O serviço de inteligência doméstica da Austrália acredita que 10 candidatos políticos concorrendo em eleições recentes para os governos regionais e federal têm ligações com agências de inteligência da China.

A Organização Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO) disse que um desses candidatos foi eleito para o cargo e ainda está lá, informou The Weekend Australian no sábado, 9 de dezembro.

Funcionários da agência de inteligência dizem que o que está ocorrendo faz parte dos esforços de Pequim para influenciar a política australiana, afirmou a reportagem.

A maioria dos candidatos que se pensa terem laços estreitos com a inteligência chinesa e o regime do Partido Comunista Chinês participou nas eleições do conselho.

No entanto, a reportagem disse que os funcionários de segurança australianos também estão preocupados com indivíduos nos níveis estaduais e federal da política nacional.

Reportagens da mídia disseram que as preocupações da ASIO estão focadas em Sydney Ocidental.

Chen Yonglin, um ex-diplomata chinês que desertou num estilo dramático em 2005, disse ao jornal que há tentativas muito evidentes do governo chinês para influenciar as opiniões na Austrália.

“Na Austrália, parece que não há limitações, os chineses fazem tudo publicamente”, disse Chen Yonglin. “Parece que eles estão acima da lei na Austrália. Eles são mais ousados do que em suas atividades nos EUA”, acrescentou ele.

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A reportagem de sábado vem depois de ampla cobertura da mídia sobre os esforços do Partido Comunista Chinês para interferir com a política australiana, bem como em áreas da comunidade mais ampla, especialmente na comunidade sino-australiana.

O primeiro-ministro Malcolm Turnbull disse na quinta-feira passada que via com muita seriedade os relatos de que o Partido Comunista Chinês tenta interferir na Austrália.

“Os relatórios da mídia sugeriram que o Partido Comunista Chinês tem trabalhado para interferir secretamente com nossos meios de comunicação, nossas universidades e até mesmo nas decisões dos representantes eleitos aqui nessa casa [o Parlamento]. Levamos esses relatos muito a sério”, disse Turnbull, de acordo com a Reuters.

A atenção do público australiano nas últimas duas semanas foi despertada em função das relações entre o senador Sam Dastyari, do Partido Trabalhista Australiano (ALP), e um bilionário chinês vinculado a Pequim.

O governo federal pediu a Dastyari que se demitisse porque ele teria alertado Huang Xiangmo, o bilionário vinculado ao Partido Comunista Chinês, de que seu telefone provavelmente teria sido grampeado pelos serviços de inteligência, incluindo os do governo dos Estados Unidos.

O senador também recebeu imprensa negativa recentemente devido a um discurso de 2016 quando ele apoiou publicamente os movimentos expansivos e agressivos de Pequim no Mar do Sul da China. Seus comentários, feitos ao lado de Huang Xiangmo, eram contraditórios com a postura do governo e do ALP em relação ao assunto.

Charles Wallace, um ex-oficial da inteligência australiana, disse que os chineses operam infiltrando agentes adormecidos em posições-chave.

“O método mais comum que a China usa para influenciar nosso processo político é por meio de ‘agentes de influência’”, escreveu Wallace para o Canberra Times.

“Alguns desses agentes são pessoas de dupla cidadania, chinesa e australiana”, escreveu ele.

“Seu objetivo é subornar políticos atuais e passados ​​para apoiar os interesses da China, às vezes em detrimento da Austrália.”

NTD Television

 
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