Incêndios no Chile não foram chamados de “crime de ódio” pela mídia

Se quiser, troque as igrejas por mesquitas e o fogo por bacon, ou cite um certo tribunal, e veja a mágica acontecer na grande imprensa

Por Carlos de Freitas, Senso Incomum

O padrão duplo da mídia quando o negócio é dar ênfase a uma notícia já é amplamente conhecido. A escolha das palavras que darão destaque ou que vão manchar a reputação de alguém ou algo é fundamental para o jornalismo jeca profissional. É assim que eles impulsionam suas pautas enquanto fingem-se imparciais.

O exemplos são tantos que se poderia compor toda uma “enciclopédia do disfarce midiático” com um bom número de tomos. Desde a complacência carinhosa com as ditaduras de esquerda – as mais sanguinárias da história humana – até as “medidas incomuns” que a Folha usou no caso da censura descarada do Facebook e do Twitter sobre as notícias contra o filho de Joe Biden.

E como esquecer da lambança jornalística ao chamar os torcedores das organizadas de manifestantes PRÓ democracia. É claro que entre espancamentos, linchamentos, facadas e tiroteios sempre sobra um tempinho para exercer sua cidadania, mesmo que seja destruindo lojas e carros. Num único Fla-Flu há mais incidentes graves do que em todas as manifestações tidas como “antidemocráticas” contra o governo Dilma, contra o Congresso e o XXX.

Desde a universidade, moldados por um ambiente cultural anêmico e infecundo, os jornalistas escondem sua ignorância absoluta no diploma e, posteriormente, na carreira. A afetação da fala, nesses indivíduos, é proporcionalmente maior quanto menos se tem a dizer. Uma Míriam Leitão e uma Vera Magalhães precisam desesperadamente da compostura para esconder o vazio de suas cabecinhas.

Um dos alvos prediletos da estupidez midiática é a Igreja cristã. Pastores evangélicos são frequentemente tratados como obscurantistas e atrasados e a Igreja Católica, mencionada com deboche. O progressismo da mídia – que acredita que com algumas correções linguísticas o mundo rumará para o esplendor terrestre, na mais tosca concepção hegeliano-marxista – é responsável pela completa deterioração de sua credibilidade.

Toda vez que algum crime é cometido contra uma instituição cristã ou contra cristãos, a mídia oficial inteira saca seu arsenal de eufemismos e transigências, como aconteceu no caso recente das igrejas incendiadas no Chile. A imprensa chamou os incendiários de manifestantes e o vandalismo contra uma igreja de protesto.

Troque o incêndio na igreja cristã por uma piada com a Thammy Gretchen e veja o manto da indignação cair sobre as manchetes dos jornais, com direito a editorial do Reinaldo Azevedo e do Arnaldo Jabor.

Com a patota selo azul ocorre o mesmo. Não haverá uma única nota de repúdio aos atos criminosos no Chile, mas espere o tio Adamastor postar uma foto da esposa com a legenda “minha nega”. Os justiceiros sociais virão mais furiosos que o Deus bíblico para expulsar o velhinho antiquado do paraíso virtual.

A ira adolescente contra a Igreja é a marca da esquerda desde que o primeiro projeto de revolucionário, lá pelo século XVIII, mais ou menos, resolveu se emancipar da eternidade para chafurdar na aspereza da vida material “sem culpa”. Deve ter sido a catapora intelectual da época. Uma doença infantil do espírito.

Como é infantil toda a pose da mídia contra os valores mais elevados do espírito, contra os dramas reais e as fraquezas humanas, como se toda a complexidade da vida pudesse ser extirpada com uma manchete imatura de jornal.

 

Carlos de Freitas

Carlos de Freitas é o pseudônimo de Carlos de Freitas, redator e escritor (embora nunca tenha publicado uma oração coordenada assindética conclusiva). Diretor do núcleo de projetos culturais da Panela Produtora e editor do Senso Incomum. Cutuca as pessoas pelas costas e depois finge que não foi ele. Contraiu malária numa viagem que fez aos Alpes Suiços. Não fuma. Twitter: @CFreitasR

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