Guaidó rejeita convocação do Ministério Público pelo suposto golpe de Estado

Por Agência EFE

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, rejeitou nesta terça-feira a convocação para declarar pelo Ministério Público o caso de um suposto golpe de Estado, ao mesmo tempo em que reitera que ele não reconhece o titular deste cargo, Tarek William Saab, a quem chamou de “usurpador”.

“Não faz muito sentido (a citação) devido ao fato dele nem ter função (Tarek William Saab)”, disse Guaidó em entrevista hoje à noite no canal online EVTV.

“Além disso, minhas prerrogativas constitucionais como Presidente do Parlamento e Presidente em exercício não dão nenhum papel (à Saab), muito menos a um usurpador para me citar”, acrescentou.

Nesse sentido, Guaidó especificou que o Ministério Público da Venezuela, sob a liderança da Saab, é “uma zombaria” e deixou de ser uma instituição séria que pode fazer justiça e não apenas perseguir”.

“(Saab) deve citar, por exemplo, os acusados ​​de tráfico de drogas”, continuou ele, referindo-se ao ditador Nicolás Maduro e a uma dúzia de seus colaboradores mais próximos, acusados ​​na semana passada pelos Estados Unidos de estarem envolvidos em terrorismo com drogas e lavagem de dinheiro.

A convocação do promotor a Guaidó, que quase 60 países reconhecem como o presidente responsável, está relacionada à investigação de um suposto golpe que o regime de Maduro alegou ter sido frustrado na semana passada.

O procurador-geral anunciou em um discurso televisionado que o líder da oposição deve comparecer perante seu escritório na próxima quinta-feira, sem oferecer mais detalhes sobre a convocação.

A convocação faz parte das ações tomadas pelo Ministério Público após a apreensão de um arsenal de armas na Colômbia e o ex-militar venezuelano Clíver Alcalá Cordones relacionou essa descoberta a uma tentativa de golpe em que Guaidó estava envolvido.

Saab enfatizou hoje que Alcalá Cordones confessou – durante uma entrevista com um programa de rádio colombiano – que Guaidó lhe deu “instruções diretas” para armar grupos terroristas, a fim de “eliminar cirurgicamente alvos previamente identificados” durante um eventual golpe.

“Isso em linguagem coloquial significa matar, matar o chefe de Estado”, disse o promotor.

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