Hong Kong marcha contra ‘lavagem cerebral’ do regime chinês

Começando no Parque Victoria, 90.000 residentes de Hong Kong marcharam em 29 de julho contra os planos de introduzir aulas de educação nacional chinesa nas escolas de Hong Kong. (Pan Zaishu/The Epoch Times)HONG KONG – Dezenas de milhares de residentes de Hong Kong, jovens e idosos, marcharam num clima quente de domingo para protestar contra um novo programa de educação nacional chinesa para as escolas, que, segundo eles, equivale a fazer lavagem cerebral nas crianças em nome do regime comunista chinês.

Os organizadores do protesto, que envolveu mais de 10 grupos civis, reuniram 90.000 manifestantes (a polícia disse que eram cerca de 30.000). Alunos, pais com crianças pequenas e idosos residentes, começaram no Parque Victoria e marcharam até a sede do governo em Admiralty. A procissão levou duas horas, das 15h às 17h, antes de deixar o Parque Victoria.

O Departamento de Educação de Hong Kong anunciou em 5 de maio que o currículo nacional de educação seria obrigatório nas escolas primárias a partir de setembro, antes de ser introduzido nas escolas de ensino médio no próximo ano.

Segundo os participantes, não há necessidade do novo currículo de “Educação Moral e Nacional” que o governo pretende introduzir nas escolas. O currículo reflete a educação patriótica dada aos estudantes na China continental, que glorifica o Partido Comunista Chinês (PCC) e critica a democracia.

Se o plano for adiante, ele será apresentado a algumas escolas de ensino fundamental em setembro antes de ser obrigatório para todas as escolas públicas até 2016.

Carregando sua filha de 2 anos, o manifestante Sr. Zhong disse ao Epoch Times, “Eu não quero que minha filha cresça pensando que somente um partido é bom. Eu não quero que ela acreditasse que ninguém morreu durante o massacre da Praça da Paz Celestial (Tiananmen) e que o PCC é igual a China. […] Tenho medo que minha filha não saiba a verdade ou a história, que não saiba como pensar de forma independente ou distinguir o certo do errado.”

As preocupações de Zhong refletem as amplamente refletidas em Hong Kong, com a crescente invasão da China continental no arquipélago, que deveria ser governado pela política de “um país, dois sistemas” e garantir as liberdades cívicas de Hong Kong.

A União dos Professores Profissionais de Hong Kong (UPPHK) realizou uma pesquisa de 27 de junho a 15 de julho do ano passado, coletando opiniões de professores do ensino fundamental sobre as propostas nacionais de educação. Dos 2.383 professores inquiridos 70% se opõem à ideia, enquanto 18% apoiaram.

“O processo de formulação dessas novas classes deu às pessoas o sentimento de ‘política sobre a educação’”, disse a UPPHK numa nota que acompanhou o inquérito em 9 de agosto de 2011.

A pesquisa descobriu que 67% dos professores estavam preocupados ou muito preocupados que o currículo possa se tornar uma ferramenta de lavagem cerebral.

Alguns grupos pró-China questionaram o assunto em seus próprios termos. Antes do protesto, Jiang Yudui, do grupo pró-Pequim ‘Associação de Promoção da Educação Cívica Chinesa de Hong Kong’, respondeu às críticas, “Se o cérebro tem um problema, então, ele deve ser lavado, assim como você lava as roupas quando estão sujas, e se seu rim está doente, então, que seja lavado.”

Lam Siu Pan, o vice-secretário-geral da Federação dos Estudantes de Hong Kong, a maior organização de estudante de Hong Kong, disse à Rádio Free Asia que o Departamento de Educação já havia tentado empurrar a educação nacional sem consultar os educadores e o público em geral e que os estudantes de Hong Kong não podem ficar de braços cruzados e assistir.

“Essa classe viola o espírito de ensinar aos estudantes como pensar criticamente e identificar o certo do errado. Ao empurrar essa educação de lavagem cerebral, o governo de Hong Kong fará a próxima geração incapaz de se levantar contra o governo e os cidadãos de Hong Kong terão que pagar as consequências.”

Seis grandes órgãos patrocinadores da educação, incluindo a Diocese Católica de Hong Kong, a Igreja Anglicana, a Igreja Evangélica Luterana e a Associação Budista de Hong Kong, todas anunciaram que não apoiariam o currículo, segundo uma reportagem da Rádio Free Asia em 19 de julho. Elas representam um total de 150 escolas, 30% de todas as escolas elementares em Hong Kong.

Em agosto passado, Albert Ho, o presidente do Partido Democrata de Hong Kong, disse que a educação nacional é uma arma ideológica do PCC. Como o PCC está perdendo sua autoridade para governar, por isso, disse ele, o PCC deve criar um novo sistema ideológico, patriotismo e nacionalismo, para incutir a doutrina patriótica nos cidadãos livres de Hong Kong.

O sindicato dos professores continua a chamar o ministro da Educação, Eddie Ng, para um diálogo sério sobre o tema com professores e pais. Eles disseram que considerariam todas as opções, incluindo uma greve, para que o currículo seja removido.

 
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