Imigração latino-americana no Brasil, uma questão de liderança

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Um imigrante haitiano aguarda para entrar num abrigo montado na cidade São Paulo, em janeiro de 2012, para refugiados do terremoto que devastou o Haiti (Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images)

Pesquisas recentes identificaram um expressivo movimento imigratório para o Brasil. O último censo do governo federal contabilizou três milhões de imigrantes bolivianos vivendo em solo brasileiro. O caso mais recente foi o dos haitianos que, fugindo da tragédia humanitária causada pelo terremoto de janeiro de 2010, têm entrado ilegalmente no país em sucessivas levas pelo Acre, via Panamá e Peru. O governo brasileiro e dos estados implicados têm tratado a questão, de modo geral, com benevolência, provendo assistência e permissão para permanecerem no país. No entanto, apenas tolerância e generosidade não bastam para superar o problema, é preciso ainda planejamento e criatividade.

Segundo o governo do estado do Acre, curiosamente, os imigrantes haitianos são profissionais qualificados, como advogados, professores, mestres de obras e carpinteiros, pertencentes à classe média do Haiti. Já no caso dos imigrantes bolivianos, diferentemente, são pessoas de baixa qualificação, que acabam buscando alternativas no trabalho informal, principalmente na área artesanal e cultural, segundo o censo do governo.

Os movimentos imigratórios nos séculos passados provieram de mais de 70 diferentes nacionalidades e etnias. No decorrer da história do país, estes imigrantes não apenas contribuíram com seu trabalho nos engenhos de café e nas primeiras fábricas do nascente processo de industrialização nacional, como também com seus costumes e tradições, enriquecendo e ajudando a constituir a cultura e identidade brasileiras.

Aqui não se aplica a lógica da dívida histórica do colonizador com os povos explorados. Como ex-colônia bem sucedida e potência regional, o Brasil deve ser o primeiro a agir com seus vizinhos, interna e externamente, consciente das sequelas da América Latina advindas do processo de colonização e, hoje, de dependência econômica.

O Brasil acerta ao tratar com tolerância os imigrantes latino-americanos, mas é preciso também planejamento para absorver estas pessoas em regiões de menor densidade populacional, de modo a não agravar o quadro nos grandes centros urbanossaturados. Para isso, o governo pode buscar parcerias externas para realizar investimentos de interesse multilateral. Desta forma, o Brasil, a um só tempo, respeita os direitos humanos e promove o desenvolvimento nacional descentralizado, inovando e fortalecendo sua liderança global.

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