HRW pede para que China e Arábia Saudita não sejam eleitas para Conselho de Direitos Humanos da ONU

HRW aponta China e a Arábia Saudita como dois dos regimes mais abusivos do mundo

Por Agência EFE

A ONG Human Rights Watch (HRW) exortou os países da ONU a votarem contra as candidaturas da China e da Arábia Saudita no Conselho de Direitos Humanos da organização na quinta-feira, enquanto alertava para os registros problemáticos apresentados por outros candidatos como a Rússia ou Cuba.

As eleições acontecem na próxima terça-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas, que deve eleger 15 novos membros do órgão sediado em Genebra, embora muitos dos candidatos cheguem sem oposição e, portanto, tenham praticamente garantidos os seus lugares.

A exceção é o grupo da Ásia-Pacífico, onde China, Arábia Saudita, Nepal, Paquistão e Uzbequistão competem por quatro cadeiras.

Em um comunicado, a HRW apontou a China e a Arábia Saudita como dois dos regimes mais abusivos do mundo, pedindo que eles não sejam “recompensados” com assentos no Conselho de Direitos Humanos.

“A China e a Arábia Saudita não só cometeram violações massivas em casa, mas também tentaram minar os sistemas internacionais de direitos humanos dos quais afirmam fazer parte”, disse o diretor da ONG na ONU, Louis Charbonneau.

No caso da China, o HRW destaca os relatórios publicados por especialistas das Nações Unidas que alertam sobre graves violações dos direitos humanos em Hong Kong, no Tibete e na região de Xinjiang, sobre a supressão de informações no início da pandemia do vírus do PCC (Partido Comunista Chinês), também conhecido como novo coronavírus, ou ataques contra ativistas, jornalistas e críticos do regime.

Sobre a Arábia Saudita, a ONG lembra que, apesar dos anúncios de reformas, o país continua a agir contra defensores dos direitos humanos e dissidentes e mostra pouca responsabilidade por crimes passados, incluindo o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Fora do grupo Ásia-Pacífico, as eleições para o Conselho de Direitos Humanos não serão contestadas, uma vez que em cada região há o mesmo número de candidatos e vagas.

A prática é comum, com grupos regionais pactuando com antecedência a distribuição, algo muito criticado pelo HRW, que considera isso uma “zombaria” do sistema.

Apesar disso, a organização exortou todos os países a se recusarem a votar em candidatos inadequados e chamou a atenção para várias candidaturas “problemáticas”.

Entre eles estão os da Rússia, por sua participação em ataques indiscriminados na Síria e sua proteção ao regime de Damasco no âmbito internacional, e Cuba, a quem reprova por sua perseguição a jornalistas e manifestantes e por ter usado presenças anteriores no Conselho de Direitos Humanos para proteger regimes como o da Venezuela.

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