Guaidó diz que o chamado eleitoral é um ato de ‘orgulho da ditadura’

Guaidó disse hoje que o árbitro eleitoral não é credível e que, portanto, essas eleições não serão justas ou verificáveis

Por Agência EFE

O líder da oposição da Venezuela, Juan Guaidó, disse nesta quarta-feira que a convocação de eleições legislativas feitas no mesmo dia pelo órgão eleitoral é um “exercício de arrogância da ditadura”, embora observando que não se prestará a “uma farsa”.

“Grande exercício de orgulho da ditadura para acreditar que continuará lá em 6 meses, grande exercício de orgulho para acreditar que esta é uma situação sustentável simplesmente por causa de uma farsa convocada”, disse Guaidó em reação à convocação para as pesquisas de opinião.

“Sem dúvida, todos nós queremos votar com condições e aqui eu a reitero e ratifico como sempre disse: ninguém se presta a uma farsa, ninguém vai validar ou ratificar uma ditadura quando não há elementos de convicção de que seja um mecanismo real para disputar o poder”, acrescentou.

Eleições para renovar o Parlamento

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) anunciou hoje que as eleições para renovar o Parlamento serão realizadas em 6 de dezembro.

A presidente do órgão, Indira Alfonzo, disse que a decisão foi aprovada “por unanimidade” durante uma reunião do conselho realizada nesta quarta-feira, no âmbito da sessão permanente em que a entidade se declarou semana passada para organizar as eleições.

Além disso, foi aprovado todo o cronograma eleitoral, que inclui o registro de novos eleitores, recebimento de candidaturas, auditorias e uma simulação eleitoral, que ocorrerá em outubro próximo.

Dúvidas sobre o árbitro

Guaidó disse hoje que o árbitro eleitoral, nomeado pelo Supremo Tribunal antes da omissão legislativa da Câmara, não é credível e que, portanto, essas eleições não serão justas ou verificáveis.

Ele também indicou que o setor de oposição que está agrupado sob sua figura e que ele já havia dito que não comparecerá nas eleições pede condições eleitorais como garantias “para que o povo possa escolher” livremente.

“Mas é uma luta”, disse ele. “Não vá implorar à ditadura para que eles nos deem condições, não vá pedir por favor, porque eles já mostraram como tiram sarro de nós”, continuou ele.

Um parlamento, duas diretivas

Guaidó, reconhecido por 50 países como presidente interino, lidera uma das duas diretrizes que pretendem controlar o Parlamento, que em 2015 venceu com força a oposição pela primeira vez desde 1999.

O outro é liderado, com o apoio do banco chavista, a oposição dissidente Luis Parra, que a União Europeia sancionou junto com autoridades do regime Maduro nesta semana.

Em maio passado, Maduro disse que Guaidó planejou, juntamente com mercenários, dois ataques marítimos que resultaram em pelo menos oito mortes, e que pretendiam capturar o líder chavista e derrubar o regime.

O Ministério Público da Venezuela abriu uma investigação contra Guaidó por essas alegações, e semanas atrás Maduro começou a chamar o presidente venezuelano encarregado de “fugitivo da justiça”.

Mas o Ministério Público da Venezuela não confirmou que emitiu um mandado de prisão contra Guaidó.

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