Hospitais na China anunciam venda de bebês indesejados

Uma enfermeira massageia bebês no Hospital Infantil Xining, na cidade de Xining, província de Qinghai. Hospitais na província de Henan têm anunciado a venda de bebês indesejados, segundo uma reportagem da Rádio Nacional da China (Getty Images)

Hospitais na região central da China estão anunciando a venda de bebês indesejados, segundo uma reportagem da Rádio Nacional da China (CNR), uma mídia estatal oficial.

Um bebé menino custa 36 mil yuanes (c. US$ 5.878), enquanto uma menina custa 24 mil (c. US$ 3.918), segundo a reportagem, referindo-se aos hospitais na cidade de Zhengzhou, província de Henan.

O repórter discou um número de telefone, que acompanhava as propagandas do serviço que estava afixado nas paredes de outro hospital, sob o pretexto de estar interessado em comprar uma criança, enquanto a outra parte garantiu que os bebês eram saudáveis e que havia muitos para escolher. Quando perguntada de onde os bebês vieram, a interlocutora disse que eles não foram sequestrados e que são principalmente filhos indesejados de jovens mães trabalhadoras que não conseguem cuidar deles.

No entanto, sob o sistema de registro familiar “hukou” na China, seria difícil garantir a inscrição da criança no registro familiar se a criança foi obtida por meios ilegais. Quando perguntada sobre como registrar a criança num “hukou”, a interlocutora informou ao repórter que ela podia fornecer um certificado falso de um orfanato, que poderia então ser usado para provar a adopção da criança e permitir seu registro familiar no Ministério dos Assuntos Civis.

De acordo com a política do filho único, o tráfico de crianças e os sequestros na China são galopantes, porque muitas famílias que já tiveram seu primeiro filho ou são incapazes de conceber estão dispostas a pagar por uma criança. Outras vítimas do tráfico infantil são vendidas para trabalho escravo, prostituição ou casamento. Especialistas estimam que mais de 70 mil crianças chinesas sejam raptadas e vendidas a cada ano.

O repórter da CNR também descobriu que a maioria das crianças em agências de bem-estar infantil tem deficiência física ou mental, um fator que talvez contribua para muitas famílias se voltarem para meios ilegais para adotar crianças saudáveis.

Um morador da cidade de Zhengzhou, cujos parentes compraram uma criança, disse ao repórter que a polícia local dificilmente investigará o tráfico infantil ilegal, porque algumas famílias estão dispostas a vender seus filhos por dinheiro e não denunciam seus filhos como desaparecidos.

Embora as autoridades chinesas reprimam as redes de tráfico de crianças desde 2009, o fenômeno permanece comum. De acordo com o Relatório de Tráfico de Pessoas de 2012, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, o Estado chinês não tem leis antitráfico abrangentes e faz um esforço mínimo para preveni-lo, resultando em melhoria limitada. A China manteve-se como um país de nível 2 na lista de vigilância pelo 8º ano consecutivo, porque não cumpriu integralmente as normas mínimas da Lei de Proteção às Vítimas do Tráfico.

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