Hong Kong recua sobre classes de lavagem cerebral depois de protestos em massa

Uma grande multidão cerca o prédio do governo de Hong Kong na sexta-feira em 7 de setembro. Um manifestante segura um cartaz dizendo “recuem”. (Song Xianglong/The Epoch Times)

HONG KONG – O chefe-executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, anunciou no sábado que as polêmicas aulas de educação nacional, que muitos aqui têm chamado de lavagem cerebral, não serão mais obrigatórias. A decisão veio depois de dois meses de protestos e oposição, incluindo uma demonstração recente de mais de 100 mil residentes.

O curso de Educação Moral Nacional destinava-se a ocorrer nas escolas e incutir o patriotismo na juventude de Hong Kong. Moradores viram isso como aulas de lavagem cerebral provenientes de Pequim.

A recente decisão de Leung impediu que as classes fossem obrigatórias e deixou que cada escola decidisse se implementará o programa. Isso foi feito um dia antes de Hong Kong eleger uma nova Legislatura.

Leung tinha cancelado sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o cargo em julho para o encontro da APEC na Rússia para lidar com a crise. O Apple Daily, um jornal de Hong Kong, citou fontes dizendo que Pequim estava descontente com a forma como ele lidou com a questão e lhe ordenou ficar em Hong Kong para lidar com isso. O secretário das finanças John Tsang foi enviado para a reunião em seu lugar em 6 de setembro.

Um movimento em toda a cidade contra as classes de educação patriótica nas escolas de ensino fundamental e médio começou há dois meses, quando o plano foi anunciado. Os materiais ensinariam crianças de Hong Kong a não questionarem o regime totalitário do Partido Comunista Chinês, dizem pesquisadores e estudiosos.

Em face das manifestações, o ministro da educação chinês Huang Guiren disse nesta quinta-feira que as classes “podem ser implementadas segundo as condições de lugares diferentes”, mas insistiu que seriam necessárias.

Depois de uma manifestação em massa de 120 mil na sede do governo de Hong Kong no Tamar na sexta-feira, Leung chamou para um diálogo os representantes dos manifestantes e Anna Wu, uma membra não oficial do Conselho de Estado em Hong Kong.

Após manifestações de massa em Hong Kong exigirem que Leung Chun-ying cancelasse o que tem sido chamado de classes de propaganda comunista de Pequim, Leung recuou no sábado dizendo que o plano inicial foi descartado. (Song Xianglong/The Epoch Times)

Foi uma reviravolta para Leung, que já havia se recusado a ceder às exigências dos manifestantes. Ele tem sido amplamente criticado por sua postura pró-Pequim desde que se tornou chefe-executivo.

Ativistas fizeram uma greve de fome durante os protestos, em que alunos, pais, políticos e celebridades participaram. A estrela de cinema Chow Yun-fat foi vista em certo momento em meio à multidão.

Se Leung não tivesse recuado, ele teria enfrentado oposição forte e contínua dos estudantes. Oito universidades anunciaram apoio à greve que foi organizada pela Federação Estudantil de Hong Kong em 11 de setembro. Outra greve, que envolveria alunos do ensino fundamental e secundário, foi planejada para 29 de setembro.

“Este foi um pedido do Partido Comunista Chinês à administração de Leung para fazer a próxima geração de Hong Kong seguidores do Partido Comunista”, disse Liu Sze-ming, porta-voz da Federação Estudantil de Hong Kong. “Pedimos ao governo que abandone imediatamente a aula de Educação Nacional.”

Observadores políticos em Hong Kong acham que apesar de Leung e o secretário da educação Eddie Ng Hak-kim terem recuado a política, os residentes permanecerão com raiva deles por algum tempo, segundo o Apple Daily.

Chineses do continente que também se opõem à educação patriótica expressaram solidariedade aos manifestantes de Hong Kong.

O plano de carreira dos estudantes na China é determinado pela maneira como eles estudam os materiais patrióticos, segundo Hu Qingxin, uma estudante universitária que teve de assistir tais aulas por 16 anos enquanto estudava na China. “Mesmo sabendo que tudo era uma mentira, nós tivemos de estudar cada questão com cuidado. Nossos sentidos estão entorpecidos quando escrevemos louvores e lisonjas [ao Partido Comunista]. Muitos professores entendem o absurdo, mas tem de ensinar como se isso fosse a verdade e o padrão para medir a virtude de um estudante”, disse Hu.

Muitos mais que não puderam estar fisicamente em Hong Kong mostraram seu apoio pelo Weibo, a versão chinesa do Twitter. Um usuário comentou no Weibo, “Vocês não estão sozinhos. Os que estão verdadeiramente sozinhos são os 1,3 bilhão de pessoas na China continental.”

Com pesquisa de Jane Lin e Hsin-yi Lin.

 
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