Guaidó insiste perante UE nas ‘condições inaceitáveis’ dos próximos atos legislativos

Por Agência EFE

O presidente venezuelano Juan Guaidó fez questão de denunciar perante a União Europeia (UE), em nota divulgada neste sábado, as “condições inaceitáveis” das eleições parlamentares de 6 de dezembro diante do fato de que 27 partidos da oposição manifestaram que não irão comparecer.

“O ato convocado pela ditadura de Nicolás Maduro para o próximo dia 6 de dezembro deste ano não reúne as mais mínimas condições para que sejam livres e inclusivas, por isso rejeitamos essa farsa”, disse Guaidó em nota, dirigido ao Alto Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josep Borrell, de quinta-feira, 3 de setembro.

“As condições eleitorais inaceitáveis ​​permanecem intactas (às quais eles queriam criar um verniz para disfarçar a fraude eleitoral em curso)” continuou Guaidó.

Resposta ao regime de Maduro

A carta que Guaidó enviou a Borrell é também uma resposta ao convite feito pelo regime de Nicolás Maduro à UE e às Nações Unidas (ONU) para participarem como observadores nas eleições legislativas.

“As condições que o senhor (chanceler venezuelano Jorge) Arreaza informa em sua comunicação de 1º de setembro de 2020 referem-se a elementos muito parciais e de muito pouca importância para mudar a verdade sobre a chamada farsa: não há possibilidade de competir” disse Guadó.

As eleições parlamentares de 6 de dezembro geraram ampla rejeição em muitos setores da oposição venezuelana pela suposta falta de garantias, o que os levou a classificar essas eleições como “uma fraude”.

Oposição rejeita eleições

Entre as causas do indeferimento da convocação às urnas está a nomeação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pelo Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) Chavista e não pelo Parlamento, com notável maioria da oposição, que é quem deve fazê-lo, segundo a Constituição.

O TSJ, entidade cuja legitimidade é negada pela oposição devido ao processo de nomeação expressa dos seus magistrados, com manifestas simpatias pelo Chavismo, nomeou os reitores da CNE, considerando que a Assembleia Nacional (AN, Parlamento) não o possuia em suas funções.

Ele colocou Indira Alfonzo no comando do órgão eleitoral, mulher que foi sancionada na última sexta-feira pelos Estados Unidos e em maio de 2018 pelo Governo do Canadá.

Por isso, um grupo de 27 partidos políticos se recusou a participar das eleições com o presidente da Venezuela, Juan Guaidó.

Espanha apoia a posição da UE

Na sexta-feira, o governo espanhol disse acreditar “sem dúvida” que no momento não há condições para realizar as eleições de 6 de dezembro na Venezuela, apesar da movimentação da oposição de Henrique Capriles em aceitar as eleições e rejeitar o boicote proposto por Guaidó.

Neste sentido, o Governo espanhol manteve a sua posição, à semelhança da União Europeia, de que estas eleições não deveriam ter lugar nas actuais circunstâncias.

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