Intelectuais turcos publicam petição contra o governo nos principais jornais do país

Governo afirma que espiões estrangeiros são os responsáveis pela revolta popular
Protestos na Turquia
Bandeiras turcas voam contra o vento em protesto na Praça Taksim, em Istambul (AP Photo/Gero Breloer)

ISTAMBUL – Um mês após protestos em grande escala eclodirem em todo o país, intelectuais turcos estão alertando sobre os perigos de uma crescente polarização e tensão na região.

Centenas de intelectuais, incluindo escritores e artistas, assinaram no último sábado uma petição publicada como um anúncio de página inteira em uma série de jornais locais de grande circulação.

Intitulado “Kaygiliyiz”, que significa “estamos preocupados”, a petição faz um apelo contra o discurso proferido por grupos que promovem divisões que estão se formando na sociedade.

“Há uma raiva permanente e ódio. As tentativas de desvalorizar, desacreditar, culpar e suprimir a arte e os artistas estão em pleno andamento”, diz um trecho da petição.

O documento também afirma que “observações descuidadas, como ‘servos se tornarem mestres’, estão plantando as sementes do ódio na sociedade. A retórica ‘você contra nós’ aguça a polarização da sociedade”.

Entre os intelectuais que assinaram a petição estão o prêmio Nobel Orhan Pamuk, o escritor Yasar Kemal, o músico Zulfu Livaneli e o cineasta Ferzan Ozpetek.

Em resposta ao anúncio publicado pelos intelectuais, a colunista Hasmet Babaoglu, que escreve para o jornal pró-governo Sabah Daily, afirma que concorda com a preocupação do grupo, mas acusou-os de preconceito: “Eu sei que alguns dos nomes que assinaram a petição são preconceituosos. Eles são Islã-fóbicos, separatistas e nacionalistas. Muitos deles sentem abertamente ou implicitamente ódio contra um determinado segmento da sociedade”.

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan responsabilizou espiões estrangeiros pelos protestos e afirmou que os lobbies das taxas de juros estão tentando desestabilizar o país. De acordo com Erdogan, os recentes protestos em todo o Brasil fazem parte do mesmo enredo desestabilizador.

Em seus comentários ao longo do mês passado, Erdogan classificou os manifestantes – que são em sua maioria jovens, provenientes de famílias de classe média – de “saqueadores”. Ele foi acusado de polarizar o país, chamando sua base eleitoral de “os outros 50% da sociedade”.

“Quando em todo o mundo servos se tornaram mestres?”, disse Erdogan na semana passada em uma resposta à manifestação no Parque Gezi, onde participantes exigiam a renúncia de chefes de polícia e governadores devido ao uso excessivo da força.

O levante popular começou no final de maio, inicialmente como um protesto ambiental contra a remoção de árvores por parte das autoridades no parque Taksim Gezi Park para a construção de um shopping center. Depois de serem removidos à força pela polícia, que utilizou grandes quantidades de gás lacrimogêneo, os protestos contra o uso excessivo da força pelas autoridades se espalharam rapidamente por todo o país.

Autoridades do governo também acusaram os meios de comunicação internacionais de publicarem notícias enganosas. Alguns funcionários do governo começaram campanhas no Twitter. O prefeito de Ankara, Melih Gökçek, membro do Partido AK, começou a divulgar a hashtag que acusa o repórter da BBC, Selin Girit, de espionagem.

Gökçek declarou: “Liderados pela Inglaterra, eles estão tentando levar ao colapso nossa economia através de agentes contratados, tanto nacional como internacionalmente. Eles estão sonhando com a Turquia sendo o “homem doente da Europa” mais uma vez. Aqui está uma prova concreta”. Entretanto, os protestos ao redor do país continuam apesar da intervenção policial.

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