Imprimindo armas em 3D: Perigos e benefícios da tecnologia

A companhia Defense Distributed se autodenomina um “projeto de arma Wiki”. Em 6 de maio, seu fundador Cody Wilson disparou com sucesso uma arma feita de peças de plástico produzida por uma impressora 3D comprada no eBay. Wilson pretende fazer e disponibilizar instruções online para construção de armas.

O grupo tem como manifesto o “Areopagitica; um discurso do Sr. John Milton pela liberdade da imprensa irrestrita”, pronunciado no Parlamento inglês em 1644. O Areopagitica defende a liberdade de opinião e de expressão.

Num documentário curta-metragem publicado pela empresa Motherboard em 25 de março (veja o vídeo no fim do artigo), Wilson, de 25 anos, discute as implicações de permitir que o público em geral faça armas com impressoras 3D. A impressão 3D usa uma variedade de materiais (geralmente plástico) para “imprimir” um objeto a partir de modelos de computador. Uma resina sintética é irradiada e endurece camada por camada.

A impressão em 3D

“Se publicarmos livremente, estilo opensource, o que isso significaria?”, pergunta Wilson, referindo-se às informações do projeto necessárias para produzir uma arma. Ele diz que a ideia “é realmente atraente”.

Ele comentou que algumas pessoas lhe perguntaram sobre o massacre na Escola Primária Sandy Hook em Newtown, Connecticut, EUA; elas perguntaram se ele está preocupado em colocar armas nas mãos de pessoas que possam cometer tais crimes.

Em relação ao tema, ele mencionou a 2ª Emenda da Constituição norte-americana, mas observou: “Prefiro não relacionar isso à 2ª Emenda ou ao controle de armas. […] É mais radical para nós, pois há pessoas de todo o mundo baixando nossos arquivos e dizemos, ‘bom’. Dizemos, ‘Vocês devem ter acesso a isso.’”

A arma dele, que ainda estava em fase experimental no momento do documentário ser filmado, incluía peças encomendadas online. Referindo-se a uma das partes, ele disse: “Se você tem 12 anos, você pode comprá-la online, o que eu acho uma beleza.”

Wilson, que é estudante de Direito na Universidade do Texas, foca-se na impressão de componentes específicos de AR-15, explicou Motherboard. Estes componentes são classificados como arma de fogo pelo governo dos EUA, ao passo que outras peças podem ser encomendadas online sem restrição.

Tecnologia cada vez mais acessível

A Defense Distributed pretende fazer seus projetos adequados às impressoras 3D mais baratas disponíveis. A impressora utilizada para a arma que disparou com sucesso em 6 de maio custou cerca de US$ 8 mil, segundo a BBC.

A tecnologia tem estado disponível há quase três décadas, mas está se tornando rapidamente mais acessível e disponível. Em 2011, a CNN informou que as impressoras mais baratas custavam cerca de US$ 25 a 50 mil em 2006, mas seu custo se reduziu para mil a 2 mil dólares.

Muitos pesquisadores na indústria de impressão 3D não acreditam que uma arma funcional possa ser fabricada com a tecnologia – ou pelo menos não com o formato atualmente disponível para os consumidores.

Num artigo publicado no Epoch Times em fevereiro deste ano, os especialistas Robert Gorkin, pesquisador da Universidade de Wollongong na Austrália, e Thomas Birtchnell, professor da mesma instituição, disseram que o plástico não poderia suportar disparos repetidos. Eles disseram que a impressão 3D com metal é possível, mas é muito perigosa e só pode ser realizada em ambiente controlado.

“De certa forma, seria muito mais fácil fazer uma arma usando os métodos tradicionais e é possível encontrar aspirantes a armeiros fazendo armas de fogo em casa”, escreveram eles.

Victoria Baines, do centro de cibercrime da Europol, concorda. Ela disse à BBC que criminosos são mais propensos a usarem métodos tradicionais para obterem armas de fogo, “Mas com o tempo, quando esta tecnologia se tornar mais amigável e acessível, é possível que alguns desses riscos emerjam.”

As ações de Wilson são legais nos Estados Unidos. Ele obteve uma licença de arma e a fabricação de armas para uso pessoal é permitida.

Benefícios da impressão 3D

Birtchnell e Gorkin esperam que o uso potencialmente malicioso ou ilegal da impressão 3D não ofusque os muitos benefícios que a tecnologia pode trazer. “As armas estão longe de ser o objeto mais inovador que surgirá de uma impressora 3D no futuro”, escreveram eles.

A tecnologia pode revolucionar a produção, infraestrutura, robótica, medicina e muito mais.

Uma estátua de Thomas Jefferson foi reproduzida utilizando a impressão 3D; o plástico foi revestido com uma cobertura falsa de bronze e colocado em exibição no Museu Nacional de História Americana em Washington DC em 2012. Adam Metallo e Vince Rossi estão trabalhando na digitalização da coleção Smithsonian para reprodução em impressão 3D.

“Nossa missão é digitalizar essas enormes coleções em 3D – tudo, desde insetos a aeronaves”, disse Rossi numa entrevista com o Grupo Spar Point no ano passado. “Isso permitiria que o museu compartilhasse sua coleção com outros museus ao redor do mundo e ajudaria pesquisadores a trabalharem com amostras frágeis de ossos, fósseis e muito mais.”

Documentário Motherboard: Clique, imprima, arma

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