Grupos populares se difundem em Guangdong, China

Aldeões na vila de Wukan, condado de Lufeng, província de Guangdong, exigem faixas e cartazes em protesto pela apropriação ilegal de terras conduzida por oficiais locais. As autoridades locais estão cada vez mais preocupadas com as manifestações em massa organizadas por grupos populares, como a mobilização da comunidade da vila de Wukan (STR/AFP/Getty Images)

Nos últimos anos, as organizações e grupos populares têm se proliferado na região de Guangdong, no sul da China, causando nervosismo no governo local.

Estas organizações populares locais frequentemente não são registradas no Ministério dos Assuntos Civis e têm mais peso do que os comitês locais do Partido Comunista Chinês (PCC). Elas incluem associações de jovens, fraternidades, irmandades ou associações nativas e seus membros protegem os interesses uns dos outros e da comunidade. Eles também mantêm o comitê local do PCC em cheque. Alguns grupos de interesse para trabalhadores migrantes inclusive não são limitados à terra natal para adesão.

Associações nativas tiveram origem na China no fim do período imperial, quando “huiguan” foram estabelecidas em áreas urbanas para comerciantes da mesma origem compartilharem informações comerciais, ajudarem-se mutuamente e compartilharem os costumes locais quando distantes de casa.

Não está claro exatamente quantos membros desses grupos têm-se reunido ou quantos desses grupos existam.

Num relatório elaborado pelo jornal de agricultura Diário Nanfang Nongcun, um homem identificado como Ah Qiang disse que era membro de uma fraternidade no município de Chengyue, cidade de Zhanjiang, província de Guangdong. Ele é diretor de uma escola local e se juntou a fraternidade porque sentiu que isso possibilitava que amigos se ajudassem em tempos de necessidade. O Diário é uma publicação de uma das organizações de mídia mais liberais da China, o Grupo de Mídia Nanfang.

Ah Qiang também disse que há mais de 10 grupos semelhantes a sua fraternidade no município de Chengyue. Alguns foram fundados mais de 10 anos atrás e incluem autoridades locais entre seus membros.

Um funcionário da Secretaria de Segurança Pública na cidade de Wuchuan, província de Guangdong, disse ao Diário que os líderes de algumas organizações juvenis têm mais influência do que o líder do comitê local do PCC, aumentando a preocupação das autoridades locais de perder o controle sobre a população. Em maio deste ano, 56 organizações juvenis na cidade de Wuchuan foram proibidas pelo governo local, segundo o Diário Nanfang Nongcun.

O número de organizações populares não-governamentais na China têm aumentado. De acordo com um artigo de Tang Xinglin, um professor na Escola de Relações Públicas Internacionais da Universidade Jiaotong de Shanghai, as estatísticas oficiais indicam que há mais de 400 mil organizações registradas e o número continua a aumentar de 10 a 15% ao ano.

Um artigo do Diário Mingpao de Hong Kong estima que haja mais de 2,5 milhões de organizações na China que não estão registradas no Estado chinês.

Um oficial chinês também disse ao Mingpao que há pelo menos 280 organizações estrangeiras atuando na China e que muitas organizações populares chinesas procuram registrar-se em Hong Kong, onde o governo opera sob um sistema político mais liberal.

Em entrevista à emissora independente NTDTV, Chen Yongmiao, um estudioso da Constituição chinesa, disse que o regime chinês mantém um controle rígido sobre as organizações populares e trata-as como uma questão de segurança pública e defesa: “Se as autoridades acreditam que isso porá em risco a segurança social e nacional, elas não aprovarão. Elas aprovam grupos como clubes de jardinagem e aviários, mas nada relacionado à política. Basicamente, os ativistas e organizações de assistência social ou grupos envolvidos à política rarissimamente são aprovados.”

Shan Guangnai, um pesquisador do Instituto de Sociologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, escreveu num editorial publicado no jornal Semanário do Sul de Guangzhou que estas organizações populares, como associações nativas, fraternidades e grupos de clãs familiares, servem como um importante veículo para mobilizar os cidadãos em “incidentes de massa”, como os grandes protestos de 2011 na vila de Wukan, província de Guangdong, quando as autoridades locais venderam as terras dos moradores sem sua aprovação para desenvolvedores imobiliários. Após protestos organizados por grupos de clãs da vila, as autoridades locais permitiram que os moradores realizassem eleições por um novo comitê da vila.

O pesquisador prevê que nos próximos anos, protestos em massa na China se tornarão mais organizados.

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